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Capa da edição nº 77 do Jornal de Espiritismo

77Jornal de Espiritismo nº 77

Julho 2016 · 20 secções · ≈ 81 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo aborda a natureza da cooperação e do amadurecimento humano, utilizando a analogia da flor. Inclui uma reportagem inspiradora sobre Irena Sendler e a organização Zegota, que salvaram crianças no Gueto de Varsóvia. A revista também responde a questões de leitores sobre sonhos premonitórios e dificuldades conjugais, oferecendo uma perspectiva espírita e encorajando a busca por apoio em associações espíritas.

Espiritismo
Comportamento
Espiritualidade
Reencarnação
Sonhos
Ajuda fraterna

Capa

Página 11 min

77 ANO XIII JDE JULHO . AGOSTO . 2 0 1 6 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 6 REPORTAGEM AS DUAS FACES DA VIDA Estas Jornadas decorreram no Centro de Congressos de Caldas da Rainha… foto loucomotiv 9 ENTREVISTA DA CREMAÇÃO À CLONAGEM As perguntas que ficaram no ar são agora respondidas… 15 OPINIÃO AMOR, PERDÃO E SAÚDE As mais recentes pesquisas apontam caminhos fáceis para o bom viver… 16 OPINIÃO AVC ESPIRITUAL? Mais um dia de trabalho no hospital central onde é psiquiatra... Cooperar: florir e frutificar

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Editorial / Conto Julho.agosto.2016

Página 25 min

EDITORIAL / CONTO JULHO.AGOSTO.2016 Temos vindo a ver plantas a florir por toda a parte. Flores simples, compostas, inflorescências… Piso escorregadio, mesmo sem chuva a criar lama, se se vê ali o apogeu de cada planta. Ilusão implantada. Bem, se for florista, no seu ângulo, não se aplica… Como não pertencemos a essa minoria profissional, até sem sermos botânicos, vemos a vegetação como uma série de organismos que cumprem funções em ciclos estendidos em ritmo variável, desde a semente à produção pelo desenvolvimento, se for o caso, de novas sementes.

A flor tem de ser vistosa, atrativa, não para nós humanos, mas para os insetos que incrementam a polinização, processo natural pelo qual se estabelece um dos principais padrões que caracterizam a natureza – a cooperação. Sem polinização poderia haver uma crise superaguda de produção de sementes e frutos férteis. Seria o advento de uma grande fome. Piso escorregadio, mesmo sem chuva a criar lama, se se vê ali o apogeu de cada planta.

Imagine que tem uma cerejeira no quintal. Quando floresce é uma alegria para os olhos. Breve, está feito. Os ovários estão praticamente todos fertilizados. A árvore perde a graça, pétalas caem, enfeia até. O apogeu ainda está para vir. Tem epicentro na semente dentro do fruto que se virá a formar. É ali que está o ADN de uma nova cerejeira, quando as condições se recriarem para novos seres vegetais chegarem a ter um lugar ao sol.

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Correio Julho.agosto.2016

Página 34 min

CORREIO JULHO.AGOSTO.2016 “Intrigam-me os meus sonhos” Surgem questões das mais variadas entre edições do «Jornal de Espiritismo» - escolhemos algumas, pois quem sabe se um destes alvitres não é também seu? Escreve assim Lorine: «Boa noite. Quando era pequena a minha mãe diz que eu peguei num chapéu do meu avô paterno e o abraceinunca o conheci, ele faleceu exatamente 15 dias antes de eu nascere lembro-me perfeitamente da sua voz.

Abracei e senti o cheiro. Não devia de ter mais do que 3 anos de idade. Porém, o facto que me traz aqui e que me intriga são os meus sonhos. Houve um dia que sonhei que uma prima minha tinha morrido. Nós quase não temos contacto. Passados 2-3 dias o pai dela foi para o hospital com um princípio de um AVC. Sonhei que ia sair um hexágono no plano vertical em geometria e saiu no dia a seguir. Sonhei que tinha um coágulo na boca e que o cuspi para a mão (era grande, deveria ter uns 3 cm) e passados 2-3 dias a minha avó tem um enfarte no baço.

