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Capa da edição nº 84 do Jornal de Espiritismo

84Jornal de Espiritismo nº 84

Setembro 2017 · 20 secções · ≈ 73 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo aborda a importância dos cursos básicos de Espiritismo para a divulgação séria da doutrina, citando a influência que Allan Kardec atribuía a tais formações. Inclui uma entrevista sobre a 'partícula de Deus' e a doutrina espírita, reflexões sobre o esquecimento global e consumo, e uma impressionante crónica que expõe o contraste entre o mundo virtual e a cruel realidade social, personificada na vida de uma criança de rua. Contém ainda uma secção de correio, respondendo a uma leitora sobre sentimentos de solidão e a distinção entre provas e expiações no contexto espírita.

Espiritismo
Cursos Espiritas
Solidariedade
Sociedade
Provas e Expiações
Comportamento humano

Capa

Página 11 min

84 ANOXIV JDE SETEMBRO . OUTUBRO . 2 0 1 7 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Há várias associações espíritas em Portugal, portanto, sem fins lucrativos, que abrem inscrições, sempre gratuitas, para a criação de novas turmas anuais do Curso Básico de Espiritismo no formato presencial. Nestas linhas encontra uma análise de dados sobre uma dessas turmas… 9 ENTREVISTA EM BUSCA DA PARTÍCULA DE DEUS Célia Dantas explica-a e faz a ponte com a doutrina espírita.

foto ulisses.com.pt Espiritismo: começar pelo princípio 14 OPINIÃO ESQUECIMENTO GLOBAL A opinião é unânime: o clima da Terra mudou... 15 CRÓNICA REDES SOCIAIS Todos se veem envolvidos por esta realidade... 19 SUSTENTÁVEL CONSUMO E CONSUMISMO Pensar no uso em detrimento do abuso. 10 SETEMBRO.OUTUBRO.

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Editorial / Conto

Página 25 min

EDITORIAL / CONTO No livro “Obras Póstumas”, no Projeto de 1868, lemos escritos de Allan Kardec em que o codificador da doutrina espírita afir- mava ser útil um curso para “desenvolver os princípios da ciência e difundir o gosto pelos estudos sérios”. Considero esse curso – dizia Kardec – como de natureza a exercer capital influência so- bre o futuro do Espiritismo e sobre suas con- sequências. No movimento espírita atual há vários cur- sos, todos decerto gratuitos.

Dizer que uns são melhores que outros pode bem ser uma falsa questão, já que cada um deles de- pende também de quem o apresenta. Pre- paração dos conteúdos a expor, sentido de objetividade, espírito de serviço a quem se inscreve são algumas das muitas variáveis que redundam em maior ou menor êxito do serviço em pauta. A Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) expõe o Curso Básico de Espiritismo, a partir de matrizes adaptadas que surgiram no nosso país na década de 1970, com a chancela do Centro Espírita Luz Eterna, de Paraná, Brasil.

A equipa que o gizou, sobretudo com base em «O Livro do Espíritos», incluía na equipa de trabalho ho- mens de valor como por exemplo o Dr. Ale- xandre Sech, hoje já desencarnado. Uma das virtudes que é apontada ao Curso Básico de Espiritismo é a de que é conciso e consegue num ano letivo dar a qualquer pessoa que o frequente, seja essa pessoa espírita ou não, uma ideia dos vórtices do pensamento espiritista, que se baseia em factos.

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Correio

Página 33 min

Ninguém gosta de si?! Sofia escreve: «Tenho vindo a aperceber-me que ninguém que está ou esteve presente na minha vida gosta de mim, inclusive os meus próprios pais que me maltratam bastante. Várias pessoas que considerava minhas ami- gas foram-me desiludindo ao longo dos anos e magoaram-me muito. Sinto-me só e mal- -amada. No entanto, sou uma pessoa com uma grande consciência espiritual, muito in- teressada em me melhorar espiritualmente e ao longo da minha vida tenho feito bem às outras pessoas.

