Crónica
Jornal de Espiritismo nº 77 · Julho 2016Página 153 min
Viver bem significa ter saúde social, corporal, biológica e espiritual. Pois todos esses estados são atingidos a partir de um controlo das nossas emoções e do desenvolvimento dos bons pensamentos. Uma investigação recente, realizada por Candace Pert, PhD. em Biologia, autora do livro ”Moléculas da Emoção”, revelou que os pensamentos de amor, harmonia e felicidade fortalecem o nosso sistema imunológico, dando razão ao dito popular segundo o qual quem ama não adoece.
Se é verdade que esse dito não pode ser considerado absoluto, é certo, por outro la - -do, que o sentimento de amor, fortalecendo o nosso sistema imunológico, nos torna mais fortemente protegidos contra os inimigos externos, vírus e bactérias causadores de doenças. Por outro lado, o cultivar ódios, ressentimentos, inveja, nos enfraquecem por debili-tarem nossas defesas. No dizer de biólogos da última geração como Bruce Lipton, o que mais nossas célu-las temem são as nossas emoções.
Assim, sabemos que guardar mágoas e ressentimentos é uma das mais eficientes maneiras de ficarmos presos a quem nos magoou. É tudo o que não queremos. Se desejamos o mal de alguém, se cultivamos ódios, esses pensamentos talvez che - -guem a seu alvo. Mas o certo, é que antes de chegar ao outro, se chegarem, terão transitado por nós, causando efeitos altamente negativos. Assim, perdoar, no sentido de esquecer, melhor ainda, deletar ofensas passadas é uma forma inteligente de libertação.
Boas emoções produzem alimentos saudáveis para nossas células. Daí sabermos que a crença nos nossos objetivos, o foco nos nossos ideais, são o caminho da realização. São a maneira de produzir energia capaz de nos fazer chegar a nossos ideais. Somos os arquitetos de nosso destino e a causa do nosso sucesso. Criá-lo é questão de saber usar a nossa mente, de acreditar nas nossas possibilidades. Devemos crer para cri-ar.
Podemos observar em Jesus, Gandhi, Kardec, para citar três mensageiros do alto, o conselho para que ódios sejam esquecidos e que o perdão seja cultivado. Pois a ciência contemporânea, confirmando o evangelho, demonstra à sociedade que perdoar faz bem à alma, que recalcitrantes teimam em negar, mas, também, ao corpo, que nenhum materialista nega. Sabe-se, hoje, pelos modernos experimentos da neurociência, que o nosso cérebro físico não sabe a diferença entre o que vêeo que recorda.
Interessante observar que nós sabemos e buscar em “O Livro dos Espíritos” e nas obras de Francisco Cândido Xavier, quem é esse que sabe além do que o cérebro alcança. Sabemos ser o espírito. Mas, retomando o aspeto puramente biológico, como o cérebro não distingue vivên-cia atual de recordação, é consabido que ao recordarmos acontecimentos negativos, esta - -mos ativando as mesmas redes neurais que se conectaram por ocasião da ocorrência do fac-to.
Estamos produzindo os mesmos químicos que a vivência do momento lembrado gerou a partir do nosso hipotálamo. Se forem lembranças boas, estaremos beneficiando as nossas células com esses pro - -dutos. Se forem más, envenenando-as. Faz sentido bioquímico o dito popular: Recordar é viver. Nesse sentido, podemos lembrar o filósofo Séneca que, em carta a um amigo, conta que havia estado bastante doente e o que, sem dúvida, constituiu o fator fundamental da sua recuperação foram as lembranças de agradáveis conversas que haviam entretido.
Somos os arquitetos de nosso destino e a causa do nosso sucesso. Criá-lo é questão de saber usar a nossa mente, de acreditar nas nossas possibilidades. Devemos crer para criar. Paralelamente, lembranças ruins trazem efeitos destruidores. Então, por questão de busca da saúde orgânica, devemos perdoar. Esse perdoar é mais do que apagar, pois apagar é um verbo associado a coisas anti - -gas como o uso da borracha. Apagar deixa marcas que podem ser revividas.
A linguagem moderna nos ensina que perdoar é deletar; excluir do campo da cons-ciência e, quando o nosso computador a serviço de nossa evolução nos perguntar: “Deseja esvaziar a lixeira?” A resposta adequada será sempre “sim”. Pois o maior conhecedor da alma humana que foi Jesus já sabia disso e não por ou-tra razão nos ensinou a perdoar sempre. Perdoar é libertar-se. É um direito à libertação que assiste a quem perdoa e não a quem é perdoado.
Estamos chegando a um importante estágio da nossa evolução em que entendemos que seguir o evangelho é adotar uma atitude inteligente; estudar e entender Kardec é ampli-ar o conhecimento, numa aproximação cada vez maior da verdade que liberta. Por isso, podemos escrever uma nova equação: conhecimento científico + conheci-mento espiritual = sabedoria. Texto: Moacir Lima Amor, perdão e saúde As mais recentes pesquisas, no campo da psicologia e da biologia nos apontam caminhos fáceis para o bom viver.
foto ulisses.com.pt JULHO.AGOSTO.
