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Jornal de Espiritismo nº 84 · Setembro 2017Página 54 min

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Epilepsia e obsessão O termo epilepsia foi utilizado pela primei- ra vez por Avicena (980-1037), médico e filósofo persa, no século XI, e é originário do verbo grego epilambanein que signifi- ca ser tomado, atacado ou dominado, ou seja, trata-se de um verbo que sugere que nesta condição existe uma força externa que provoca a crise. Na Antiguidade acreditava-se que a Epi- lepsia tinha uma origem sobrenatural, fruto da ação de uma divindade ou um espírito diabólico.

No código de Hammurabi e na Grécia antiga, era tida como “doença sagrada”, acreditando-se que os deuses ou demó- nios possuíam o corpo do enfermo, no momento da crise, sendo a manifestação da ira dos deuses nos comícios, daí advin- do o termo “mal comicial”. Logo, desde sempre houve uma relação entre a epilepsia eaação do desconheci- do, do sobrenatural. Entretanto sabemos que qualquer pes- soa pode ter uma crise epiléptica em al- gum momento da sua vida, que pode ser causada por um traumatismo craniano, febre, doenças como meningite ou con- sumo excessivo de álcool, por exemplo, e nestes casos ao controlar a causa os epi- sódios de epilepsia desaparecem, sendo uma perturbação transitória.

A epilepsia é uma doença de base orgânica, mas que pode ser determinada por ação nociva de origem espiritual prolongada. A epilepsia é uma doença do sistema nervoso central (SNC), onde ocorrem in- tensas descargas elétricas que não po- dem ser controladas pela própria pessoa, causando sintomas como movimentos descontrolados (involuntários) do corpo. Hipócrates (460-375 A.C.) , pai da medi- cina, escreveu a respeito da doença qua- tro séculos antes da nossa era, dizendo que a epilepsia não era mais sagrada do que qualquer outra doença, defendendo a sua base orgânica.

Segundo a Liga Internacional contra a Epi- lepsia (ILAE), é definida como uma predis- posição persistente para a ocorrência de crises epilépticas que se caracterizam por um conjunto de sinais e sintomas transitórios secundários a uma ativação anormal excessiva ou síncrona a nível cerebral. Essas crises são divididas quanto à sua apresentação em dois tipos: (a) Focais: Simples; Complexas e Focais com gene- ralização secundária e (b) Generalizadas: Tónicas; clónicas ou tónico-clónicas (mais características); mioclónicas; atónicas e crises de ausências.

As crises de epilepsia são mais conhe- cidas pelas crises convulsivas (tónico- -clónicas), mas, podem também apresen- tar-se de outra forma tal como: perda da consciência; contrações dos músculos; mordedura da língua; Incontinência uri- nária (perda involuntária de urina); con- fusão mental e convulsões clássicas. Podemos aqui descrever alguns mitos em relação à Epilepsia: 1. Não é uma doença contagiosa; 2. De- vemos impedir que o doente engula a Ter epilepsia significa estar obsidiado pelos espíritos?

própria língua, segurando-a; 3. É uma do- ença mental; 4. Não tem cura; e do ponto de vista espírita: 5. T odo Epiléptico está obsidiado e prescinde de terapêutica médica. Definindo obsessão: “É a ação persisten- te que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito di- versos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até à perturbação completa do organismo e das faculdades mentais.

” “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (ESE), Cap. XXVIII. Item 81. No livro “A Génese”, Cap. XIV, Allan Kar- dec adverte que uma obsessão intensa com forte interdependência ente obses- sor e obsidiado, pode gerar lesões or- gânicas através dos fluidos espirituais nocivos para o indivíduo, podendo estas cicatrizes espirituais no perispírito gerar os sintomas epileptiformes, de entre eles as convulsões, nesta ou noutra en- carnação.

Logo, podemos concluir que: A epilepsia é uma doença de base orgâ- nica, mas que pode ser determinada por ação nociva de origem espiritual prolon- gada. Na pergunta 474, Cap. IX, de “O Livro dos Espíritos”, Kardec questiona: “Se não há possessão propriamente dita, isto, é coa- bitação de dois espíritos no mesmo cor- po, a alma pode achar-se na dependên- cia de um outro espírito, de maneira a ser subjugada ou obsidiada por ele, ao ponto de a sua vontade vir a estar, de certa for- ma, paralisada?

” E os Espíritos respondem: “Sim, e são es- ses os verdadeiros possessos; mas fica sabendo que essa dominação nunca se efectua sem a participação daquele que a sofre, quer pela sua fraqueza, quer pelo seu desejo. Frequentemente, têm sido tomados por possessos, epilépticos, ou loucos, que mais necessitavam de mé- dico do que de exorcismo” . Afirmando a necessidade do tratamento médico para os casos de” loucura e epilepsia”, bem como a responsabilidade do obsidiado no processo obsessivo.

* Psiquiatra, Terapeuta com Formação em Terapia Familiar e Abordagem Sisté- mica, Psicodrama; Terapeuta Transpes- soal. (este artigo da Dr.ª Gláucia Lima continua na próxima edição) foto arquivo SETEMBRO.OUTUBRO.