Estarei ainda assim em ex- piação? Dizem que as provas às vezes se pa- recem com expiações, pode ser o meu caso? Tenho sofrido muito e queria um pouco de paz e queria ajudar ainda mais as outras pessoas, mas estando em constante sofrimento torna- -se muito difícil». Resposta: «Olá, Sofia. Recebemos a sua men- sagem e parece-nos que lhe faria bem desa- bafar. Quem sabe se visitando a reunião de atendimento de uma associação espírita não se sente melhor?

Neste link encontra várias moradas, pelo que uma decerto será mais próxima de sua casa. Nestes grupos não se cobra nada. Não co- nhecemos todas essas associações sem fins lucrativos, mas pode procurar uma em que se sinta bem e onde possa encontrar apoio para se reequilibrarhttp://adep.pt/todos-os- -distritos É sempre preferível, com toda a consideração e apreço por outrem, centrarmos em nós próprios, por processos de pacificação da consciência, a alegria que devemos criar em torno do nosso dia a dia.

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FEP Divaldo Franco: “Busca o amor e o amor tomará conta de ti” Leiria

Página 45 min

fica a apenas 200 km a sul da cidade do Porto. De boleia com um grupo de ami- gos que chegaram ali no breve preâmbulo da conferência, às 20h30 de 24 de julho, segunda-feira, era de esperar: lugar já não havia, próximo da entrada, no fundo do vas- to auditório da Associação Espírita de Lei- ria, mas nem de pé! Com pezinhos de lã, o corredor lateral ao auditório aproximou em profundidade os re- tardatários da tribuna, lá à frente, onde por A convite da Federação Espírita Portuguesa (FEP) Divaldo Pereira Franco, já com 90 anos de idade celebrados, esteve em Portugal, brilhante como sempre nos habituou.

momentos se espreita e vê Divaldo, senta- do, sorriso tranquilo a aguardar o momento de decantar aparentemente sem esforço as palavras luminosas, sábias e entremea- das de bom humor sobre a importância de perdoar que iriam cativar a atenção de um numeroso público, completamente hetero- géneo, durante mais de uma hora. A dado momento, nesta conferência, grava- da para si em vídeo e disponível no canal de YouTube da ADEP e da FEP, ouve-se: «Nós somos a nossa vida mental.

Cícero, o grande filósofo latino, dizia que nada é mais poderoso do que um facto. Por essa razão, todos os grandes líderes religiosos conta- vam histórias, parábolas, para imortalizar a sua mensagem. As parábolas de Jesus são tão atuais hoje como ontem. É de tal forma cada uma delas atual que o psiquiatra ame- ricano Milton Erickson, uma das sumidades da Psiquiatria no século XX, estabelecia que, se um paciente tem depressão, essa pessoa deve ler diariamente uma parábola de Jesus.

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Consultório

Página 54 min

Epilepsia e obsessão O termo epilepsia foi utilizado pela primei- ra vez por Avicena (980-1037), médico e filósofo persa, no século XI, e é originário do verbo grego epilambanein que signifi- ca ser tomado, atacado ou dominado, ou seja, trata-se de um verbo que sugere que nesta condição existe uma força externa que provoca a crise. Na Antiguidade acreditava-se que a Epi- lepsia tinha uma origem sobrenatural, fruto da ação de uma divindade ou um espírito diabólico.

No código de Hammurabi e na Grécia antiga, era tida como “doença sagrada”, acreditando-se que os deuses ou demó- nios possuíam o corpo do enfermo, no momento da crise, sendo a manifestação da ira dos deuses nos comícios, daí advin- do o termo “mal comicial”. Logo, desde sempre houve uma relação entre a epilepsia eaação do desconheci- do, do sobrenatural. Entretanto sabemos que qualquer pes- soa pode ter uma crise epiléptica em al- gum momento da sua vida, que pode ser causada por um traumatismo craniano, febre, doenças como meningite ou con- sumo excessivo de álcool, por exemplo, e nestes casos ao controlar a causa os epi- sódios de epilepsia desaparecem, sendo uma perturbação transitória.

A epilepsia é uma doença de base orgânica, mas que pode ser determinada por ação nociva de origem espiritual prolongada. A epilepsia é uma doença do sistema nervoso central (SNC), onde ocorrem in- tensas descargas elétricas que não po- dem ser controladas pela própria pessoa, causando sintomas como movimentos descontrolados (involuntários) do corpo. Hipócrates (460-375 A.C.) , pai da medi- cina, escreveu a respeito da doença qua- tro séculos antes da nossa era, dizendo que a epilepsia não era mais sagrada do que qualquer outra doença, defendendo a sua base orgânica.

