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Janeiro.fevereiro.2017 (pág. 9)

Jornal de Espiritismo nº 80 · Outubro 2017Página 95 min

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Consultório JANEIRO.FEVEREIRO.2017 Disforia de género e Espiritismo – 2.ª parte Damos agora exemplo de um caso de disforia de género em que podemos identificar uma situação na qual um homem apresenta um caso de disforia de género tardia, identificando-se com o sexo oposto (feminino). Refere que aos 40 anos, descobriu que se sentia verdadeiramente realizado como mulher. Caso Pedro Pedro (prefere ser chamado de Adriana), masculino, de 43 anos de idade, proveniente dos Açores, refere que há 3 anos descobriu a sua verdadeira identidade sexual, após uma decepção amorosa (com uma mulher).

Gradualmente foi sentindo necessidade de se vestir como mulher. “No dia em que me assumi como uma mulher foi uma verdadeira libertação”, sic. Apresenta-se vestido de mini-saia, maquilhado e calçado com sabrinas. Traz uma mala de senhora e senta-se delicadamente”. Refere que não é um homossexual, sente aversão pelo seu sexo, evita tocar nos seus órgãos genitais porque sente nojo. Iniciou tratamento hormonal para inibição da testosterona e pretende fazer cirurgia para reatribuição de género.

Refere que não se sente atraído por homens e quer ser uma mulher e deseja ter uma relação sexual normal com outra mulher. Nesta situação, é claro que o Pedro possui uma disforia de género (é um transexual), mas não é um homossexual, não se sente atraído pelo mesmo sexo. Logo, nem todo transexual é homossexual, como nem todo homossexual é transexual, está mal adaptado com a sua identidade sexual. Tanto no adolescente quanto no adulto masculino com disforia de género existem duas trajetórias principais para a disforia de género: 1.

De início precoceinício na infância e persiste na adolescência e idade adulta; 2. Intermitenteexistindo um período em que se identificam como homossexuais, seguidos de disforia de género. Uma grande percentagem de homens com início tardio são casados com mulheres e auto-identificam-se como lésbicas. No sexo feminino, o curso mais comum é de início precoce, sendo o início tardio menos comum do que nos homens. Pode haver um período intermitente em que se identificam como lésbicas, porém com a recorrência o médico é procurado para tratamento hormonal e cirurgia de reatribuição de género (transformação sexual).

Na compreensão espírita, o perispírito, na condição de modelo organizador biológico, determina a forma física necessária à reencarnação do Espírito, estando presente a partir da fecundação na determinação do sexo biológico, que não ocorre por obra do acaso, mas seguindo um projeto ou mapa cármico do espírito reencarnante. A doutrina espírita relaciona muitos casos de Disforia Sexual/Transexualismo, quando existe um desequilíbrio entre a polaridade sexual do Espírito fruto da suas várias experiências reencarnatórias e a polaridade sexual do corpo.

Hernâni Guimarães Andrade assevera que os desvios da sexualidade poderiam encontrar nas leis da reencarnação o principal fator causal para a sua explicação, relacionando ainda o número de vivências numa determinada polaridade sexual e o período intermissivo, isto é, o período compreendido entre uma e outra encarnação, se muito curto ou não, considerando que, quanto mais curto, mais o Espírito estará predisposto a trazer as características da sua última vivência.

No livro “Vocêea Reencarnação”, cap. IX, refere também outras circunstâncias responsáveis pelos desvios, como: “promiscuidade em cárceres, internatos, conventos, comunidades místico-religiosas, iniciações esdrúxulas” (…). Raul Teixeira refere que incontáveis são as raízes da homossexualidade, de entre as quais a influência educacional, interferência cultural, imposição da curiosidade, pressão obsessiva de entidades vingadoras, questões expiatórias relacionadas com vivências do passado, nomeadamente a culpa pela prática degenerada ou abusiva da sexualidade; mau uso do sexo na relação com terceiros causando constrangimentos.

