César Lombroso, citando Di Vesne em “Hipnotismo e Mediunidade”, diz que «as curas logradas por Jesus não eram sempre instantâneas, mas demanda- vam, às vezes, a repetida aplicação da sua virtude curativa, revestindo as for- mas de simples fenómeno espiritista.» Confessamos que estávamos acomoda- dos na ideia de que as curas de Jesus eram instantâneas, mas o simples con- siderar desta possibilidade tem, além de em nada diminuir a figura de Jesus, a vantagem de aumentar a fé humana, ou seja, aquela que nos faz acreditar em nós mesmos.
E fá-lo porque não pertencendo nós ao rol das criaturas excepcionais que operam curam instantâneas, tornamo-nos segu- ros de que o cumprimento do mandato “Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demó- nios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mt 10,8) está também ao nosso alcance, embora requeira obediência a método, disciplina, continuidade. Estes três itens constam do programa de qualquer casa espírita, assim como tam- bém lhes pertence a consciência de que só a cura da alma promove a cura do corpo.
Tomando como aceita esta última noção fundamental, centramos a atenção no ponto só da cura que o passe, como pro- cedimento magnético que é, ou melhor, que a fluidoterapia promove. Em aqui chegados, deparamo-nos com um potencial fluídico em termos quanti- tativos e qualitativos mediano reduzido. Ora, se Jesus, que seguramente tinha um potencial fluídico quer quantitativo, quer qualitativo acima da média e ainda assim nem sempre produzia curas instantâne- as, mas às vezes repetia a “imposição das mãos” (e esmiuçando com alguma atenção verificamos que não era um ges- to cego e único), mais e maiores motivos nos calham para que essa repetição me- tódica e disciplinada (e sustentada por conhecimento) se efectue, tendo em vis- ta o fim pretendido.