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Breves

Página 65 min

Porto: Seminário de Medicina e Espiritualidade É já em 14 de outubro, sábado, que chega mais um Seminário de Medicina e Espiritualidade organizado pela Associação Médico-Espírita do Norte. Será num espaço rodeado de frondosas árvores e sobrevoado por belas aves – o Parque Biológico! Do Brasil estarão presentes três palestrantes de áreas distintas – a Dra. Antónia Marilene, de Cardiologia, o Dr. Roberto Lúcio, de Psiquiatria, e a Prof.

Doutora Célia Dantas, de Física Quântica. Com os temas do seminário eles trazem-nos a relação entre essas diferentes áreas e a Es- piritualidade como “Transtorno Obsessivo Compulsivo e Espiritualidade” no caso da Psiquia- tria, “Cardiopatia Hipertensiva e Espiritualidade” relativo à Cardiologia e ainda “A Relação do Fluido Cósmico com a Teoria do Campo Unificado” na Física Quântica, entre outros assuntos. De Portugal vão marcar presença duas palestrantes da Associação Médico-Espírita do NorteDra.

Maria Paula Silva da área dos Cuidados Paliativos e a Prof. Doutora Andresa Thoma- zoni, psicóloga clínica – com os temas “Investigação e Espiritualidade” e ainda “Meditação e Espiritualidade”. Para mais informações sobre o seminário poderão aceder a https://amenortesite.wordpress. com, ao Facebook da AME Norte e ainda através do email norte.ameportugal@gmail.com. Pelo 13.º ano consecutivo a AME Internacional realiza um ciclo de conferências em vários países da Europa- Portugal, França, Alemanha, Suíça, Inglaterra, Bélgica, Áustria, Itália e Ho- landa.

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Breves (pág. 7)

Página 72 min

O Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), cuja sede fica na Rua Fonseca Cardoso, n.º 39, 1.º Dt.º Frente, Porto, inicia às 21h30 do próximo dia 18 de setembro, segunda- -feira, uma nova edição do curso básico de espiritismo. Contudo, dias antes, este ano haverá, para quem não puder frequentar o curso às segundas-feiras, entre as 21h30 e as 22h30, a constituição de uma turma aos sábados entre as dez e o meio-dia.

A data de início, neste caso, é 9 de setembro. Para participar nesta turma, quem estiver inte- ressado deve inscrever-se, se não antes, o mais tardar até início de setembro de 2017, devendo preencher presencialmente ou via internet a ficha de inscrição. As inscrições são obrigatórias e completamente gratuitas, bem como tudo o resto no curso. Pode inscrever-se qualquer pessoa interessada a partir sensivelmente dos 15 anos, seja ou não espírita.

Mais: www.ceca-porto.com e ceca@ceca-porto.com. Este curso desdobra-se numa dúzia de cadernos baseados em «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, e irá terminar em maio do ano que vem. Temas como os precursores da doutrina espírita, as vidas sucessivas, a pluralidade dos mundos habitados, as leis morais, o fluido cósmico universal, a mediunidade ou a escala espírita serão itens de estudo conjunto numa formação que se baseia na interatividade com os participantes.

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Reportagem

Página 88 min

Na sua missão de informar, o JORNAL DE NO- TÍCIAS dedicou em 9/7/2017 duas páginas ao tema que intitula estas linhas. Tal matéria, de suma importância para a Hu- manidade (ciente disso, ou não), vai emergin- do a custo de uma velha cultura de tabus e desinformação, a que também alude a peça do JN; louvo o popular diário portuense por “ousar” abordá-la e propiciar a luz do diálogo. A Ciência começou a compreender que além do palpável e mensurável, há factos observa- dos, inexplicáveis pelas leis e princípios dela conhecidos, cujo estudo exigiu e exige novo paradigma.

