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Literatura / Vídeo

Jornal de Espiritismo nº 81 · Abril 2017Página 176 min

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LITERATURA / VÍDEO Chico Xavier pede licença A luz entre oceanos MARÇO.ABRIL.2017 Regressado a casa depois de combater na I Guerra Mundial, Tom Sherbourne propôs-se para um cargo que ninguém queria: faroleiro de uma ilha remota na costa oeste da Austrália. Abalado pela violência que abraçara e pela crueldade das trincheiras, Tom procurava alguns meses de completo isolamento social que o ajudassem a recuperar a lucidez mental.

Mas o que deveria ser um estágio breve de reabilitação emocional tornou-se em algo mais definitivo e Tom decide casar com Isabel, uma jovem de 18 anos com um espírito jovial e arrebatador por quem se apaixonou no primeiro momento em que a viu numa das suas viagens ao continente. Sozinhos numa ilha perdida entre os oceanos Pacífico e Índico, os primeiros tempos foram de profunda alegria e paixão. Faltava apenas a Isabel a dádiva da maternidade para que a felicidade fosse completa.

Mas o destino tem ideias próprias que nem sempre coincidem com a nossa vontade. Tom e Isabel perdem duas crianças por complicações na gravidez e a mulher tem muita dificuldade para suportar a tristeza, ficando à beira do abismo do desespero. Alguns dias depois da morte da segunda criança, um bote desgovernado dá à costa da ilha com um homem já cadáver e um bebé de apenas alguns meses de vida, uma menina. Isabel exulta com aquele milagre enquanto Tom procura fazê-la entender que precisa notificar as autoridades do sucedido.

Perante as súplicas Livro publicado em Outubro de 1972, pela GEEM – Grupo Espírita Emmanuel. Foi escrito a três mãos: Espíritos, Francisco Cândido Xavier (1910-2002) e Herculano Pires (1914-1979). Os Espíritos deixavam as suas comunicações através da notável mediunidade de Chico Xavier; o abnegado médium remetia as mesmas ao professor Herculano Pires, juntando algumas observações oportunas sobre o conteúdo e o contexto da sua recepção; e, o saudoso jornalista, com a sua cultura invejável, articulava e interpretava o pensamento dos Espíritos à luz da Nova Revelação, publicando o resultado no Diário de S.

Paulo, onde trabalhava, numa rúbrica dominical, intitulada “Chico Xavier pede licença ─ um aparte do Além nos diálogos da Terra”. Registamos um extracto da abertura do livro, feita pelo espírito Emmanuel, onde podemos verificar o grande respeito e confiança que os Bons Espíritos depositavam no emérito jornalista: «Diligenciamos relacionar os comentários inspirados do nosso companheiro ─ o Professor Herculano Pires ─ corporificado no Plano Físico presentemente, guardando responsabilidades na orientação e na divulgação dos princípios kardequianos, por ende Isabel para que fiquem com a criança, Tom enfrenta um dilema de difícil solução: fazer o que é certo ou aquiescer à vontade da esposa, agora em euforia com a bênção de uma filha que lhe havia sido negada duas vezes.

Mesmo perturbado na sua consciência, não tem coragem de contrariá-la e concorda em fazerem daquela criança o seu segredo mais profundo, fingindo perante todos que o bebé é deles. Mas três anos depois, uma verdade se levanta e chega para atormentar aquela decisão do passado: Tom descobre que a mãe da criança está viva e ainda sofre pelo desaparecimento da filha. Deverão continuar a mentir salvaguardando aquele tesouro precioso ou contar a verdade arriscando-se a perder a criança para sempre?

Baseado no aclamado romance homónimo da escritora Australiana M.L. Stedman, o filme “A Luz Entre Oceanos” foi realizado por Derek Cianfrance e tem como atores princargo dos mais expressivos em sua actual reencarnação.» A obra é composta de quarenta capítulos que constituem verdadeiras lições para compreendermos e aprofundarmos o nosso, ainda, precário conhecimento doutrinário. Todo o material resultou daquele trabalho a “três mãos”, como vimos, publicado semanalmente entre 22 de Agosto de 1971 até 21 de Maio de 1972.

