78 — índice de conteúdos

Literatura / Vídeo

Jornal de Espiritismo nº 78 · Setembro 2016Página 175 min

Partilhar
Idioma

LITERATURA / VÍDEO Identidade e presença de Camilo Castelo Branco em “Do País da Luz” SETEMBRO.OUTUBRO.2016 O nosso milagre Esta obra de João José Santos é um ensaio dedicado à saudosa e inolvidável Yvonne do Amaral Pereira, a quem designa por «Princesa das letras espíritas». É um trabalho bilingue esperanto-português de 2011, prefaciado por Manuela Vasconcelos, historiadora do Movimento Espírita luso, com particular incidência no médium de Loures, Fernando de Lacerda (1865-1918) e na sua obra «Do País da Luz», dividida em quatro volumes.

Este estudo resultou do trabalho apresentado por João Santos no Seminário Fernando de Lacerda, promovido pela União Espírita da Região de Lisboa, realizado a 27 de Março de 2011, no auditório da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa. O livro está dividido em cinco capítulos e centra-se em três personalidades: Camilo Castelo Branco (1825-1890) [espírito], Silva Pinto (1848-1911) [amigo de Camilo] e Fernando de Lacerda [médium].

Silva Pinto, um dos introdutores da es - “Mamã, eu quero morrer! Quero ir para o céu onde não existe dor”. As palavras da pequena Anna Beam, sobrepostas à sua imagem deitada na cama do hospital contorcendo-se com dores terríveis no abdómen perante a impotência da mãe, Christy Beam, são um garrote que nos aperta o peito devagarinho e nos fazem quase desaparecer da frente do ecrã. Ainda com cinco anos, Anna tinha sido diagnosticada com pseudo obstrução intestinal, uma doença rara e incurável que afeta a motilidade gastrointestinal, causando dores de estômago fortíssimas e limitações severas na alimentação, sendo potencialmente fatal ao longo do tempo.

A família procurou todo o tipo de ajuda médica possível mas os tratamentos pouco amenizaram os sintomas da doença. Frequentadora assídua de uma Igreja Batista, Christy sentiu a sua fé na bondade de Deus ser abalada, até quase desmoronar, ao não ser capaz de minorar o sofrimento da filha. Alguns dias após o desabafo no hospital, desafiada pela irmã mais velha a repetir as antigas subidas à velha árvore do jardim, Anna sofreu uma queda aparatosa para dentro de um orifício do enorme tronco e ficou inconsciente.

Foram necessárias cerca de cinco horas para os bombeiros conseguirem retirar a menina de dentro da árvore, sobrevivendo a uma queda de nove metros apenas com algumas escoriações e com uma novidade espantosa revelada nos dias seguintes: cola realista-naturalista em Portugal, foi um grande amigo de Camilo Castelo Branco enquanto encarnado. Nos anos de 1905 e 1906, como fruto da maldade e imperfeição humana, cai nas “garras da indignação, da revolta e do rancor, que certamente culminariam no suicídio”.

Camilo cometera o suicídio em 1890 quando, em Vila Nova de Famalicão, pôs termo à existência com um tiro de pistola. No Mundo dos Espíritos, vê o drama em que vivia Silva Pinto, e vai fazer tudo para o despertar e alertar, para jamais enveredar pelo caminho que ele Anna não apresentava quaisquer sintomas da sua doença e passou a levar uma vida normal. A menina contou aos pais que durante o tempo de inconsciência dentro da árvore, esteve no céu, conversou com Deus e que, perante a intransigência dela em não regressar, Deus dissera-lhe que ela tinha de voltar para junto da família porque ia ficar curada.

Realizado pela Mexicana Patricia Riggen, este filme é baseado no livro “Milagres do Céu” de Christy Wilson Bean, que narra a história real da filha Anna, curada inexplicavelmente de uma doença fatal após uma experiência de quase-morte. É um filme simpático que vale a pena ser visto pela sua história incrível mas, também, por ser simples e despretensioso, já que, sendo passado numa fé particular, não pretende restringir mas abranger todos os géneros de espiritualidade de modo a poder difundir de próprio seguira.

Para tal, Camilo Castelo Branco (espírito) vai junto do grande médium português Fernando de Lacerda, desconhecedor do drama em que vivia Silva Pinto, como única solução para evitar que o mesmo cometesse idêntico erro, a mesma catástrofe que ele executara. As cartas mediúnicas de Camilo para o seu amigo Silva Pinto são uma preciosidade da literatura espírita, que convidamos a ler e a estudar. São um contributo robusto para nos provar a imortalidade da alma.

uma forma mais eficaz uma mensagem universal. Por definição, um milagre é um acontecimento sobrenatural que contraria as leis da natureza. Nos seus princípios doutrinários, o Espiritismo não suporta explicações sobrenaturais para qualquer fenómeno no Universo. Todos os acontecimentos ocorrem de acordo com leis naturais imutáveis que não abrem excepções para a sua aplicação. Se ainda não é possível explicar racionalmente a ocorrência de determinados fenómenos, o avanço da ciência permitirá um dia compreender as leis ocultas que os regulam.

Assim, pela perspetiva religiosa e funcional do termo, o Espiritismo defende que os milagres não existem. No entanto, uma frase atribuída a Albert Einstein faz pensar num outro sentido um pouco mais abrangente da palavra: “Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que Duas décadas mais tarde, Camilo Castelo Branco (espírito) serve-se de outro grande médium, Yvonne do Amaral Pereira (1900-1984), para nos legar a obra mediúnica mais importante do século XX segundo Francisco Cândido Xavier ─ «Memórias de um Suicida».

Nesse impressionante livro, Camilo faz várias referências ao grande médium português. Quem gosta da literatura portuguesa e da sua história, não deve deixar de ler e estudar este ensaio do esperantista João Santos. Por Carlos Alberto Ferreira não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre. Eu acredito nesta última.” Mesmo estando abrangidos por leis naturais, o mundo, a vida e o Universo são tão extraordinários que parecem espantosos milagres criados pelo génio do mais lúcido artista.

Mas não é menos milagre que um simples coração se ilumine com o sorriso de uma criança ou que se derreta por um beijo de ternura, que alguém escolha a bondade em vez do egoísmo, que surja uma mão inesperada que nos oriente no caminho ou que um colo quentinho que nos console em momentos de desilusão, que se troque o comodismo pela solidariedade, que a honestidade prevaleça mesmo em prejuízo próprio, que o amor tenha força para vencer o ódio mais doentio.

A vida surpreende-nos com alguns acontecimentos extraordinários que, não havendo explicações para a sua ocorrência, são apelidados de milagres. Mas não será também importante despertarmos para o sem número de “milagres” que nos são oferecidos em cada instante, sentindo-nos gratos e abençoados pelo privilégio de os viver? Título Original: “Miracles from Heaven” Realizado por Patricia Riggen Elenco: Jennifer Garner, Kylie Rogers, Martin Henderson EUA, 2015 – 109 min.

Por Carlos Miguel IMPRESSÃO DIGITAL Amélie Gabrielle Boudet, esposa de Allan Kardec, foi incansável apoio nas tarefas a que o marido se lançou, tornando-se-lhe verdadeira secretária, deitando mão a toda a correspondência que Kardec recebia, e incentivando-o sempre no cumprimento da sua missão?