Entrevista Março.abril.2017
Jornal de Espiritismo nº 81 · Abril 2017Página 98 min
ENTREVISTA MARÇO.ABRIL.2017 Se passarmos à análise da Química molecular, e penetrarmos nas áreas profundas da moderna Psicologia, entre os anos de 1975 e 1977, na Califórnia, uma equipa de psiquiatras, psicólogos e fisiologistas, radiologistas, patrocinados por um eminente estudioso checoslovaco, na sua época, hoje Checo, constataram a imortalidade da alma, utilizando as mesmas ferramentas e aparelhos ultra-sensíveis, para poderem criar a Psicologia Transpessoal, que acredita nos fundamentos básicos do Espiritismo.
Neste momento, um jovem psicólogo, o Dr. Júlio Peres, tem levado médiuns a universidades americanas, para pesquisas da faculdade, em estados alterados de consciência. Depois de grandes aparelhos, em São Diego, terem levado o indivíduo a conquistar a consciência cósmica, através da doutora e pesquisadora Dhana Zoar, verificamos que estamos a um passo de constatar, através dos que vêm de fora, a imortalidade, enquanto damos os equipamentos para a comprovação da mediunidade.
Quando estudiosos da NASA estiveram em Uberaba, no Brasil, para examinarem cientificamente Chico Xavier, levaram detetores vibratórios da aura e, constataram que todos temos em média uma irradiação de 2 cm. Chico Xavier era portador da irradiação a 25 metros de distância. O médium José Arigó conseguia realizar dezenas de cirurgias graves por dia, sem anestesia, sem nenhuma precaução de natureza infeciosa, muitas vezes de olhos fechados e vendados, utilizando-se de uma faca infetada e, os casos eram imediatamente constatados, porque se dava a hemóstase, não havia infeção, havia naturalmente a cicatrização em menos de três minutos, provando a imortalidade da alma.
– Desde a década de 1970 que Divaldo vem a Portugal. Houve um crescimento do movimento espírita. Na sua opinião, foi crescimento quantitativo ou qualitativo? Divaldo Franco – Desde a primeira vez em que estive em Portugal, em 15 de agosto de 1967, fiquei impressionado pela coragem dos espíritas portugueses, porque estavam vivendo os dias amargos da ditadura, ditadura que recolhia ao cárcere aquele que se denominasse maçon, comunista ou espírita.
Quando tive a oportunidade de proferir a conferência na Rua da Fé, na casa de Arganil, foi-me dado o direito de apresentar-me. Estavam cerca de 400 pessoas sedentas de informação. Denominei esse período como o período subterrâneo das investigações e da cultura portuguesa. Eduardo de Matos publicava uma revista, “Fraternidade”, através da qual, de maneira discreta, divulgava o Espiritismo. Isidoro Duarte Santos publicava “Estudos Psíquicos” e, através de uma linguagem científica, da Metapsíquica e da Parapsicologia nascente, ele procurava infundir nos corações humanos a crença.
O movimento espírita português, nas catacumbas, veio a lume assim que a ditadura se transformou, quando Portugal, depois da Revolução dos Cravos, adquiriu os seus direitos de cidadania, paradoxalmente começando a sua democracia através do comportamento comunista, o que não deixa de ser bastante contraditório. Vejo que o movimento espírita português progride, em quantidade e em qualidade. Afinal, do ponto de vista filosófico, tudo aquilo que cresce em quantidade, perde em qualidade.
Se derramamos um líquido sobre uma superfície, ele espalha-se e não tem profundidade. Se colocamos num vasilhame, mantém o volume, mas tem profundidade. Observando o que vem acontecendo em Portugal, especialmente depois deste congresso mundial que vivenciámos (8.º CEM, em 2016, Lisboa) e que eu considero, em qualidade, o melhor a que já assisti (e assisti a todos, com excepção apenas da Guatemala), vemos que há um interesse muito grande.
Excepções, problemas, dificuldades – em que área não existem? Aliás, é muito saudável discrepar, porque isso dá-nos a ideia de liberdade de comportamento. Posso asseverar que Portugal, segundo as minhas observações, é o país com o maior número de espíritas militantes, em qualidade e em quantidade, depois do Brasil. – No tempo da ditadura, Divaldo foi considerado “persona non grata” por ter recebido uma psicografia ditada pelo Espírito de Monsenhor Alves da Cunha, em que previa o banho de sangue que viria no pós-revolução em Angola.
Quer relatar alguma situação caricata ou engraçada, que tenha passado em Portugal, antes de ser proibido de entrar no país? Divaldo Franco – Tive muitas situações, porque o Espiritismo era visto como bruxaria, e recordo-me de um lugar perto de Viseu, uma aldeia chamada Encoberta. A reunião foi marcada para a meia-noite, porque dessa forma não chamava a atenção das pessoas. A futura sogra do nosso querido e devotado coronel Costeira, abriu as portas da sua casa, correu riscos, pois ela era médium.
As pessoas começaram a chegar às 23h00; às 24h00 cheguei eu para efetuar a conferência. Igualmente noutras cidades, as reuniões eram feitas de uma maneira muito especial. Eram normalmente em residências muito frequentadas, ou em lugares que não chamassem a atenção. Na cidade de Santarém, tivemos a oportunidade de realizar o nosso trabalho no quarto de uma costureira. Num momento, quando eu disse uma frase de efeito, as pessoas levantavam as mãos e abanavam-nas.