Sonhei que a minha avó tinha um cancro, só que eu tinha os sintomas do tratamento. Sentia um calor insuportável, mesmo como se estivesse a arder. De facto passado um mês mais ou menos foi detetado um cancro à minha avó, que acabou por sofrer imenso e faleceu na semana passada. Sonhei com ela esta noite, ela parecia viva, mas algo em mim dizia que ela não pertencia a este mundo. Estava bem. Como antes da doença. Antes desta minha avó falecer, sonhei com outra tia (filha da minha avó) que faleceu há 3 anos.

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FEP Federação Espírita Portuguesa: uma história de 90 anos A Federação

Página 41 min

Espírita Portuguesa (FEP) celebrou o seu 90.º aniversário pelas 15h00 do dia 28 de maio, sábado, na Amadora. Os presentes ficaram a saber um pouco mais da história da Federação, que começou em 1926. Foi lançado na altura um selo comemorativo com a conhecida frase reencarnacionista “nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”. É do conhecimento geral a sua dissolução ordenada pelo regime fascista de Salazar no século XX, tendo-se no entanto prontamente reorganizado, a partir do zero, assim que a Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974 restituiu ao povo português, entre outros, o direito de associação.

Pode visitar a FEP na Praceta Casal de Cascais, lote 4 r/c A, Alto da Damaia, Amadora, no seu horário de funcionamento. As infirmações mais importantes para esse efeito estão no seu sitewww. feportuguesa.pt Congresso Espírita Mundial Lisboa recebe o próximo Congresso Espírita Mundial entre 7 e 9 de outubroa organização está a cargo da Federação Espírita Portuguesa (FEP) que trabalha em parceria com o Conselho Espírita Internacional (CEI).

Até início de junho já estavam 27 países representados, sendo a maioria formada por portugueses e brasileiros. Rivalizam depois em número de inscritos no congresso a Espanha a Suíçaea França. O tema central deste Congresso Mundial é “EM DEFESA DA VIDA”; vida, nas suas diversas formas e etapas. Os oradores desdobram-no em conferências e mesas-redondas de espetro diverso. Encontra diversas personalidades portuguesas e estrangeiras no site oficial do congressohttp://8cem.

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Consultório

Página 56 min

Obsessõesreforçadas “Passo todo o dia em casa a pensar como hei de fazer para sair dela. Deixei de trabalhar, porque tinha que me expor. Tenho medo de falar com estranhos e sinto-me permanentemente julgada. Só estou bem em casa, tenho medos e ansiedade. Acha que isso é uma obsessão?” Gláucia LimaOs sintomas referidos parecem enquadrar-se na condição da “Fobia Social”, na qual o medo e a ansiedade são sintomas centrais, podendo em casos extremos levar a pessoa a uma sensação de pânico.

As fobias, de uma forma geral, são as perturbações de ansiedade mais frequentes na população geral, acometendo uma para oito pessoas em média. Em Portugal segundo o “Relatório Nacional Portugal em Números de 2013”, ocupava o percentual de 13,7% (Fobia Social + Fobia específica); para 4,4% de Perturbação Obsessivo-compulsiva; 2,3% para Perturbação de pânico; 2,1% para a Perturbação de ansiedade generalizada. Vejamos estas palavras: “A Fobia – refere-se a um medo exagerado, irracional, repetido e incoercível relativamente a um objecto específico, circunstância ou situação ou a uma representação dos mesmos”.

Manual de Psiquiatria Clínica. LIDEL, 2014. O principal sintoma é a ansiedade excessiva na presença de outra pessoa e está relacionada com o medo de ser avaliado pelo outro. Pode ser: 1. Circunscrita – a uma ou poucas situações como comer, escrever ou falar em público. 2. Generalizada – a grande número de situações como usar sanitários públicos, falar com estranhos, superiores hierárquicos ou qualquer situação em que a pessoa possa ser julgada, observada ou avaliada.