Assim nasceu o Espiritismo, originando mais ciências a comprovar a realidade dos fenóme- nos espíritas: a Metapsíquica, a Parapsicolo- gia, a Psicotrónica. E desde 1970… no Vatica- no, surgiu o Instituto de Latrão com a cátedra de Paranormologia, regida pelo prof. Andrea Resch. O Espiritismo, ciência? Sem dúvida, leitor. Ci- ência peculiar, porque novo e peculiar é o seu objeto de estudo: o outro princípio do Universo (além do já conhecido princípio material), dos espíritos e seu modo de relacionamento com o mundo material.

O Espiritismo não os criou nem inventou, mas foi o primeiro a demonstrar a sua inegável existência, comunicabilidade e manifestaçõestudo com rigor e metodologia científica de um respeitável académico, dire- tor de estudos da Universidade de França, o professor Hypollite Rivail (1804-1869), depois secundado por muitos outros. Não partiu de crenças nem suposições, mas de factos repeti- Demónios, exorcismo, exorcistas dos; que, exaustivamente estudados e compa- rados, por vias indutiva e dedutiva o levaram às suas causas e leis.

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Entrevista

Página 94 min

Conversamos com a física Célia Dantas, da Universidade Federal de Goiás, Brasil, sobre o assunto. – O que é o bosão de Higgs? Célia Danta s – Um grande avanço na Fí- sica de Partículas veio na década de 70, quando os físicos deram conta de que existem laços muito estreitos entre duas das quatro forças fundamentais, ou seja, a força fraca e a força eletromagnética. As duas forças podem ser descritas dentro da mesma teoria, constituindo a base do modelo padrão.

Essa “unificação” implica que a eletrici- dade, magnetismo, luz e alguns tipos de radioatividade são todos manifestações de uma única força subjacente chamada, sem surpresa, força eletrofraca. Mas para essa unificação funcionar matematica- mente, exige-se que as partículas de for- ça de transporte não possuam nenhuma massa. Sabe-se, a partir de experiências, que isso não é verdade. Então, os físicos Peter Hi- ggs, Robert Brout e François Englert vie- ram com uma solução para resolver esse dilema.

Eles sugeriram que todas as par- tículas não tinham massa logo após o Big Bang. Com o resfriamento do Universo a tempe- ratura caiu abaixo de um valor crítico, e um campo de força invisível chamado “campo de Higgs” foi formado em conjunto com o associado “bosão de Higgs”. O campo pre- valece em todo o Cosmos: às partículas que interagem com ele é dada uma massa via bosão de Higgs. Essa ideia forneceu uma solução satisfa- tória e bem munida de teorias estabeleci- das e fenómenos.

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Centrais (pág. 11)

Página 113 min

Há várias associações espíritas em Portugal, portanto, sem fins lucrativos, que abrem inscrições, sempre gratuitas, para a criação de uma nova turma anual do Curso Básico de Espiritismo no formato presencial. Esta iniciativa, normalmente iniciada entre setembro e outubro, dirige-se a toda a po- pulação adulta da região. Em abril do corrente ano um grupo de co- laboradores juntou-se e configurou muitas informações num poster temático de análi- se e registo de dados: «O presente trabalho centra-se numa turma que esteve em fun- cionamento na cidade do Porto, no Centro Espírita Caridade por Amor, entre meados de setembro de 2016 e final de maio de 2017», dizem os autores deste trabalho.

Elucidam: «Para que este estudo pudesse ser apresentado em fins de abril de 2017, encerrou-se a colheita inicial de dados em 16 de janeiro de 2017». Com dados de cerca de quatro meses, pretenderam apurar informação sobre o comportamento e motivações dos inscri- tos numa turma de curso básico de espi- ritismo presencial, bem como os níveis de assiduidade e os motivos que possam ter levado a alguma taxa de desistência: «Ao longo dos anos tem-se entendido que os inscritos (em setembro/outubro) que se mantêm interessados após os primeiros três a quatro meses ficam no curso até ao final (maio/junho)».