O Irmão Saulo ─ pseudónimo utilizado por Herculano Pires ─ refere-se várias vezes aos famosos Dr. Hemendra Nath Banerjee (1929-1985), conhecido como o cientista da reencarnação, e ao Professor Ian Stevenson (1918-2007), director do Departamento de Neurologia e cipais Michael Fassbender (nomeado duas vezes para óscares pelos seus papéis nos filmes “Steve Jobs” e “12 Anos Escravo”), Alicia Vikander (vencedora do óscar de melhor atriz secundária em 2016 no formidável “A Rapariga Dinamarquesa”) e Rachel Weisz (vencedora do óscar de melhor atriz secundária no delicado “O Fiel Jardineiro”).

“A Luz Entre Oceanos” é um filme sedutor, carregado de tensão emocional, que prende o espectador desde o primeiro minuto. A cinematografia é estupenda, as paisagens na ilha são soberbas, a história é intrigante e os actores são de primeira água, com especial destaque para a performance de Alicia Vikander, que dá corpo à personagem de Isabel, e que começando por demonstrar uma delicadeza esfuziante, vai acumulando rancores, conflitos e frustrações tão pungentes que a transformam em alguém completamente diferente.

É um filme que trata de temas como Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Virgínia, E.U.A., cientista que investigou mais de 2.000 casos sugestivos de reencarnação, em todos os continentes do Planeta. Registamos algumas pérolas da sabedoria do emérito Professor, que podemos encontrar na obra: 1ª - «Chico é o exemplo concreto do homem como interexistente, do homem que vive entre duas formas ou planos de existência.

» 2ª - «Kant foi o crítico da Razão, Kardec foi o crítico da Fé.» 3ª - «Viver é condicionar-se à forma biológica terrena, existir é transcender-se, como o demonstram os modernos princípios existenciais.» 4ª - «De todas as calamidades terrestres [exa culpa, o amor, o destino e a perda, mas retracta sobretudo a perturbaçãoeo conflito entre fazer o que é certo e o que nos serve melhor no imediato. Até onde estaremos dispostos a ir para concretizar os nossos sonhos quando a vida nos frustrou tantas vezes essa possibilidade?

As três personagens principais lidam com dilemas morais que as levam à confrontação com os seus limites, precisando escolher entre o amor e o egoísmo, entre o perdão ou a vingança, entre o que serve melhor os seus interesses e o que serve os interesses da criança. Imersos nestas tensões e conflitos em que o filme é fértil, o espectador vê diante de si com esses mesmos dilemas, sentindo-se tantas vezes perseguido pela sedução de abandonar o caminho certo para abraçar aquele para o qual a fragilidade das personagens se inclina.

Essa vulnerabilidade, essa consciência de que em situações semelhantes porventura não faríamos escolhas diferentes e provaríamos das mesmas consequências dolorosas, é um pouco perturbadora. Mas é, talvez, a riqueza mais sublime que o filme nos proporciona. Título Original: “The Light Between Oceans” Realizado por Derek Cianfrance Elenco: Michael Fassbender, Alicia Vikander, Rachel Weisz EUA, 2016 – 132 min. Por Carlos Miguel piações colectivas], o Homem retira-se com mais experiência e mais luz no cérebro e no coração, para defender-se e valorizar a vida.

» 5ª - «Hoje sabemos, pelas pesquisas antropológicas, etnológicas e sociológicas, que nunca houve na Terra um só povo ateu.» 6ª – Em entrevista radiofónica Chico Xavier explicou porque não é possível sabermos onde está um ente querido que desencarnou e que mediunicamente fora obtida informação da sua próxima reencarnação: «Só em casos excepcionais isso pode acontecer, pois a nossa condição evolutiva é ainda adversa a esse esclarecimento.

Os cuidados extremos dos antigos familiares, prejudicariam as provas por que ele deve passar na nova existência.» Da mesma forma ─ a “três mãos” ─ a GEEM ─ publicou mais três livros. São eles: Na Era do Espírito (1973), Astronautas do Além (1974) e Diálogo dos Vivos (1974). Verdadeiros tesouros para todos os que desejam adquirir o conhecimento espírita sem jaça. Nota: Informamos que o livro em pauta já teve, pelo menos, três capas diferentes, conforme as suas edições.

Por Carlos Alberto Ferreira IMPRESSÃO DIGITAL Não existe para os espíritas obrigatoriedade de idas ao centro espírita, pois podemos sê-lo sem frequentar qualquer centro?