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Breves Julho.agosto.2016

Página 65 min

BREVES JULHO.AGOSTO.2016 Jornadas de Cultura Espírita: As duas faces da vida Conta-se uma dúzia de jornadas dentro do título destas linhas, mas decerto ninguém ia imaginar nas primeiras que a 12.ª edição do evento, em 23 e 24 de abril de 2016, ultrapassaria pela positiva todas as expectativas: o Centro de Congressos de Caldas da Rainha encheu a sua capacidade de acolhimento de meio milhar de pessoas, e contou com a presença dos presidentes do Município local e da Federação Espírita Portuguesa.

Não foi preciso acordar ninguém: os temas estavam vivos, mas Moacir Lima na conferência de abertura do início da tarde de 23 de abril, sábado, afastou véus e, entre outras dicas valiosas, referiu, por exemplo, a teoria das cordas. Professor universitário e escritor com várias obras publicadas dentro do compromisso singular entre ciência e espiritualidade, estruturou com lucidez o discurso na física quântica e explicou como “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, contra a corrente da sua época, embora com outras palavras, antecipou conceitos modernos da filosofia da ciência.

Questão n.º 38 – “Faça-se luz!”, e fez-se. A expressão foi repescada pelo expositor que expôs com leveza um tema difícil tornando - -o compreensível sem esquecer de juntar aquele tipo de humor que concentra a atenção. Tudo no universo é basicamente luz e segundo a dita teoria o que conhecemos deriva de mínimos filamentos de luz com uma dúzia de dimensões descritas pela matemática. Pode conferir isto e muito mais quando lhe aprouver num canal da ADEP no Youtube, onde com excelente som e imagem, a equipa de cobertura do evento, incansável, ajustou tudo para esse efeito.

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Breves

Página 75 min

Porto: Doenças mentais e Espiritualidade A Associação Médico Espírita do Norte (AME Norte) organizou no passado dia 5 e maio, entre as 21h00 e as 23h00, na cidade do Porto, um seminário com Wander Lemos, psiquiatra que exerce a sua atividade no Hospital André Luiz, em Belo Horizonte, no Brasil. O tema foi “Doenças mentais e Espiritualidade” e a entrada gratuita, mas sujeita a inscrição. Para além da sua atividade profissional Wander Lemos é um estudioso da doutrina espírita e, muito em particular, dos escritos bíblicos.

O médico em pauta estava de férias e passando por Portugal, surgiu a possibilidade desta contribuição. O facto de ter sido fora das paredes de uma associação espírita, no caso o auditório do Porto Hotel Antas que comporta perto de uma centena de pessoas, abre mais expressivamente a divulgação dos conceitos analisados. Os últimos 30 minutos foram reservados para as perguntas que das pessoas ali presentes – o auditório ficou lotado – fizeram questão de colocar.

Este seminário foi gravado em vídeo por um jovem colaborador da AME Norte e será disponibilizado em breve no canal do Youtube desta associação, estando ali já disponível uma entrevista realizada umas horas antes sobre este mesmo tema – não deixe de ver! Jornadas Portuguesas de Medicina e Espiritualidade Subordinado ao tema «As várias dimensões do homem» no fim de semana de 4 e 5 de junho decorreram em Lisboa, no auditório da Faculdade de Medicina Dentária, as XI Jornadas Portuguesas de Medicina e Espiritualidade.

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Notícia

Página 85 min

Seminário interdisciplinar discute adições O tema tornou-se pertinente numa altura em que, apesar do consumo de drogas em Portugal estar abaixo da média europeia, substâncias como o ecstasy, haxixe e heroína continuam a ser facilmente acessíveis no país, já para não falar de outras dependências como o tabaco, álcool, jogo, comida, redes sociais, sexo, entre outras. E foi de tudo isto que se falou num seminário que juntou oradores de diferentes áreas disciplinares.

Uma das mensagens centrais do evento foi deixada por Gláucia Lima, psiquiatra e oradora espírita: “Os padrões de consumo estão a mudar”. Para melhor entender a origem, evolução e dinâmicas destes consumos e dependências, António Pinho da Silva, licenciado em Filosofia e presidente da ACEMI, fez uma viagem pelo tempo e pela História, traçando um panorama sobre os motivos, costumes e características civilizacionais que ajudam a compreender os comportamentos aditivos em diferentes culturas.