Esta recolha de dados, além de poder cor- roborar esse facto, tem condições para vir a contribuir no sentido de ajustar a abor- dagem do curso básico às necessidades de informação que as pessoas que se ins- crevem possam eventualmente preferir. Este estudo é viável pelo facto de existirem inscrições que, embora sempre gratuitas, juntam dados que permitem contactar as pessoas para obtenção de mais informa- ções. À partida, porém, sabe-se que os inscritos fizeram o seu registo ou em formulário on- -line ou através de inscrição presencial.

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Opinião

Página 124 min

Assim como o feijoeiro foto arquivo O cenário impressionista está em segundo plano quando a conversa vai no pico da onda, qual antena à procura das melhores palavras. A palestra corridinha tinha sido uma hora antes sobre reuniões mediúnicas vistas numa dimensão multifacetada. A imorta- lidade do ser humano que larga o corpo material decorre, quantas vezes ao jeito de alguém que tem uma tontura, quando uma soneca súbita sobrevém, e passam por ve- zes anos.

Surge o despertar e a ilusão do corpo espiritual que parece o antigo, mais denso, a fazer demorar a percepção de que a vida continua na dimensão espiritual, à maneira dos mundos paralelos do cinema com argumento inspirado na física quânti- ca. Afinal tudo é função das reações do dia- -a-dia, pela média de pensamentos que mantemos. Pesados, limitam a vista e os ouvidos na vida além da matéria densa. Curioso – Jesus de Nazaré dizia: se têm ouvidos de ouvir ouçam.

Se os pensamen- tos e os sentimentos são leves, em pauta parecida com o que o mestre dos mestres ensina nas suas mais intemporais lições, as percepções abrem-se e é fácil ver quem vem dar as boas-vindas à vida espiritual, com um horizonte de paz e alegria difícil de desenhar. Mais tarde, quando conveniente e possível, em jeito de bolsa de estudo concedida, vem a passagem terrena, invariavelmente com direito a um anjo na Terra com formato de mãe, num percurso bem mais breve do que imaginamos.

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Opinião (pág. 13)

Página 135 min

Mas, ao contrário do que se pensa, é mui- to comum que pessoas em estados termi- nais relatem esse tipo de visões lúcidas com familiares e amigos já falecidos, com outras pessoas que nem conhecem e até figuras religiosas. Ao longo dos anos, es- tas experiências têm sido constatadas por médicos, enfermeiros e assistentes hospitalares e, apesar de ainda existir algum receio de exposição dos casos, estima-se que entre 50-60% dos doentes conscientes que estão perto da morte te- nham este tipo de experiências (Mazzari- no-Willett, 2010).

No estudo mais exaus- tivo realizado até hoje nesta área, Karlis Osis e Erlendur Haraldsson entrevistaram milhares de pessoas entre 1959 e 1973, concluindo que cerca de 50% dessas pes- soas tiveram sonhos ou visões que se en- caixavam nestas características. Da perspectiva espírita, as visões no leito da morte explicam-se através de um pro- gressivo enfraquecimento dos laços que ligam o Espírito ao corpo em pessoas que se aproximam da morte física, tornando- -as mais sensíveis a uma outra dimensão da vida e conseguindo ter uma maior per- cepção do plano espiritual.

Em muitas si- tuações, essas visões e sonhos são lam- pejos de uma realidade que transcende o mundo físico. Ao longo dos últimos anos vários estudos têm evidenciado efeitos reconfortantes Visões no leito da morte destas visões, contribuindo para diminuir o receio da morte e facilitando a aceita- ção de uma situação tão delicada, quer para o paciente como para a família mais próxima (Lawrence and Repede, 2012; Wills-Brandon, 2000).

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Crónica

Página 144 min

Como se já não bastasse a problemática do aquecimento global do planeta e a des- truição dos ecossistemas por parte do ser humano, na sua ânsia irracional de “ter” cada vez mais, numa vida que rapidamente se dilui no tempo, vai ocorrendo na socie- dade mundial outro fenómeno interligado: o esquecimento global dos valores ético- -morais. Há algum tempo, em Portugal, dois gover- nantes foram demitidos por terem mentido, apresentando-se como licenciados, quan- do não possuíam nenhum título académi- co.