Fiquei chocado. Não tinha a menor ideia do que fosse. O gesto repetiu-se várias vezes. Ao terminar a conferência, perguntei ao amigo Casimiro o que significava e, ele disse: “Bem, como não podemos aplaudir com barulho, isto é um aplauso.” Achei “sui generis” e muito peculiar. – Na mensagem de Joanna de Ângelis, de 2006, intitulada “A grande transição”, ela refere que viriam convulsões sociais e geológicas inimagináveis.
Poderemos colocar a questão de terramotos que afetem centrais nucleares na Europa, por exemplo ou noutro local? Divaldo Franco – Baseio-me no sermão profético de Jesus, Marcos, 13, quando Jesus, olhando o templo de que se orgulhavam os próprios companheiros, estabeleceu que não ficaria pedra sobre pedra, que não fosse derrubada. Não é importante que os outros nos tratem bem. É indispensável que tratemos bem os outros.
Atravessando o vale de Cédron, os discípulos perguntaram: “Diz-nos, quando acontecerão essas coisas”? Ele, então, apresenta o sermão profético, que é o dos mais belos, ao lado do Apocalipse. Pelo facto de ser participante do cristianismo, acredito que tudo aquilo quanto esmiuçou, aconteceu, e algo mais acontecerá. Acredito que seremos vítimas de uma grande convulsão. Quando os norte-americanos falam sobre a grande falha entre Los Angeles e São Francisco, é perfeitamente lógico: vai acontecer, o problema é saber quando, e também em toda a Terra.
As grandes falhas que estão a ser preenchidas lentamente, e que resultam nos tsunamis, desde o terrível tsunami nos países asiáticos, estão previstas na própria Geologia. O nosso Globo é ainda um planeta em formação. Vemos que, o magma do nosso planeta está num estado de grande exaltação e, de vez em quando, há explosões vulcânicas. Porém, a maior gravidade não é o fenómeno sísmico, mas os gases venenosos que podem ser levados pelo vento e, naturalmente ceifarem multidões, em simultâneo.
– Quem são os Espíritos das pessoas que morrem no mar Mediterrâneo, em busca de uma vida melhor? Divaldo Franco – No campo das deduções e de acordo com o meu pensamento, penso que aqueles que estão hoje, de volta à Europa, são os antigos colonizadores que deixaram, até hoje, a América Latina na miséria. Como foi negado todo o direito aos seus residentes, como aculturaram os selvícolas, destruindo culturas veneráveis, pela Lei de Causa e Efeito aqueles estão retornando hoje à pátria, no estado de miséria, e que ameaçam os próprios países de onde saíram, para, um dia, buscarem a fortuna para o conforto europeu.
Mas, também me recordo dos grandes problemas que estão a acontecer no antigo Levante, graças às tropas muçulmanas. “O Homem é o lobo do Homem” e, verificamos que estamos a transformar este lobo em cordeiro. Como sou optimista, acredito que em breve, o lobo e o cordeiro beberão no mesmo regato, em fraternidade. Já vemos muitas dessas uniões, através da educação que é proporcionada, e vemos isso na Internet, diariamente.
Porque não, na realidade, amanhã? – Existe uma perceção geral, de receio, de que algo de grave vai acontecer em breve. Que dizer sobre isso? Divaldo Franco – As entidades espirituais que por mim se comunicam têm uma visão muito mais profunda. Há uma tendência masoquista na criatura humana, de ser infeliz. Mesmo quando tudo está bem, há uma certa insegurança, a perda do bem-estar devido a situações lamentáveis. Já foram tantas datas marcadas para o “fim do mundo”, que prefiro não acreditar no “fim do mundo”, mas simplesmente no fim de uma Era, tanto geológica como humana, de conflitos e distúrbios, rumo a um mundo melhor.
Muitas vezes são os escombros que nos oferecem as bases de uma nova cultura. Desta cultura amorfa, caracterizada pelo egocentrismo e celebrada pelo individualismo, nascerá uma cultura de solidariedade, de amor, de fraternidade. Já vemos o anteprojeto, nas pessoas generosas e boas. – Nestas circunstâncias, o que é que é esperado por parte da atitude dos espíritas e não espíritas, claro? Divaldo Franco – A resignação dinâmica.
Não poderemos mudar o mundo, mas mudar-nos-emos. Aceitaremos as injunções dolorosas, de uma maneira dinâmica: aceitamos, mas não ficamos com elas. Trabalharemos para mudá-las. Arrancaremos as velhas árvores e colocaremos novas. Utilizaremos o seu tronco, para fazer as mudanças que, serão as mudanças renovadoras da Humanidade. Creio, pessoalmente, na larga existência, na criatura humana, de uma natureza intrinsecamente boa.
As suas tendências, os seus instintos de defesa, na caverna, ainda predominam, mas, é uma questão de tempo, de educação e de paciência. – Uma mensagem final à população mundial, por favor. Divaldo Franco – Acredito que quem ama é feliz. Vale a pena amar. Se por acaso não há uma correspondência, não seja isso o motivo de desalento. Seja você, quem ama. O Sol beija o pântano, com a mesma ternura com que acaricia a pétala de rosa.
Não é importante que os outros nos tratem bem. É indispensável que tratemos bem os outros. Ao invés de lamentarmos o insucesso, aprendamos com ele, a não repetir o erro. Ao invés de nos queixarmos que os outros são maus, façamos uma autoanálise e, observemos se de uma ou de outra forma, não contribuímos para aquele acontecimento funesto ou desagradável. A minha mensagem é de optimismo. Vale a pena viver. Viver é uma bênção de Deus.
A noite tempestuosa cede lugar a uma madrugada de refazimento. Meia-noite e um segundo, da treva densa, já é o amanhecer. Sejamos o amanhecer da Nova Era, e que possamos tornar felizes o mundo, sendo também, por nossa vez, felizes.