Depois de esclarecer que hoje em dia não se fala em vícios, mas sim em distúrbios induzidos por substâncias, Gláucia Lima explicou como se vai de uma mera dependência ao distúrbio, pois “temos de considerar que a toxicodependência durante muitos anos foi considerada um problema comportamental, mas, hoje em dia entende-se também como um problema neurobiológico e alguns indivíduos são mais vulneráveis”. A médica explicou a relação entre nocividade e vulnerabilidade, a qual considera os seguintes três factores: efeitos sobre a saúde, efeitos sobre o comportamento e capacidade de criar dependência.

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Entrevista

Página 94 min

Da cremação à clonagem À medida que forem sendo respondidas iremos publicando aqui. Desta feita, vamos começar. Nucha escreve estas duas perguntas numa assentada: «Há centros espíritas na Europa, América, África e Ásia? E em relação à cremação, como reage o espírito?». A resposta foi pedida a J. Gomes. Escreveu no e-mail: «Olá, Nucha. Tivemos conhecimento das suas perguntas esta semana e passamos a responder.

Temos informação de que existem associações espíritas sem fins lucrativos, sim, em algum dos países dessas regiões do Globo que refere. Muitas delas existem a falar português. Sabe que o facto de haver emigrantes sobretudo do Brasil eles próprios já espiritas, faz com que se agrupem e venham a aderir outras pessoas que começam assim a estudar espiritismo. Sobre a cremação devemos considerar que é aconselhável aguardar de preferência uns quatro dias antes de cremar.

Nada mais é isto, contudo, que uma estimativa, embora pareça de facto ser consensual entre estudiosos. Isso não quer dizer que todos precisemos desse período de tempo para um desligamento completo do corpo físico quando desencarnamos, como compreende. A questão deste ponto prende-se precisamente com essa questão do desligamento que se liga ao processo de desencarnar. Como sabe somos Espírito e temos corpo espiritual (perispírito) e corpo físico.

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Atualidade

Página 102 min

Questão complexa que brota do solo da saúde, a eutanásia foi objeto de uma nota de imprensa gizada pela Associação de Médicos- Espíritas do Norte – pelo interesse despertado, com a devida vénia pedimos licença para a resumir e adaptar ao espaço disponível neste jornal, na certeza de que os leitores encontrarão aqui diversos esclarecimentos que importa reter. foto arquivo Eutanásia: sim ou não ? Esta comunicação resulta de uma reflexão alargada e engloba vários tópicos: introdução, argumentos a favor e contra, o ponto de vista espírita.

Eutanásia de forma simples quer dizer boa morte – ευθανασία: ευ “bom”, θάνατος “morte”. No entanto, a relatividade dos critérios do que seja uma boa morte revela-se até em determinadas culturas e em determinadas épocas. Nas culturas guerreiras, como a dos vikings ou a dos samurais, uma morte boa seria a que sucedia em combate, revestida de honra. Já na Europa da Idade Média a boa morte devia fazer-se anunciar, a fim de que o moribundo pudesse tomar as suas últimas decisões.

De tal forma era temida a morte repentina que podemos ler numa ladainha dos Santos daquela época «De uma morte repentina livrai-nos Senhor». Mas, na época atual, a boa morte é aquela que chega de repente, aquela que chega sem avisar. Na verdade vivemos como se a morte não existisse. Quando deparamos com esta inevitabilidade, não a suportamos e chegamos ao ponto de a querer antecipar. Cria-se assim um paradoxo existencial.

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Atualidade Julho.agosto.2016

Página 117 min

ATUALIDADE JULHO.AGOSTO.2016 relaciona-se também com a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos. 2 Também o princípio da dignidade invoca o chamado direito de morrer com dignidade, numa vertente de alívio de sofrimento, ou seja, a morte assistida seria um direito do doente que sofre e a quem não resta outra alternativa, por ele tida como aceitável ou digna, para pôr termo ao seu sofrimento. É um último recurso, uma última liberdade, um último pedido que não se pode recusar a quem se sabe estar condenado.

