Opinião Avc
Jornal de Espiritismo nº 77 · Julho 2016Página 163 min
espiritual? Habituado às idiossincrasias diárias da vida de um médico psiquiatra, que praticamente já vira de tudo, lá disse à auxiliar que podia mandar entrar o doente com o AVC, mas que aquele assunto não era da sua especialidade. A enfermeira e a auxiliar insistiam que aquele AVC era “diferente”, pois tinha sido visto pelos médicos da urgência e, o doente não tinha nada, e quando é assim… manda-se para o psiquiatra!
Joaquim contava as horas para sair do serviço, e regressar ao aconchego do lar, revendo os familiares. O doente lá entrou e, depois de examinar atentamente o registo do doente, de facto, aparentemente o doente não tinha qualquer patologia, pensava Joaquim. No entanto, o mesmo aparentava todos os sinais de um AVC. Um familiar que o acompanhava, disse que o doente costumava ter umas situações “esquisitas”, “Sabe Dr. parece daquelas coisas, que se fala por aí…” Joaquim perguntou que coisas: “Aquelas coisas de médiuns… já ouviu falar?
Às vezes dá-lhe estas coisas, sabe, sr. Dr..?!”. “Hummm….” Foi a resposta discreta do médico. De repente, fez-se-lhe luz. Joaquim, além de médico, psiquiatra, era um entendido e estudioso da mediunidade (percepção extra-sensorial) e da doutrina espírita (ou espiritismo), e as coisas começaram a compor-se no seu “puzzle” mental. Joaquim apercebeu-se que o doente apenas era um médium deseducado, sem conhecimento da faculdade que possuía (o sexto sentido ou mediunidade) e daí os achaques e as doenças-fantasma.
Joaquim, apercebendo-se pela sua sensibilidade espiritual, da presença de um ser já falecido junto do doente, começou a falar com o ser falecido (embora o doente e o familiar pensassem que o médico falava com o doente) e, foi mentalmente pedindo ajuda espiritual para aquele ser que teria falecido com um AVC, e cujos sintomas o doente, médium sem saber, captava telepaticamente. Passados uns dez minutos de evangelização e apelo à confiança em Deus, o doente foi recuperando a lucidez, até voltar ao “normal”, enquanto o falecido com um AVC era recolhido pelos amigos espirituais do médico (guias ou anjos da guarda).
Joaquim informou o doente que estava tudo bem e que podia ir para casa, que não se preocupasse e, pese o alívio do mesmo, o seu familiar não se conformava: “Mas, óh, Sr. doutor, não lhe vai receitar nada?”. Joaquim, habituado à psicologia do quotidiano ripostou: “Olhe, a sr.ª acredita naquelas coisas, que falou há pouco?” “Acredito sim, sr. Dr.” “Então pegue no seu familiar e leve-o a um centro espírita, na localidade X, que lá ele pode ser ajudado, pois o caso dele não é físico mas espiritual”.
O sorriso da esposa do doente (como que dando a entender, até que enfim que alguém me entende) foi o melhor pagamento que o médico poderia ter naquela noite chuvosa. E enquanto o doente e a esposa se despediam no meio de mil agradecimentos, Joaquim, médico, psiquiatra, espírita desde pequeno, ficava a meditar em quanto sofrimento haverá por esse mundo fora, com pessoas, cuja doença é apenas serem portadoras de uma faculdade espiritual (mediunidade, sexto-sentido ou percepção extra-sensorial) que os psiquiatras que não conhecem o espiritismo, rapidamente etiquetam de psicóticos e encaminham para um internamento desnecessário.
Naquela noite, Joaquim tinha tratado o seu primeiro “AVC espiritual”, pensava ele, sorridente e, agradecendo a Deus a oportunidade de ser útil àquele ser humano. Estamos em crer que, um dia, os currículos de medicina contemplarão as faculdades espirituais do ser humano, a fim de não serem catalogadas como patologias. Que venha depressa esse tempo… Texto: José Lucas Mais um dia de trabalho para o Joaquim, no Hospital central onde é psiquiatra.
O dia chuvoso trouxe-lhe poucos doentes. Entretanto, foi chamado para ver um doente que tinha entrado nas urgências com um AVC (acidente vascular cerebral). Perguntava-se ele: “Para um psiquiatra?“ foto ulisses.com.pt O doente lá entrou e, depois de examinar atentamente o registo do doente, de facto, aparentemente o doente não tinha qualquer patologia, pensava Joaquim. No entanto, o mesmo aparentava todos os sinais de um AVC.
