Entrevista
Jornal de Espiritismo nº 81 · Abril 2017Página 82 min
A entrevista pode ser vista na totalidade em vídeo, em três partes, no canal do Youtube da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), na série de entrevistas intituladas «À conversa com…», mas como a maioria dos leitores deste jornal não terão ainda visto, retirámos algumas perguntas e respostas e ficam aqui, preto no branco. Estúdio improvisado, premido o botão de início de gravação, as indagações sucederam-se… – Allan Kardec compilou a Doutrina Espírita há 160 anos.
Pelo que conhece no mundo inteiro, a divulgação espírita está dentro do previsto pela Espiritualidade? Divaldo Franco – Quando Allan Kardec esteve entre nós, uma das suas primeiras preocupações foi dizer-nos que deveríamos Divaldo Franco: Espiritismo, centros e sociedade fotos arquivo divulgar o Espiritismo por todos os meios ao nosso alcance. Considerando-se, à época em que a doutrina veio a lume, no século XIX, a divulgação, na atualidade, está dentro dos melhores padrões da tecnologia, porque em toda a parte onde se forma um centro espírita, de imediato há um interesse muito grande pela sua divulgação.
Divulgação, porém, baseada na certeza da imortalidade da alma e da sua comunicação com a criatura humana. Do ponto de vista filosófico, este é um dos passos mais audaciosos do pensamento, porque desta forma, o Espiritismo matou a morte. Desaparecendo essa desintegração nuclear que constitui a criatura humana, nós temos agora a imortalidade como um grande desafio a conquistar. MARÇO.ABRIL.2017 – No futuro, o Espiritismo será mais um modelo de seita religiosa ou uma força cultural esclarecida, a exemplo do trabalho que Kardec fez em meados do século XIX?
Divaldo Franco – Allan Kardec foi um pensador ímpar, com carácter de cientista, porque teve a coragem de enfrentar esse mundo desconhecido como se tivesse descoberto o microscópio das partículas menores, ou o telescópio para as grandes partículas. Ele utilizou a mediunidade, uma faculdade inerente à criatura humana, desde o primata hominídeo, para poder demonstrar a sobrevivência da alma. Teve um cuidado rigoroso ao fazer as suas observações, havendo escrito, ipsis literis, que “O Espiritismo marcha ao lado da ciência, mas não se detém onde a ciência pára.
Quando a ciência provar que estamos errados num ponto, abandonaremos esse ponto e seguiremos a ciência“. Até hoje, quando a Física de Newton, a chamada Física linear, foi colocada naturalmente em plano secundário perante a Física das probabilidades, vemos que, diariamente, a Física penetra no campo da energia, confirmando em essência a doutrina espírita. Há uma tendência masoquista na criatura humana, de ser infeliz.
Mesmo quando tudo está bem, há uma certa insegurança, a perda do bem-estar devido a situações lamentáveis. Sendo orador do XXIII Congresso Espírita Nacional, em Calpe, Espanha, que decorreu nos dias 4, 5 e 6 de dezembro do ano passado, José Lucas teve ensejo de entrevistar Divaldo Pereira Franco, decerto o orador espírita mais conhecido no mundo.
