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Entrevista

Jornal de Espiritismo nº 77 · Julho 2016Página 94 min

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Da cremação à clonagem À medida que forem sendo respondidas iremos publicando aqui. Desta feita, vamos começar. Nucha escreve estas duas perguntas numa assentada: «Há centros espíritas na Europa, América, África e Ásia? E em relação à cremação, como reage o espírito?». A resposta foi pedida a J. Gomes. Escreveu no e-mail: «Olá, Nucha. Tivemos conhecimento das suas perguntas esta semana e passamos a responder.

Temos informação de que existem associações espíritas sem fins lucrativos, sim, em algum dos países dessas regiões do Globo que refere. Muitas delas existem a falar português. Sabe que o facto de haver emigrantes sobretudo do Brasil eles próprios já espiritas, faz com que se agrupem e venham a aderir outras pessoas que começam assim a estudar espiritismo. Sobre a cremação devemos considerar que é aconselhável aguardar de preferência uns quatro dias antes de cremar.

Nada mais é isto, contudo, que uma estimativa, embora pareça de facto ser consensual entre estudiosos. Isso não quer dizer que todos precisemos desse período de tempo para um desligamento completo do corpo físico quando desencarnamos, como compreende. A questão deste ponto prende-se precisamente com essa questão do desligamento que se liga ao processo de desencarnar. Como sabe somos Espírito e temos corpo espiritual (perispírito) e corpo físico.

O perispírito interage com o corpo físico durante a passagem terrena através de liames fluídicos ou energéticos, conforme prefira dizer, à falta de melhor designação. Isso enseja perceber que as sensações corporais físicas, portanto do corpo material, são captadas pelo sistema nervoso e passam à estrutura perispiritual atingindo depois o Espírito. Se este não estiver num estado de inconsciência, recolhe as sensações.

É aí que a sensação atinge a consciência. Quando desencarnamos, o desligamento dos ditos liames fluídicos que unem o corpo espiritual ao corpo físico processa-se com maior ou menor rapidez, de acordo com o tipo de vida mental habitual do ser em causa e respetivo comportamento no quotidiano. Se alguém tem uma vida centrada em maus hábitos como o alcoolismo ou em pensamentos e sentimentos infelizes como a mágoa, propósitos de vingança, enfim, de inércia espiritual, tudo indica que a dificuldade de se desprender do corpo físico será maior; por outro lado, quem no seu dia a dia tende a pensar bem de outrem, mantém hábitos saudáveis, e se dedica a estender a paz e a alegria, em suma, ao ter uma vida diária mais espiritualizada, terá decerto um desprendimento mais rápido do corpo físico e melhores condições para ver quem o vem ajudar ao chegar ao Plano Espiritual.

Não temos condições de avaliar a consciência de cada um a esse respeito, não adianta inventar, mas percebemos que é ela que vai determinar a rapidez desse desligamento do corpo espiritual. Assim que estiver desligado o corpo espiritual do corpo físico, nessa altura deixará de haver ecos de sensibilidade ou sensações que possam ser canalizadas ao Espírito, logo, este não sofrerá com o que se fizer ao corpo físico que abandonou, como um casaco gasto pelo uso.

Isso não quer dizer que em certos casos não perdurem sensações de frio/calor, de sede/ fome, dor de estômago, condicionamento temporário de faixa etária, etc. durante um certo tempo em que o Espírito desencarnado nem se apercebe que já está no Plano Espiritual. Isso é outro assunto, que encontra explicado em «O Livro dos Espíritos» de Allan Kardec (item: Sensações e perceções dos Espíritos). Não temos condições de avaliar a consciência de cada um a esse respeito, não adianta inventar, mas percebemos que é ela que vai determinar a rapidez desse desligamento do corpo espiritual.

Armanda deixou a indagação escrita: «Como é vista a problemática pouco esclarecedora da clonagem? O que é um clone?». Endereçada ao mesmo expositor, este redargue: «No fundo, um clone é um gémeo idêntico. Por outras palavras, é uma fotocópia genética de um organismo já existente. Ou seja, clonagem é a produção de indivíduos geneticamente iguais. Isto ocorre na natureza sem intervenção humana por exemplo no caso daqueles pequenos pulgões que vemos na primavera no caule das pequenas plantas dos jardins.

A Wikipédia diz assim sobre clonagem – “É um processo de reprodução assexuada que resulta na obtenção de cópias geneticamente idênticas de um mesmo ser vivo – microorganismo, vegetal ou animal”. Pensa-se que na natureza, por razões evolutivas, se terá tornado um processo claramente minoritário pelas desvantagens que apresenta. Exemplificamos: imagine que há uma modificação natural do meio que se torna agressiva à sobrevivência da espécie em causa.

Como a genética de todos é idêntica, extinguem-se todos de uma vez. Por outro lado, na reprodução sexuada, que incrementa a diversidade genética, há grandes possibilidades de alguns dos indivíduos conseguirem adaptar-se ou resistir à modificação, sobretudo se esta for temporária. A outra questão que levanta penso que se prende entre clonagem e reencarnação, estamos certos? Neste caso, o corpo físico do indivíduo é igual a outro, mas o processo reencarnatório é diferenciado, como acontece com qualquer um de nós.

Outro item que emerge tem a ver com a clonagem em humanos. Do meu ponto de vista não faz sentido por várias razões. O processo experimental traria muito sofrimento com experiências mal sucedidas. Depois, com tantas crianças a necessitarem de bons pais adoptivos, como se compreende gastar tanto dinheiro em investigação sobre clonagem que poderia ir para outros fins, como as doenças que ainda não são controladas pelo ser humano como Parkinson ou Alzheimer?

Esperamos ter ajudado no que pretendia saber, mas se assim não foi por favor insista. Se não souber responder irei perguntar a quem possa saber». foto arquivo JULHO.AGOSTO.