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Literatura / Vídeo Julho.agosto.2016

Jornal de Espiritismo nº 77 · Julho 2016Página 176 min

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LITERATURA / VÍDEO JULHO.AGOSTO.2016 Notáveis casos de Chico Xavier Estamos perante um pequeno livro que nos relata cerca de 40 episódios da vida extraordinária de Francisco Cândido Xavier. Vários desses episódios já são conhecidos, pois também foram testemunhados por pessoas que conviveram com o saudoso e inolvidável mineiro de Pedro Leopoldo. Editado pela GEEM – Grupo Espírita Emmanuel no corrente ano – 2016 – diz-nos Caio Ramacciotti na sua apresentação: «O livro nos traz oportunos depoimentos do autor em sua longa convivência com Chico Xavier» e «Os seus relatos são singulares pela simplicidade com que o Chico no-los ofereceu, por meio do agradável texto do autor».

Se estes casos não tivessem sido registados pelo Dr. Oswaldo de Castro (odontólogo, cirurgião plástico e homeopata), no presente livro, muito dos factos da vida do médium seriam desconhecidos dos homens e teríamos perdido para sempre a oportunidade de os conhecer. Esses episódios biográficos são muito importantes para sabermos mais sobre a mediunidade impressionante de Chico, mas sobretudo conhecermos a grandeza do seu carácter, que se manifestava nos mais singelos gestos para com o próximo.

Informamos que Oswaldo de Castro foi um dos médicos de Chico Xavier, hoje com 92 anos, que nunca se quis expor ou promover, trabalhava discretamente no silêncio. Temos estes testemunhos graças a solicitações reiteradas dos amigos, nomeadamente de Nena Galves. Os testemunhos de Oswaldo são também um subsídio necessário para conhecermos melhor a vida e a mediunidade do então jovem Waldo Vieira (1932-2015). Waldo foi colega e amigo de Oswaldo, quando ambos estudavam medicina na Universidade de Uberaba.

E foi o Waldo que o apresentou a Chico Xavier em 1959, ano em que Chico chegou a Uberaba. Desde esse ano, Oswaldo, manteve sempre contacto com o abnegado médium até ao seu desencarne em 2002. O Dr. Oswaldo e sua esposa Terezinha, hoje já desencarnada, com Chico e Waldo, iniciaram as sessões de desobsessão da Comunhão Espírita Cristã, de que foram regulares participantes até se mudarem para São Paulo. Em São Paulo, por orientação do abnegado médium, foi um dos fundadores do Centro Espírita União (CEU) dirigido por Nena e Francisco Galves.

Ficamos a saber que Chico sofreu terrivelmente, da próstata por causa dum tumor que lhe dificultava a micção, e também em paralelo duma hérnia inguinal, de longa data. Em Agosto de 1968, fez em simultâneo duas cirurgias no Hospital de Santa Helena, São Paulo, com a presença e colaboração do cirurgião Oswaldo de Castro. Vamos apenas registar alguns episódios no hospital, relatados pelo seu médico que nos demonstram a inusitada e grandiosa mediunidade de Francisco Cândido Xavier, bem como a sua grandeza moral.

Quando chegou ao quarto onde ficaria instalado, Chico descreveu aos amigos mais íntimos a visão de equipamentos dispostos nos quatro cantos do quarto, que tinham finalidades diversas para benefício dos doentes e que segundo o espírito de Bezerra de Menezes, foram o resultado das preces feitas em favor do doente que o antecedeu. No período pós-operatório, foram mantidos aparelhos fluídicos-espirituais com a finalidade de assepsiar o ar do quarto até à retirada da sonda.

Nessa altura o Chico chorava muito, não de dor física, como esclareceu aos amigos preocupados, mas de comoção, pois os Espíritos faziam fila para visitá-lo, o que o emocionava muito. Tal facto mostra - -nos o respeito e a reverência que os Espíritos tinham pela pessoa do médium de Pedro Leopoldo, agora de Uberaba. Antes de deixar o hospital, fez questão de percorrer as suas dependências para cumprimentar todos os doentes e funcionários.

