Opinião Novas de Alegria
Jornal de Espiritismo nº 78 · Setembro 2016Página 163 min
9 Continuando as reflexões em torno do “Pai Nosso”, luminoso paradigma de oração legado por Jesus no Sermão do Monte, chegamos à terceira das suas sete proposições ou petições: “Faça-se a tua vontade, assim na Terra como no Céu”. Decorre ela naturalmente da segunda (“venha o teu reino”), pois aspirar ao reino do Pai envolve adesão ao império da Sua vontade, que sabemos santa e sábia mesmo quando a não entendemos.
Submetermo-nos a ela é, pois, salvaguarda segura de paz e bem-estar. A do Pai, somente a d’Ele, é na Terra e no Céuaúnica vontade autêntica, porque necessariamente harmonizada com o todo universal. Cabe - -nos buscar entendê-la e afinar por ela a nossa própria “vontade”, não acatando cegamente as vontadinhas e caprichos do ego imediatista, frívolo, enganador. Pedindo que se faça na Terra a vontade do Pai tal como no Céu, pedimos para o nosso plano material (temporal e temporário) uma harmonia modelada na realidade espiritual imutável, eterna, fomentadora dum evoluir mais lesto rumo à plenitude dos nossos destinos.
Nos últimos trinta anos de vida e atividade científica, Albert Einstein ansiava por descobrir uma “teoria de tudo” (GUT – grand unified theory), uma equação final englobando as grandes equações parcelares estabelecidas ou ainda por estabelecer, que, ao resolverem uma dada questão, suscitam outras novas. Vivamente oposto às teorias de “acaso” cósmico, o génio de Princeton afirmou uma vez: “O que quero saber é o pensamento, o desígnio, de Deus – o resto são pormenores”.
Eis um judicioso enunciado daquilo que, a seu modo, a ciência também procura e (queira, ou não, o seu contumaz paradigma materialista) logrará mesmo descobrir e formular matematicamente: a vontade de Deus assim na Terra como no Universo, assim na instável dimensão temporal como na eternidade soberana e imutável. Então florescerá a “Terra Prometida”, o orbe inteiro em regeneração para novo ciclo de desenvolvimento da sua Humanidade, depurada dos renitentes ao processo evolutivo (que deverão repetir alhures no Universo o “programa letivo” em que não diligenciaram pelo devido aproveitamento).
Por muito que nos pareça doer ou constranger a “vontade de Deus”, importa aceitá-la. Não de modo abúlico, passivo: aceitá-la ativamente, como provinda de Deus (portanto visando sempre o nosso bem e progresso). Provinda de Deus, não diretamente de deliberação Sua mas da harmonia da Criação, cujas leis imutáveis o nosso agir tenha imprudentemente afrontado. Colocando a mão no fogo certamente nos queimaremos: não por castigo divino mas por imperativo de leis naturais que conhecemos.
Se caluniarmos, invejarmos, cobiçarmos, ferirmos… também aí desafiamos leis do Universo, e logicamente acionaremos mecanismos reparadores, sob as formas de “azar”, adversidade, algum tipo de enfermidade ou mal - -estar, etc. É sempre cada um de nós (não os outros, nem a “má sina” ou quaisquer fatores externos) a causa das nossas dores e padecimentos; parecem-nos um mal ou infelicidade, mas são na realidade um fator expiatório sustentador da ordem e equilíbrio cósmicos; se aceites como tal, ativa e inteligentemente, sem revolta, renderão uma melhor superaçãoea extinção dos dispositivos condicionantes que, ao procedermos mal, nós próprios alojáramos inconscientemente no psiquismo.
Resistir ao que chamamos mal é dar-lhe força, mostra-o a Natureza. Há, sim, que aceitar e utilizar em nosso benefício a sua dinâmica, como observamos por exemplo nas artes marciais. Os insistentes ensinamentos do Bom Pastor (não resistir, “dar a outra face”, perdoar setenta vezes sete vezes…) não são pieguice nem frouxidão. Antes supõem lucidez, grande força interior, uma hábil noção e utilização das leis naturais do Universo, “desejoso” de harmonizar todos e cada um de nós no equilíbrio do seTodo.
Procurar autoconhecimento e autorrenovação é caminho para a paz e bem-estar dessa harmonização. Pai de infinito amor, hossana, louvores à harmonia e beleza da tua vontade; dignifiquemo-nos, os teus filhos estremecidos, como sábios instrumentos dela. João Xavier de Almeida foto arquivo Se caluniarmos, invejarmos, cobiçarmos, ferirmos… também aí desafiamos leis do Universo, e logicamente acionaremos mecanismos reparadores, sob as formas de “azar”, adversidade, algum tipo de enfermidade ou mal-estar, etc SETEMBRO.