Nestas circunstâncias, a morte assistida é um ato compassivo e de beneficência. Por sua vez, John Harris descreve a teoria do utilitarismo, defendendo que, de acordo com essa teoria, a eutanásia pode ser eticamente adequada, chegando a dizer que é moralmente errado encurtar a vida de uma pessoa se desta forma se estiver a privar essa pessoa de alguma coisa que ela valoriza especialmente (tal como a vida). Contudo, obtido o consentimento, e se a pessoa deixar de valorizar a vida em si própria, não existe nada de intrinsecamente errado em permitir a morte assistida.

3 Principais argumentos contra Inviolabilidade da vida humana: Refutando, mais uma vez, os argumentos a favor, começamos por referir a posição de José Manuel Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos, que sublinhando a dignidade da vida humana, defende que esta não é um bem disponível ao próprio, existindo limites óbvios ao exercício da autonomia individual. 4 As Constituições de vários países do mundo proclamam o direito à vida como direito fundamental.

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Atualidade Julho.agosto.2016 (pág. 12)

Página 127 min

ATUALIDADE JULHO.AGOSTO.2016 ensinamentos sobre a vida no mundo espiritual. Os relatos dos que se encontram já libertos do corpo físico dão-nos conta de que muitos dos sofrimentos da Terra continuam após a morte e, muito em particular, nos casos de suicídio. 14 Nestes casos o Espírito fica profundamente deprimido, continuando a viver em situação de elevada perturbação e muitas vezes sem mesmo se aperceber que já partiu para o mundo espiritual.

Esta situação pode manter-se anos até que surja uma oportunidade de esclarecimento. Muitos destes casos pedem que se passe a palavra sobre estes fatos, para que mais ninguém se atire a tal infortúnio. Regra geral, consumado o ato, de alguma maneira rapidamente percebem que deveriam ter sabido ser resilientes, pois a passagem na vida material configura uma “bolsa de estudo”, cheia de testes e ensinamentos, previstos já antes de nascer.

Embora estes dados – que até podem ser vistos numa moldura de religiosidade natural no ser humano – sejam novidade para muita gente, na verdade parecem ser leis da natureza que não fazem vénia para funcionar, quer se acredite nelas ou não. Isto aplica-se quer às vidas sucessivas quer à continuidade da vida após a morte do corpo físico, articuladas com uma relação de causa e efeito que vincula a consciência de cada um face ao seu próprio passado mais ou menos remoto.

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Opinião Julho.agosto.2016

Página 135 min

OPINIÃO JULHO.AGOSTO.2016 James: menino e piloto No entanto, esse trabalho de pesquisa, documentação e análise não ficou estagnado com a sua morte física em 2007 já que ele inspirou outros investigadores a seguirem-lhe o exemplo. Alguns dos mais conhecidos são o psicólogo Erlendur Haraldsson da Universidade da Islândia, a professora Canadiana Antonia Mills que realizou um estudo profundo sobre a reencarnação em diversas culturas indígenas americanas e o pedopsiquiatra Jim Tucker que lidera o laboratório “The Division of Perceptual Studies” da Escola de Medicina da Universidade de Virginia nos EUA desde o ano de 2014.

Esta unidade de investigação do departamento de psiquiatria da Universidade de Virginia foi fundada pelo professor Ian Stevenson em 1967 com o objectivo de “investigar de uma forma científica e empírica os fenómenos que sugerem o carácter limitado das atuais ideias científicas sobre a natureza da mente ou da consciência, bem como a sua relação com a matéria”. As principais áreas de pesquisa deste laboratório são as experiências de quase-morte e sobretudo o legado de Ian Stevenson nas crianças que se recordam das suas vidas passadas.

