Editorial / Conto Julho.agosto.2016
Jornal de Espiritismo nº 77 · Julho 2016Página 25 min
EDITORIAL / CONTO JULHO.AGOSTO.2016 Temos vindo a ver plantas a florir por toda a parte. Flores simples, compostas, inflorescências… Piso escorregadio, mesmo sem chuva a criar lama, se se vê ali o apogeu de cada planta. Ilusão implantada. Bem, se for florista, no seu ângulo, não se aplica… Como não pertencemos a essa minoria profissional, até sem sermos botânicos, vemos a vegetação como uma série de organismos que cumprem funções em ciclos estendidos em ritmo variável, desde a semente à produção pelo desenvolvimento, se for o caso, de novas sementes.
A flor tem de ser vistosa, atrativa, não para nós humanos, mas para os insetos que incrementam a polinização, processo natural pelo qual se estabelece um dos principais padrões que caracterizam a natureza – a cooperação. Sem polinização poderia haver uma crise superaguda de produção de sementes e frutos férteis. Seria o advento de uma grande fome. Piso escorregadio, mesmo sem chuva a criar lama, se se vê ali o apogeu de cada planta.
Imagine que tem uma cerejeira no quintal. Quando floresce é uma alegria para os olhos. Breve, está feito. Os ovários estão praticamente todos fertilizados. A árvore perde a graça, pétalas caem, enfeia até. O apogeu ainda está para vir. Tem epicentro na semente dentro do fruto que se virá a formar. É ali que está o ADN de uma nova cerejeira, quando as condições se recriarem para novos seres vegetais chegarem a ter um lugar ao sol.
Entre humanos é parecido. Floresce a juventude. Vêm depois brancas no cabelo e rugas na face. São os atestados de amadurecimento, quando se percebe com clareza que cada um de nós molda a Zegotaresgate Durante a II Grande Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no gueto de Varsóvia, na Polónia, como especialista de canalizações. Mas os seus planos iam mais além... sabia quais eram os planos dos nazis relativamente aos judeus (sendo alemã).
Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de serapilheira na parte de trás da sua camioneta que se destinava a crianças maiorzitas. Também levava na parte de trás da camioneta um cão, a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saía do Gueto. Claro que os soldados não queriam nada com o cãoeo ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.
Enquanto pôde manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças. Por fim os nazis apanharam-na. Souberam dessas atividades e em 20 de outubro de 1943. Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a infame prisão de Pawiak, onde foi torturada. Num colchão de palha, encontrou uma pequena estampa de Jesus com a inscrição: “Jesus, em vós confio”, e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao papa João Paulo II.
Ela, a única que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou trair os seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Já recuperada foi, no entanto, condenada à morte. Enquanto esperava pela execução, um soldado alemão levou-a para um “interrogatório adicional”. Ao sair, ele gritou-lhe em polaco: “Corra!
”. Gente como Irena Sendler, que salvou milhares de vidas praticamente sozinha, é extremamente necessária. Esperando ser baleada pelas costas, Irena, contudo, correu por uma porta lateral e fugiu, escondendo-se nos becos cobertos de neve até ter certeza de que não tinha sido seguida. No dia seguinte, já abrigada entre amigos, Irena encontrou o seu nome na lista de polacos executados que os alemães publicavam nos jornais.
Os membros da organização Zegota (“Resgate”) tinham conseguido deter a execução de Irena, subornando os alemães, e Irena continuou a trabalhar com uma identidade falsa. Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do gueto, guardadas num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim. sua realidade dia a dia. As vidas sucessivas ocorrem como momentos especiais de aprendizagem.
Amor e sabedoria são sementes que surgem e caminham para amadurecer no percurso das faixas etárias, coroados com justo brilho em idade posterior. Por isso, quando um dia a pele envelhecer, a melanina já não escurecer o cabelo, os músculos sentirem alguma contenção, haveremos de deixar sorrir a alma – estamos mais perto do apogeu desta passagem, quando mais facilmente afeto e conhecimento jorrarem mais vezes mais intensamente do ser.
Um dos frutos desse teor vai no sentido de bem perceber, como dizia um homem sábio entre os pares, “não nos cabe combater o mal, mas sim afirmar o bem. Não há sombra com vida própria, pois ela mesma desaparece com a passagem de um simples raio de luz”. Para juntar à sua, fazemos votos de que encontre luzes nestas escritas, reunidas a partir do trabalho voluntário de variados colaboradores – boa leitura! foto ulisses.com.
pt foto dr Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a família. A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais, ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos. Em 2006 foi proposta para receber o Prémio Nobel da Paz... mas não foi selecionada. Quem o recebeu foi Al Gore por sua campanha sobre o aquecimento global. Passaram já mais de 60 anos, desde que terminou a II Guerra Mundial.
Este e-mail foi reenviado de modo comemorativo, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos (inclusive 1900 sacerdotes), 500 mil ciganos, centenas de milhares de socialistas, comunistas e democratas e milhares de deficientes físicos e mentais e que foram massacrados. Agora, mais do que nunca, com o recrudescimento do racismo, da discriminação e os massacres de milhões civis em conflitos e guerras sem fim em todos os continentes, é imperativo assegurar que o Mundo nunca esqueça.
Gente como Irena Sendler, que salvou milhares de vidas praticamente sozinha, é extremamente necessária.