(in “Desafios da Vida Familiar”, p. 29). Neste trabalho o foco do nosso interesse é o indivíduo Transexual, aquele que padece da disforia de género, e Hernâni G. Andrade refere que (…) “O Transexual sugere fortemente a intervenção da reencarnação em sua ocorrência”. Joana de Ângelis refere a possibilidade da ação psíquica dos pais, mais predominantemente da mãe, interferirem na formação genética em elaboração do Espírito reencarnante através de um desejo muito forte de um filho de um determinado género, alterando a herança espiritual na expressão da anatomia do futuro filho reencarnante.

(in “Dias Gloriosos”, cap. 14). Neste caso, haveria a possibilidade do psiquismo dos pais modificar a genética do Espírito reencarnante. Exemplo: Uma mãe que deseja muito um filho homem, mas o Espírito reencarnante tem uma polaridade feminina; devido a psicocinesia da mãe sobre o embrião, forma-se um corpo masculino com uma polaridade feEm continuação da edição anterior deste jornal, Gláucia Lima, médica psiquiatra e estudiosa da doutrina espírita, conclui o seu texto sobre este tema.

minina, podendo daí surgir possibilidade de desvios da sexualidade por incongruências nas polaridades. Outra possibilidade ainda surge da circunstância dos filhos possuírem um desejo inato de agradar os pais, assumindo inconscientemente o género desejado pelos eles, quando o género anatómico não é o correspondente ao psicológico. Exemplo: Pais que sempre desejaram ter um filho, mas só tiveram raparigas. Nasce uma terceira rapariga que acaba por se assumir uma Maria-rapaz, podendo dar-se o caso de ocorrer a homossexualidade com ou sem disforia de género.

Como lidar com este problema? E como orientar o jovem ou o adulto com disforia sexual? O Espírita aprende a aceitar-se a si próprio e a amar-se a si mesmo como condição para aprender a amar o próximo, no processo de aceitação das suas limitações, de aprendizagem e de evolução. Lidando com o sofrimento como necessário à evolução. Desenvolvendo ferramentas para combater o desejo de fuga à vida pelos vícios, pela droga ou até mesmo pelo suicídio, nomeadamente aprendendo a lidar com a sua dificuldade identitária, utilizando mecanismos de defesa reestruturadores para o seu ego como a compensaçãoea sublimação.

Conclusão O papel do Centro Espírita (CE) é de acolher, orientar, educar e ajudar a combater o estigma, o preconceito, aceitando a diferença e ajudando estas pessoas em sofrimento a encontrarem um equilíbrio e harmonia nas suas vidas, sem julgamentos, ou tão pouco com a pretensão de determinar o que é certo ou errado, digno ou não, pois cada um saberá o que é melhor para si segundo a sua consciência e necessidades evolutivas.

Como doutrina de liberdade, orienta que somos responsáveis por zelar pela nossa saúde, pelo nosso corpo, desenvolvendo a nossa auto-estima, a autoaceitação, mas, também, ensina a lei de causalidade e de retorno, consoante, o uso da nossa própria liberdade. Os desvios da sexualidade, “(…) são na maioria do casos, consequência do uso indevido das energias sexuais no pretérito do indivíduo (…)”, “seria de excelentes resultados que o ser encarnado fizesse um esforço para crescer na direcção do infinito, realizando a experiência da sublimação, que se traduz numa decisão consciente e amadurecida da aplicação das suas forças em outros campos de atividade”.

“Sexo e Consciência”, Divaldo Franco por Fernando Lopes. Referências bibliográficas: Adolescência e Vida – Divaldo Franco; Constelação Familiar – Divaldo Franco; Desafios da Vida Familiar – Raul Teixeira; DSM IV 5.ª Edição; Dias GloriososDivaldo Franco; Educação e Vivências – Raul Teixeira; Encontro com a Paz e com a SaúdeDivaldo Franco; O Pensamento de Emmanuel – Martins Peralva; Sexo e Consciência – Divaldo Franco; Sexo e Destino – Francisco C.

Xavier; Triunfo Pessoal – Divaldo Franco; Sexo e Consciência – Divaldo Franco; Sexo e Destino – Francisco Cândido Xavier; Vocêea Reencarnação – Hernâni Guimarães Andrade.