Da análise já efetuada, Jim Tucker encontrou alguns padrões sobre o fenómeno: As crianças que se lembram das suas vidas passadas têm entre 2 e 6 anos e em 60% dos casos são do sexo masculino; Cerca de 70% delas afirmam que a sua morte física na vida anterior ocorreu de forma violenta ou devido a causas não naturais quando ainda eram relativamente novosmédia de idade 28 anos; 20% das crianças revelam marcas de nascimento ou deformidades físicas que são compatíveis com marcas ou ferimentos provocados durante o acontecimento que levaria à sua “morte” na vida anterior; 90% afirmam que na vida passada seriam do mesmo sexo que na atual; A média de tempo que medeia entre a “morte” e o renascimento é em média de 16 meses; 20% das crianças relata memórias do tempo entre vidas.

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Opinião Julho.agosto.2016 (pág. 14)

Página 143 min

OPINIÃO JULHO.AGOSTO.2016 Atualmente, os direitos das crianças fazem parte de um código mundial, ético e moral, que todos subscrevem e defendem sem limitações: direito à não discriminação, direito à sobrevivência e desenvolvimento, a ter opiniãoea participar, direito a defender tudo o que lhe diga respeito e se considere do interesse superior da criança (CDC ). É pois com entusiasmo que assistimos a verdadeiras mudanças no paradigma educacional, vendo surgir alguns projetos inovadores, tanto no âmbito da pedagogia espírita, como na criação de novas escolas cujos métodos de ensino visam o desenvolvimento integral da criança, físico, psicológico, social e espiritual.

Porém, uma preocupação emerge célere: e os direitos daqueles que por envelhecimento do corpo, reconhecem que a morte se aproxima? Que direitos lhe têm sido preservados? Que preocupações e que propostas tem o movimento espírita para acudir aos milhares de idosos imersos na solidão da antevisão da morte? O aumento da expectativa de vida e a diminuição da mortalidade fez com que o índice de envelhecimento , em Portugal, duplicasse de 65,7% em 1990 para 138,6% em 2014 (dados: INE – PORDATA).

A população portuguesa é maioritariamente idosa. E se do ponto de vista económico e social isto é causa para inquietação, para nós espíritas, há uma missão a cumprir no esclarecimento e no atendimento urgente! O envelhecimento deve proporcionar o despreendimento gradual do corpo, constituindo-se numa oportunidade para reflexão sobre a vida imortal. E o espiritismo, que veio comprovar a imortalidade da alma através dos factos mediúnicos, que não é mera filosofia, mas sim uma lei da natureza, deve promover junto dos que “aguardam pela morte” atividades que contribuam para o seu amadurecimento espiritual.

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Crónica

Página 153 min

Viver bem significa ter saúde social, corporal, biológica e espiritual. Pois todos esses estados são atingidos a partir de um controlo das nossas emoções e do desenvolvimento dos bons pensamentos. Uma investigação recente, realizada por Candace Pert, PhD. em Biologia, autora do livro ”Moléculas da Emoção”, revelou que os pensamentos de amor, harmonia e felicidade fortalecem o nosso sistema imunológico, dando razão ao dito popular segundo o qual quem ama não adoece.

Se é verdade que esse dito não pode ser considerado absoluto, é certo, por outro la - -do, que o sentimento de amor, fortalecendo o nosso sistema imunológico, nos torna mais fortemente protegidos contra os inimigos externos, vírus e bactérias causadores de doenças. Por outro lado, o cultivar ódios, ressentimentos, inveja, nos enfraquecem por debili-tarem nossas defesas. No dizer de biólogos da última geração como Bruce Lipton, o que mais nossas célu-las temem são as nossas emoções.

Assim, sabemos que guardar mágoas e ressentimentos é uma das mais eficientes maneiras de ficarmos presos a quem nos magoou. É tudo o que não queremos. Se desejamos o mal de alguém, se cultivamos ódios, esses pensamentos talvez che - -guem a seu alvo. Mas o certo, é que antes de chegar ao outro, se chegarem, terão transitado por nós, causando efeitos altamente negativos. Assim, perdoar, no sentido de esquecer, melhor ainda, deletar ofensas passadas é uma forma inteligente de libertação.

