Opinião Julho.agosto.2016 (pág. 14)
Jornal de Espiritismo nº 77 · Julho 2016Página 143 min
OPINIÃO JULHO.AGOSTO.2016 Atualmente, os direitos das crianças fazem parte de um código mundial, ético e moral, que todos subscrevem e defendem sem limitações: direito à não discriminação, direito à sobrevivência e desenvolvimento, a ter opiniãoea participar, direito a defender tudo o que lhe diga respeito e se considere do interesse superior da criança (CDC ). É pois com entusiasmo que assistimos a verdadeiras mudanças no paradigma educacional, vendo surgir alguns projetos inovadores, tanto no âmbito da pedagogia espírita, como na criação de novas escolas cujos métodos de ensino visam o desenvolvimento integral da criança, físico, psicológico, social e espiritual.
Porém, uma preocupação emerge célere: e os direitos daqueles que por envelhecimento do corpo, reconhecem que a morte se aproxima? Que direitos lhe têm sido preservados? Que preocupações e que propostas tem o movimento espírita para acudir aos milhares de idosos imersos na solidão da antevisão da morte? O aumento da expectativa de vida e a diminuição da mortalidade fez com que o índice de envelhecimento , em Portugal, duplicasse de 65,7% em 1990 para 138,6% em 2014 (dados: INE – PORDATA).
A população portuguesa é maioritariamente idosa. E se do ponto de vista económico e social isto é causa para inquietação, para nós espíritas, há uma missão a cumprir no esclarecimento e no atendimento urgente! O envelhecimento deve proporcionar o despreendimento gradual do corpo, constituindo-se numa oportunidade para reflexão sobre a vida imortal. E o espiritismo, que veio comprovar a imortalidade da alma através dos factos mediúnicos, que não é mera filosofia, mas sim uma lei da natureza, deve promover junto dos que “aguardam pela morte” atividades que contribuam para o seu amadurecimento espiritual.
Sem dúvida que o espiritismo pode e deve contribuir para mudar a sociedade, tratando de intervir junto dela com escolas, centros de atendimento, encontros, debates e outras atividades que acompanhem, esclareçam e preparem os mais velhos para a morte. Tal como há escolas preocupadas com a educação das crianças e jovens, preparando - -as para mais uma vida corporal, assim deveriam existir escolas que eduquem e preparem os mais “vividos” para a morte do corpo físico.
Escolas ou locais de encontro que possam ir além da transmissão de conhecimentos espíritas (essenciais, por certo, no combate ao medo da morte), mas que sobretudo colaborem para a autoavaliação de cada um, proporcionando momentos de serenidade, com a certeza de um futuro que para todos é de esperança e felicidade. A educação espírita dos que se aproximam, pela idade avançada ou pela doença, da morte do corpo físico vai facilitar o retorno daqueles à pátria espiritual.
Vai contribuir para desmistificar certas crenças religiosas que Educação para a morte e os direitos dos adultos permanecem enraizadas na nossa sociedade, do céu e do inferno como locais eternos de purificação ou expiação. Crenças que impedem os homens de se libertarem dos dogmas do passado e encararem com responsabilidade que cada um é o seu próprio juiz, que cada um pode alcançar uma vida de beatitude, bastando para isso a perseverança em dominar as suas paixões e manter a fé no amor divino.
Sem dúvida que o espiritismo pode e deve contribuir para mudar a sociedade, tratando de intervir junto dela com escolas, centros de atendimento, encontros, debates e outras atividades que acompanhem, esclareçam e preparem os mais velhos para a morte. Não é a velhice, um momento no tempo da vida física, a época onde os adultos se encontram mais sós, mais afastados da vida social, menos próximos das famílias? E por isso, não são estes a precisar da nossa intervenção mais urgente?
Quem melhor que nós, espíritas, para defender o direito de morrer com dignidade ? Quem estará mais preparado para promover, juntos dos esquecidos pela sociedade materialista, os direitos: ao conhecimento, à qualidade de vida (ter casa, alimentação e cuidados saúde, tais como se defende para as crianças), à afeição e ao carinho dos semelhantes, a partir para a vida espiritual, sabendo que os esperam familiares e amigos que já partiram?
Unamo-nos em defesa da vida, seja ela na infância, seja ela no final de uma encarnação! Vamos colaborar para a promoção dos direitos dos velhos! Poderemos atingir essa idade, e nenhum de nós, espírita ou não, consegue “partir” e ser feliz, sem se sentir amado. Texto: Regina Figueiredo foto ulisses.com.pt Com o aparecimento do espiritismo surgiu uma nova visão da educação. A educação espírita é já reconhecida como um enorme contributo para a evolução do ser, seja na transmissão de conhecimentos dentro do centro espírita, seja na aplicação de uma nova pedagogia nas escolas.