Por onde passava deixava o ambiente impregnando de perfume. E, Oswaldo diz-nos que Chico fez questão de ir à cozinha despedir-se e agradecer a todos os empregados. Estes são alguns dos «Notáveis casos de Chico Xavier». Texto: Carlos Alberto Ferreira A linguagem do coração As primeiras cenas do filme apresentam - -nos uma adolescente de 14 anos divertida com o jogo do esconde-esconde que a luz do Sol parece fazer com as folhas das árvores.

Quando o plano se afasta, percebemos que ela brinca amarrada em cima de uma carroça conduzida por um homem que a olha de uma forma ternurenta mas angustiada. A menina é Marie, o homem é o seu pai, um humilde artesão incapaz de educá-la ou descobrir uma forma de estabelecer uma ligação à filha, surda e cega de nascença. Como último recurso para evitar colocá-la num asilo, decide entregá-la aos cuidados do Instituto Larnay, onde uma ordem de freiras católicas dirige uma escola para meninas surdas.

Só que Marie surge perante a madre superiora como um desafio educativo que se encontra para além das possibilidades da escola e, desconfiando das capacidades mentais de alguém que parece um selvagem, rejeita cuidar dela. Só que a irmã Marguerite, sensibilizada por aquela alma aprisionada na escuridão e no silêncio, consegue demover a intransigência da madre superiora e responsabiliza-se pela educação de Marie. Contra todas as expectativas, munida de uma generosa dose de resiliência e depois de muitos meses sem progressos visíveis lutando de peito aberto contra o desânimo e a frustração, Marguerite consegue estabelecer uma ligação emocional com a menina para depois ensiná-la a usar o toque e a linguagem gestual como forma de comunicação.

Parece que vemos Marie nascer no momento em que descobre que era possível fazer-se entender e dar expressão a tudo o que sentia à sua volta, inclusive emoções e sentimentos, libertando - -se do isolamento a que tinha estado confinada durante 14 anos. Este filme francês é baseado na história real de Marie Huertin, nascida no último quarto do século XIX e que é conhecida como a Helen Keller Francesa. Helen Keller, autora e ativista Americana, tornou-se a primeira mulher cega e surda a obter um curso superioro percurso deste extraordinário ser humano, juntamente com a sua professora surda Anne Sullivan, está imortalizado no belíssimo filme de 1962 “The Miracle Worker” que arrebatou dois óscares da academia.

Ao contrário de Helen, que perdeu os dois sentidos aos dois anos devido a escarlatina ou meningite, Marie nasceu cega e surda, e com a preciosa persistência da irmã Marguerite foi capaz de superar as suas limitações aprendendo braile, história, geografia, sabia costurar e tricotar, e tornou-se professora de outras meninas cegas e surdas que passaram a frequentar o Instituto Larnay, que ainda hoje se encontra em atividade.

A esmagadora maioria da informação que o ser humano recebe é visual ou auditiva. A privação destes dois sentidos cria condições muito limitativas não apenas para a comunicação mas também para o desenvolvimento do indivíduo. Dependente de alguém para poder sair do seu isolamento e conseguir organizar o meio que está à sua volta, o tacto passa a ser o sentido que é necessário desenvolver para sentir e compreender o mundo mas também para se manifestar e interagir com ele.

O realizador Jean-Pierre Améris criou um filme inspirador, de uma beleza e sensibilidade raras, que, tendo o tema da deficiência como veículo condutor da história, trata sobretudo da capacidade que a alma humana detém para ultrapassar as barreiras ciclópicas que a impedem de expressar a sua luz. Ainda mais além, é um filme que mostra as distâncias abissais que o amor pode percorrer na esperança de conseguir fazer brilhar as luzes ofuscadas pela escuridão, pelo silêncio mas principalmente pela ignorância e preconceito.

No amor não existem impossíveis porque nas palavras de Paulo o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Foi o amor de Marguerite, a sua disponibilidade para ir além de si mesmo, que libertou Marie. É essa potencialidade do amor que se encontra representado no título bastante feliz que o filme teve em Portugal: “A Linguagem do Coração”. Título Original: “Marie Huertin” Realizado por Jean-Pierre Ameris Elenco: Isabelle Carre, Ariana Rivoire, Brigitte Catillon França, 2014 – 93 min.