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Opinião Avc

Página 163 min

espiritual? Habituado às idiossincrasias diárias da vida de um médico psiquiatra, que praticamente já vira de tudo, lá disse à auxiliar que podia mandar entrar o doente com o AVC, mas que aquele assunto não era da sua especialidade. A enfermeira e a auxiliar insistiam que aquele AVC era “diferente”, pois tinha sido visto pelos médicos da urgência e, o doente não tinha nada, e quando é assim… manda-se para o psiquiatra!

Joaquim contava as horas para sair do serviço, e regressar ao aconchego do lar, revendo os familiares. O doente lá entrou e, depois de examinar atentamente o registo do doente, de facto, aparentemente o doente não tinha qualquer patologia, pensava Joaquim. No entanto, o mesmo aparentava todos os sinais de um AVC. Um familiar que o acompanhava, disse que o doente costumava ter umas situações “esquisitas”, “Sabe Dr. parece daquelas coisas, que se fala por aí…” Joaquim perguntou que coisas: “Aquelas coisas de médiuns… já ouviu falar?

Às vezes dá-lhe estas coisas, sabe, sr. Dr..?!”. “Hummm….” Foi a resposta discreta do médico. De repente, fez-se-lhe luz. Joaquim, além de médico, psiquiatra, era um entendido e estudioso da mediunidade (percepção extra-sensorial) e da doutrina espírita (ou espiritismo), e as coisas começaram a compor-se no seu “puzzle” mental. Joaquim apercebeu-se que o doente apenas era um médium deseducado, sem conhecimento da faculdade que possuía (o sexto sentido ou mediunidade) e daí os achaques e as doenças-fantasma.

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Literatura / Vídeo Julho.agosto.2016

Página 176 min

LITERATURA / VÍDEO JULHO.AGOSTO.2016 Notáveis casos de Chico Xavier Estamos perante um pequeno livro que nos relata cerca de 40 episódios da vida extraordinária de Francisco Cândido Xavier. Vários desses episódios já são conhecidos, pois também foram testemunhados por pessoas que conviveram com o saudoso e inolvidável mineiro de Pedro Leopoldo. Editado pela GEEM – Grupo Espírita Emmanuel no corrente ano – 2016 – diz-nos Caio Ramacciotti na sua apresentação: «O livro nos traz oportunos depoimentos do autor em sua longa convivência com Chico Xavier» e «Os seus relatos são singulares pela simplicidade com que o Chico no-los ofereceu, por meio do agradável texto do autor».

Se estes casos não tivessem sido registados pelo Dr. Oswaldo de Castro (odontólogo, cirurgião plástico e homeopata), no presente livro, muito dos factos da vida do médium seriam desconhecidos dos homens e teríamos perdido para sempre a oportunidade de os conhecer. Esses episódios biográficos são muito importantes para sabermos mais sobre a mediunidade impressionante de Chico, mas sobretudo conhecermos a grandeza do seu carácter, que se manifestava nos mais singelos gestos para com o próximo.

Informamos que Oswaldo de Castro foi um dos médicos de Chico Xavier, hoje com 92 anos, que nunca se quis expor ou promover, trabalhava discretamente no silêncio. Temos estes testemunhos graças a solicitações reiteradas dos amigos, nomeadamente de Nena Galves. Os testemunhos de Oswaldo são também um subsídio necessário para conhecermos melhor a vida e a mediunidade do então jovem Waldo Vieira (1932-2015). Waldo foi colega e amigo de Oswaldo, quando ambos estudavam medicina na Universidade de Uberaba.

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Amélia Rei

Página 183 min

Na “Revue Spirite” de março de 1869, Allan Kardec publica uma curiosa carta de um grupo espírita de Ciudad Real, Espanha, que, planeando a publicação de um jornal espírita, lhe pedem permissão de nele publicarem extratos dos livros de Kardec, bem como a sua colaboração no referido jornal? AMÉLIA REIS 01 02 03 04 05 Sabia que? Numa das suas últimas encarnações, vivida no México, Joanna de Ângelis, à época Soror Juana Inês de la Cruz, possuía, na sua cela de convento, 4 mil livros, para além de vários instrumentos musicais e científicos?

