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Jornal de Espiritismo nº 77 · Julho 2016Página 102 min

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Questão complexa que brota do solo da saúde, a eutanásia foi objeto de uma nota de imprensa gizada pela Associação de Médicos- Espíritas do Norte – pelo interesse despertado, com a devida vénia pedimos licença para a resumir e adaptar ao espaço disponível neste jornal, na certeza de que os leitores encontrarão aqui diversos esclarecimentos que importa reter. foto arquivo Eutanásia: sim ou não ? Esta comunicação resulta de uma reflexão alargada e engloba vários tópicos: introdução, argumentos a favor e contra, o ponto de vista espírita.

Eutanásia de forma simples quer dizer boa morte – ευθανασία: ευ “bom”, θάνατος “morte”. No entanto, a relatividade dos critérios do que seja uma boa morte revela-se até em determinadas culturas e em determinadas épocas. Nas culturas guerreiras, como a dos vikings ou a dos samurais, uma morte boa seria a que sucedia em combate, revestida de honra. Já na Europa da Idade Média a boa morte devia fazer-se anunciar, a fim de que o moribundo pudesse tomar as suas últimas decisões.

De tal forma era temida a morte repentina que podemos ler numa ladainha dos Santos daquela época «De uma morte repentina livrai-nos Senhor». Mas, na época atual, a boa morte é aquela que chega de repente, aquela que chega sem avisar. Na verdade vivemos como se a morte não existisse. Quando deparamos com esta inevitabilidade, não a suportamos e chegamos ao ponto de a querer antecipar. Cria-se assim um paradoxo existencial.

E é nesse contexto que surge o conceito de eutanásia como a morte intencional de um doente, a seu pedido (firme e consistente), através da intervenção direta de um profissional de saúde, pressupondo-se a livre expressão da vontade individual. Esta é, sem dúvida, uma questão controversa, sendo vários os argumentos contra e a favor do ponto de vista bioético. A doutrina espírita, com base nos princípios da existência de Deus, da imortalidade da alma, da pluralidade das existências e da lei de causa e efeito, estabelecendo uma ponte segura entre ciência e espiritualidade, acrescenta importantes argumentos contra a eutanásia.

Argumentos a favor e contra Margaret Battin, professora de Filosofia e professora adjunta de Medicina Interna da Universidade de Utah, nos EUA, debruçou-se sobre esta temática. 1 Através do apanhado que faz neste campo, sublinha que os argumentos a favor e contra a eutanásia divergem basicamente entre dois vetores – o direito de autonomia do ser e o valor da vida humana. Os principais argumentos a favor ligam - -se ao respeito pela autodeterminação da pessoa, bem como ao alívio da dor e do sofrimento, sugerindo na sua origem uma ideia de compaixão.

Por sua vez, os principais argumentos contra espraiam-se entre o caráter inviolável da vida humana, a integridade da profissão médica e o potencial abuso (rampa deslizante). Principais argumentos a favor Embora não concordando, constituindo estes os principais argumentos a favor da eutanásia, consideramos importante referi-los permitindo, assim, uma reflexão mais abrangente e profunda. Há princípios a considerar. Princípio da Autonomia: O artigo 5.

º da Comissão Nacional da UNESCO é invocado nas coordenadas da autonomia e responsabilidade individual: «A autonomia das pessoas no que respeita à tomada de decisões, desde que assumam a respetiva responsabilidade e respeitem a autonomia dos outros, deve ser respeitada». Este princípio de respeito pela autonomia e autodeterminação JULHO.AGOSTO.