Opinião Julho.agosto.2016
Jornal de Espiritismo nº 77 · Julho 2016Página 135 min
OPINIÃO JULHO.AGOSTO.2016 James: menino e piloto No entanto, esse trabalho de pesquisa, documentação e análise não ficou estagnado com a sua morte física em 2007 já que ele inspirou outros investigadores a seguirem-lhe o exemplo. Alguns dos mais conhecidos são o psicólogo Erlendur Haraldsson da Universidade da Islândia, a professora Canadiana Antonia Mills que realizou um estudo profundo sobre a reencarnação em diversas culturas indígenas americanas e o pedopsiquiatra Jim Tucker que lidera o laboratório “The Division of Perceptual Studies” da Escola de Medicina da Universidade de Virginia nos EUA desde o ano de 2014.
Esta unidade de investigação do departamento de psiquiatria da Universidade de Virginia foi fundada pelo professor Ian Stevenson em 1967 com o objectivo de “investigar de uma forma científica e empírica os fenómenos que sugerem o carácter limitado das atuais ideias científicas sobre a natureza da mente ou da consciência, bem como a sua relação com a matéria”. As principais áreas de pesquisa deste laboratório são as experiências de quase-morte e sobretudo o legado de Ian Stevenson nas crianças que se recordam das suas vidas passadas.
Da análise já efetuada, Jim Tucker encontrou alguns padrões sobre o fenómeno: As crianças que se lembram das suas vidas passadas têm entre 2 e 6 anos e em 60% dos casos são do sexo masculino; Cerca de 70% delas afirmam que a sua morte física na vida anterior ocorreu de forma violenta ou devido a causas não naturais quando ainda eram relativamente novosmédia de idade 28 anos; 20% das crianças revelam marcas de nascimento ou deformidades físicas que são compatíveis com marcas ou ferimentos provocados durante o acontecimento que levaria à sua “morte” na vida anterior; 90% afirmam que na vida passada seriam do mesmo sexo que na atual; A média de tempo que medeia entre a “morte” e o renascimento é em média de 16 meses; 20% das crianças relata memórias do tempo entre vidas.
Um dos casos estudados por Jim Tucker foi publicado na edição de Março de 2016 da revista científica Explore. Trata-se do caso do menino James Leininger, uma criança Americana nascida em 1998 e que aos 2 anos começou a revelar um fascínio por aviões. Tudo parece ter começado numa visita que realizou com o pai a um museu de aviação perto de Dallas, no Texas. James ficou tão encantado pelos aviões, sobretudo pela colecção da II Guerra Mundial, que desenvolveu uma fixação por tudo o que a eles se relacionava.
Revelava um conhecimento tão aprofundado sobre alguns dos detalhes dos aviões da II Guerra Mundial que corrigiu o narrador de um documentário do Canal de História que tinha identificado de forma errada o tipo de um avião Japonês. Não demorou muito para que o menino começasse a ter pesadelos em que gritava: “Avião destruído! Avião em Chamas!” Em conversas com a mãe, James relacionava esses episódios com algo que teria acontecido no passado, em que o seu avião teria sido abatido pelos Japoneses e despenhara-se em chamas.
Afirmava que outrora também se chamara James e que havia pilotado um “Corsair” - um avião desenvolvido durante a II Guerra Mundiale que levantara voo a partir de um barco chamado “Natoma”. O seu pai procurou na internet por este navio e descobriu que existira um pequeno porta-aviões “USS Natoma Bay” e que tinha estado estacionado no Pacífico durante a II Guerra Mundial. James recordava-se também de um outro piloto que voava ao seu lado chamado Jack Larsen e ao ver um livro sobre a lendária batalha da conquista da ilha de Iwo Jiwa pelos aliados indicou de pronto que tinha sido naquele lugar que o seu avião se havia destruído.
O pai entrou em contacto com um grupo de veteranos do “Natoma Bay”, participou mesmo em algumas das reuniões que realizavam, descobrindo alguns detalhes que coincidiam de forma surpreendente com as informações que filho relatara: O único piloto daquele navio que morrera durante a batalha de Iwo Jima tinha sido um rapaz de 21 anos da Pensilvânia chamado James M. Huston, Jr; O seu avião despenhara-se da forma como James descrevera; Jack Larsen era o piloto que voava a seu lado na formação de voo no dia em que foi abatido.
No artigo científico citado, Tucker refere que “este caso envolve um rapaz que apresenta um comportamento que sugere que estava a recordar um momento traumático. Para além disso, ele demonstrava um conhecimento sobre eventos ocorridos há cinquenta anos quando ainda não era nascido. A precisão das suas declarações foram documentadas ainda antes da personalidade anterior ter sido identificada”, o que o habilita para a análise científica realizada.
Depois de percorrer outras possíveis explicações para o fenómeno, tais como fraude, fantasia, conhecimento das informações por vias normais ou mesmo habilidades PSI, Tucker refere: “A documentação no caso James Leininger oferece evidência de que ele tinha uma ligação a outra vida do passado. Sendo assim, a explicação mais óbvia para esta ligação é que ele teria vivido como James Huston, Jr. antes da sua vida atual. Um dos casos estudados por Jim Tucker foi publicado na edição de Março de 2016 da revista científica Explore.
Trata-se do caso do menino James Leininger, uma criança Americana nascida em 1998 e que aos 2 anos começou a revelar um fascínio por aviões. Neste caso, os factos indicam que esta explicação merece consideração séria.” Em conclusão ao seu artigo, Tucker faz o seguinte comentário reforçando a importância da divulgação destes fenómenos: “Os pesadelos e as experiências pós-traumáticas que James apresentou são típicas do comportamento que estas crianças apresentam, mostrando como podem ser difíceis e conflituosas estas aparentes memórias para elas.
Compreender como se pode fazer a integração entre as aparentes memórias com a componente emocional e comportamental que estas crianças revelam pode ser muito útil às famílias, especialmente nas situações em que os pais tendem a rejeitar a possibilidade de uma ligação a outra vida. O conhecimento da existência de casos como o de James, que contêm documentação que sugere uma ligação forte entre os eventos de uma vida no passado e as aparentes memórias que a criança revela, podem ajudar os pais a desvalorizar menos as informações que os filhos lhes dão, tornando - -os mais capazes de os ajudar ao longo desta experiência.
” Por Carlos Miguel Como é sabido, o professor Ian Stevenson foi o grande impulsionador da investigação científica aos casos sugestivos de reencarnação. Ao longo de 14 livros e centenas de publicações em revistas científicas, este psiquiatra americano compilou, com um rigor que lhe mereceu a admiração e reconhecimento dos seus pares, cerca de 3 mil casos de crianças de todo o mundo que se lembravam das suas vidas passadas.