Sendo a morte causada por velhice ou doença o desprendimento do Espírito ao corpo quase se completa antes da morte real, podendo, com a última batida do coração, o Espírito já ter recuperado a lucidez, tornando-se testemunha da extinção da vida do corpo? Existem casos de desencarnações precoces que não estão inseridas em qualquer processo de resgate, tratando-se unicamente de Espíritos missionários que renascem na Terra com o objetivo de acordar seres a quem querem bem para a busca de mais amplos valores morais?

O guia espiritual de uma criança permanece junto dela até aos sete anos de idade, altura em que se completa a encarnação, continuando, a partir daí a protegê-la mas de uma forma menos exclusiva? JULHO.AGOSTO.2016 foto direitos reservados foto direitos reservados Entrevista a frequentadores Entrevista a dirigentes Margarida conta 49 anos e é professora. Conheceu o espiritismo através de amigos e conhecidos, em conversa que começou por ser informal, num bar da Foz do Arelho.

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Há muitos, muitos anos atrás, num país distante de todos os outros, vi

Página 192 min

Há muitos, muitos anos atrás, num país distante de todos os outros, vivia um príncipe lindo, muito honesto e correto. Estava quase a tornar-se rei, mas para isso teria de se casar. Tinha tudo para ser um bom rei, mas precisava casar. Certo dia, dispôs-se a procurar uma jovem para ser sua futura mulher. Resolveu organizar um concurso entre todas as jovens do reino para melhor fazer essa escolha. Ziana, uma jovem filha de uma serva do palácio, também quis entrar nesse concurso, pois tinha um imenso e sincero amor pelo príncipe.

- Minha filha, não metas essa ideia na cabeça – disse-lhe a mãe. – Vão estar lá as mais belas e ricas jovens de todo o reino. - Sei que vai ser assim, mãe! Mas, os poucos minutos que eu conseguir estar com o príncipe, já me tornará mais feliz – explicou a filha. No dia do concurso, lá estavam realmente as jovens mais belas e ricas de todo o país, com belas roupas e joias espetaculares. A jovem Ziana, também lá estava.

O príncipe não perdeu tempo. - Darei a cada uma de vós, uma semente. Aquela que, daqui a três meses, me trouxer a mais bela flor, será eleita para minha esposa e futuJULHO.AGOSTO.2016 A flor da honestidade por MANUELA SIMÕES Infância ra rainha do reino. Ziana, cuidava com muita ternura e paciência da sua semente. O tempo passava e nada surgia no seu vaso. Fazia de tudo para que algo surgisse daquela sementinha. À medida que os dias passavam, Ziana ficava cada vez mais triste, pois via o seu sonho perder-se para sempre.

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Última

Página 203 min

Caldas da Rainha: uma mão-cheia de formações O Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha já está a divulgar as datas de uma série de cursos que propõe à população da região com a oferta de participação grátis. É sempre aos sábados e as formações propostas tocam assuntos como o atendimento no centro espírita, como falar em público, o passe espírita, como esclarecer entidades espirituais e, claro, mais extenso, pois vai de setembro a maio, o curso básico de espiritismo.

Os mais pequeninos estão em primeiro lugar: o grupo infanto-juvenil que inclui crianças a partir dos seis anos de idade funciona aos sábados das 15h00 às 16h30. Inicia a 4 de junho e termina em 27 de agosto. As demais formações vão nestes períodos: «O passe espírita» decorre de 24 de setembro a 19 de novembro; «Como palestrar» vai de 26 de novembro a 28 de janeiro; «Como doutrinar Espíritos» vai de 4 de fevereiro a 25 de março; «Saber fazer atendimento no centro espírita», de 1 de abril a 20 de maio.

Todos estes iniciam às 17h00 e terminam às 18h15. O curso básico começa em 24 de setembro, das 15h00 às 16h15. Porto: CECA inicia Grupo Infanto-juvenil em setembro O Departamento Infanto-juvenil do Centro Espírita Caridade por Amor informa que estão abertas as inscrições para crianças e jovens participarem ativamente no estudo da doutrina espírita. Esta participação faz-se mediante o estudo, o debate e a investigação em grupo, de temas de interesse dos participantes (adaptados às suas idades) e de carácter universal.

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