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Crónica Março.abril.2017

Jornal de Espiritismo nº 81 · Abril 2017Página 142 min

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CRÓNICA MARÇO.ABRIL.2017 Espírito vs. Matéria foto ulisses.com Ora, este comentário, resultante de reflexão sobre as respostas às questões acima numeradas, abre espaço a mais reflexões e alguma especulação filosófica, que Emmanuel, Espírito, no livro homónimo, quando trata precisamente sobre “Espírito e Matéria (cap. XXXIII – Quatro questões de filosofia)” sintetiza da seguinte forma: “É lícito considerar-se espírito e matéria como estados diversos de uma essência imutável, chegando-se desta forma a estabelecer a unidade substancial do Universo.

” Então, a dicotomia antitética espírito-matéria é apenas aparente, depreendendo-se o mesmo na nota do Codificador. Quanto mais se avança no conhecimento melhor se percebe que não há solução de continuidade do espírito para a matéria e da matéria para o espírito. Veja-se o caso do perispírito, que liga dois polos, mas fá-lo porque ele próprio participa, na sua constituição, dos dois estados. Quando hoje a Tradição Hermética eaFísica Quântica se encontram a postular que Matéria-Espírito e Energia-Consciência são polaridades de uma coisa única, isso em primeiro lugar destitui a matéria do lugar soberano que vinha ocupando, e em segundo introduz o espírito como presença determinante.

Esta nova abordagem permite uma aproximação ao pensamento de Emmanuel, pois se matéria é energia e espírito é energia, ambas as coisas são estados diversos da mesma substância. É como diz o Codificador: mostram-se-nos distintas e daí o considerarmo-las independentes. Na verdade, porém, não passarão das duas faces da mesma moeda. O dualismo, portanto, é uma questão de percepçãoenão de realidade última. A realidade última será, por isso, a unidade (ou monismo).

Vejamos também: quando dizemos que o mal é ausência de bem, implicitamente negamos o dual e afirmamos o uno (que ainda não se realizou); o mesmo se utilizarmos este tipo de discurso para as dicotomias (frio igual a ausência de calor; escuro igual a ausência de luz; etc., etc.) O Codificador termina a referida nota da seguinte maneira: “Vemos, acima de tudo isso, uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que delas se distingue por atributos essenciais: é a esta inteligência suprema que chamamos Deus.

” E agora, como complemento ao parágrafo anterior e a todo o artigo, citamos, sem comentar, Nicolau de Cusa (1401-1464): “A multiplicidade do mundo é uma exteriorização (explicatio) de uma possibilidade (complicatioconcordância dos contrários) que existe na unidade infinita de Deus, que é infinito acto e infinita possibilidade. Deus é Um, é todo ser possível, é o que não é e o que é, é o que quer que se afirme ou se negue.

” e “A razão, por sua vez, não pode atingir a síntese dos contraditórios, pois só progride através de verdades naturalmente evidentes. A mística ealógica não podem se confundir, porque a unidade antecede a alteridade, e a razão é inferior ao entendimento, pois ela não consegue conceber a unidade actualmente.” Por A. Pinho da Silva No comentário às questões sobre “Espírito e Matéria” (questões 21 a 28 de “O Livro dos Espíritos”) o Codificador diz-nos que “(…) Elas se nos mostram como sendo distintas, daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo.

” Quanto mais se avança no conhecimento melhor se percebe que não há solução de continuidade do espírito para a matéria e da matéria para o espírito.