Breves Julho.agosto.2016
Jornal de Espiritismo nº 77 · Julho 2016Página 65 min
BREVES JULHO.AGOSTO.2016 Jornadas de Cultura Espírita: As duas faces da vida Conta-se uma dúzia de jornadas dentro do título destas linhas, mas decerto ninguém ia imaginar nas primeiras que a 12.ª edição do evento, em 23 e 24 de abril de 2016, ultrapassaria pela positiva todas as expectativas: o Centro de Congressos de Caldas da Rainha encheu a sua capacidade de acolhimento de meio milhar de pessoas, e contou com a presença dos presidentes do Município local e da Federação Espírita Portuguesa.
Não foi preciso acordar ninguém: os temas estavam vivos, mas Moacir Lima na conferência de abertura do início da tarde de 23 de abril, sábado, afastou véus e, entre outras dicas valiosas, referiu, por exemplo, a teoria das cordas. Professor universitário e escritor com várias obras publicadas dentro do compromisso singular entre ciência e espiritualidade, estruturou com lucidez o discurso na física quântica e explicou como “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, contra a corrente da sua época, embora com outras palavras, antecipou conceitos modernos da filosofia da ciência.
Questão n.º 38 – “Faça-se luz!”, e fez-se. A expressão foi repescada pelo expositor que expôs com leveza um tema difícil tornando - -o compreensível sem esquecer de juntar aquele tipo de humor que concentra a atenção. Tudo no universo é basicamente luz e segundo a dita teoria o que conhecemos deriva de mínimos filamentos de luz com uma dúzia de dimensões descritas pela matemática. Pode conferir isto e muito mais quando lhe aprouver num canal da ADEP no Youtube, onde com excelente som e imagem, a equipa de cobertura do evento, incansável, ajustou tudo para esse efeito.
Já antes tinha emergido uma outra surpresa: havia seguido convite também em anos anteriores, mas nunca acontecera – o presidente do Município de Caldas da Rainha, Tintas Ferreira, que obviamente não é adepto do espiritismo mas é igualmente inteligente – demonstrou ser uma pessoa esclarecida e não hesitou em comparecer para saudar o evento e dar as boas-vindas ao auditório preenchido por gente oriunda do Norte e do Sul do país, sem esquecer Brasil e Espanha.
Seguiram-se outras conferências dadas por, entre outros, médicos, psicólogos, militares, um jurista e gente da educação, numa fieira de subtemas que ligaram a vida desde o prelúdio do berço à velhice, e depois à vida espiritual. Gláucia Lima e Alexandra Gomes, Paulo Mourinha e Maria Paula Silva, Felipe Menezes e Vasco Marques, J. Gomes, Luténio Faria e algumas daquelas palavras especiais de João Xavier de Almeida, próximo do fecho do certame.
Num ritmo apurado, tiveram lugar duas teatralizações muito especiais, por Edmundo Cezar, cujo talento transbordou do palco do moderno Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha, o que se reviu com o grupo Canções do Bem, de Goiás, Brasil. Edmundo disse que, para ele, «participar das Jornadas foi uma experiência singular e única. A atividade que desenvolvemos com os alunos da Escola Técnica, as visitas aos centros espíritas e a oportunidade de participar com a arte em um evento construído com tanta responsabilidade e organização, fortaleceu minhas esperanças de que é possível fazermos “movimento espírita” com simplicidade e alegria», e adianta no seu sotaque de além-mar: «Para mim, que vinha de um outro país, foi marcante rever corações e almas simpáticas e descobrirmos que fazemos parte de uma mesma família.
Não são frases tentando produzir efeitos, são sentimentos que tenho em mim. Minha experiência artística foi colocada a serviço do evento e fiquei feliz e agradecido por ter contribuído. O carinho, atenção e palavras de incentivo que ouvi agora fazem parte do património que levo, daquele que os ladrões não conseguem roubar». Afirma também que sentiu «algumas diferenças que me fizeram pensar. O formato de uma mesa num lado do palco em que é conduzido o evento, os palestrantes sendo recebidos com carinho mas sem excessivo e desnecessário “glamour”, exposições oferecidas ao público em tempos curtos, temas relacionados e percorrendo um caminho coerente, cuidado com simplicidade na ambientação, nos diapositivos, poucos são os eventos no Brasil que conseguem resultados semelhantes».
Conclui: «Fico na torcida para que o evento cresça em números e qualidade, mas não perca em simplicidade. Quem sabe um maior número de participação de jovens, atividades anteriores ao evento nas cidades próximas e arte cada vez mais presente, contribuindo na sensibilização dos corações?». Outra forma de arte, como referimos ligou - -se à música. Ana Rita fala pelo Grupo Canções do Bem: «A participação do Canções do Bem nas Jornadas pode ser resumida na palavra emoção.
Um forte sentimento que nos moveu a ir em busca do ideal de levar para outras terras as canções que falam do bem e do amor. Quando nos apresentamos buscamos transmitir, levar ao outro, o sentimento do amor, do belo, do bem e ao mesmo tempo sentirmos isso daqueles que estão ao nosso redor, sejam encarnados ou desencarnados. Por isso podemos traduzir nossa participação pela palavra emoção». Sublinha: «Não podemos deixar de falar sobre o carinho e apreço com que fomos recebidos e esperamos ter correspondido às expectativas da organização e participantes das Jornadas.
Tivemos a oportunidade de apresentar o repertório do CD Canções do Bem, especialmente preparado para ser lançado durante o evento, em dois momentos que intitulamos «Amor à vida» e «Amor além da vida». Terá sido uma experiência diferente ou igual a outras que têm tido no Brasil? Ana Rita afirma: «Foi um momento ímpar, uma vez que o Canções do Bem nunca se havia apresentado fora do Brasil. Aquilo que fizemos nas Jornadas, naquele belíssimo auditório é o mesmo que oferecemos aos pequenos e humildes centros espíritas nas periferias de nossas cidades brasileiras.
É a mesma entrega espiritual, o mesmo cuidado e compromisso com a nossa expressão artística e estética. Entretanto, cada momento é único e especial. Assim foi para nós as Jornadas. Algo inigualável e carregado de novas percepções e aprendizagens. Trouxemos para o Brasil, muito mais do que levámos». Este evento contou com o apoio da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), da Federação Espírita Portuguesa (FEP) e da Associação Brasileira de Artistas Espíritas (ABRARTE).
foto organização Espiritualidade Um dia tive Um sonho/ilusão Que o mundo deixaria De ser uma prisão… “Isso é impossível”, Diz o cidadão… Só porque não conhece A reencarnação… A vida feliz É uma realidade! Existe ao vosso lado, Na Espiritualidade… Porquê tanta surpresa Acerca da imortalidade Quando, afinal, Ela é a realidade? Tal acontece, Por desconhecimento, Dos que vivem na matéria, Sem este conhecimento. Essa é a tarefa, Dos espíritas d’agora, Divulgar a imortalidade, Pela Terra fora… Em “breve” chegará, O dia, em que tal realidade Não será mais Uma novidade… Ide, quais marinheiros Dos mares d’outrora, Divulgar ao mundo Essa verdade… agora!
Mas, não basta Apenas divulgar, É preciso também, Tolerar, amar!