Do ponto de vista ético-moral é uma situação tão grave que, num país civilizado, seria um terramoto político com demissões em massa. O mesmo já ocorreu noutros tempos, com outros partidos e outras figuras políticas. Não nos move nenhuma atitude de simpa- tia ou antipatia política. Objectivamos anali- sar apenas as atitudes dos seres humanos. Vivemos momentos graves, onde o que ou- trora era nobreza de carácter hoje é estar ultrapassado, o que era roubo hoje é opor- tunidade, o que era mentira hoje é ponto de vista, o que era dignidade hoje é fraqueza de espírito, o civismo é hoje trocado pela má educação.

Vemos os professores a serem maltratados pelos educadores, ao invés de os apoia- rem, para educarem os seus educandos. Quando o exemplo vem de cima, do Estado, com leis obscuras, com roubos sucessivos e desvios de dinheiro privados e públicos por parte de entidades bancárias, com múl- tiplas fraudes dos agentes políticos e eco- nómicos tornadas públicas, sem qualquer consequência social, o povo tende a seguir o mau “exemplo” de quem os governa.

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Opinião (pág. 15)

Página 153 min

Homens e mulheres, velhos e novos, to- dos se veem cada vez mais envolvidos por estes novos meios de comunicação. Com o advento da internet e destas novas redes, assistimos a uma mudança na for- ma como interagimos uns com os outros. Como disse Rogério da Costa, Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, “as comunidades virtuais são uma nova forma de se fazer sociedade”. Estamos portanto perante um momento único na história da Humanidade: a possi- bilidade de partilhar conhecimentos, difi- culdades e ideias de forma praticamente instantânea com pessoas para lá das co- munidades tradicionais, ou seja, pessoas às quais nos ligamos pela partilha de in- teresses e não necessariamente pela pro- ximidade física.

Apesar da sua notória popularidade – o Facebook® já conta com mais de mil milhões de utilizadores –, muitas são as vozes que se levantam e alertam para os perigos e malefícios das redes sociais: o “cyberbullying”, as discussões e as crí- ticas, as notícias falsas e muitos outros fenómenos crescem a cada dia nestas comunidades. Muitas vezes, o facto de não nos encontrarmos cara a cara e de comunicarmos de forma impessoal, faz com que haja maior tendência para a indelicadeza e para a agressão.

A comu- nicação rápida e momentânea potencia também as respostas irrefletidas e os mal-entendidos. A verdade é que as redes sociais estão nas nossas mãos e cabe a cada um de nós decidir o que fazer com elas: mas como é que as podemos utilizar para o bem? Se, no entanto, nos focarmos no que es- tas redes têm de bom, percebemos que nos podem ajudar a encontrar velhos amigos, a conhecer pessoas novas e a trocar ideias sobre assuntos de particular interesse.

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Opinião (pág. 16)

Página 163 min

César Lombroso, citando Di Vesne em “Hipnotismo e Mediunidade”, diz que «as curas logradas por Jesus não eram sempre instantâneas, mas demanda- vam, às vezes, a repetida aplicação da sua virtude curativa, revestindo as for- mas de simples fenómeno espiritista.» Confessamos que estávamos acomoda- dos na ideia de que as curas de Jesus eram instantâneas, mas o simples con- siderar desta possibilidade tem, além de em nada diminuir a figura de Jesus, a vantagem de aumentar a fé humana, ou seja, aquela que nos faz acreditar em nós mesmos.

E fá-lo porque não pertencendo nós ao rol das criaturas excepcionais que operam curam instantâneas, tornamo-nos segu- ros de que o cumprimento do mandato “Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demó- nios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mt 10,8) está também ao nosso alcance, embora requeira obediência a método, disciplina, continuidade. Estes três itens constam do programa de qualquer casa espírita, assim como tam- bém lhes pertence a consciência de que só a cura da alma promove a cura do corpo.

Tomando como aceita esta última noção fundamental, centramos a atenção no ponto só da cura que o passe, como pro- cedimento magnético que é, ou melhor, que a fluidoterapia promove. Em aqui chegados, deparamo-nos com um potencial fluídico em termos quanti- tativos e qualitativos mediano reduzido. Ora, se Jesus, que seguramente tinha um potencial fluídico quer quantitativo, quer qualitativo acima da média e ainda assim nem sempre produzia curas instantâne- as, mas às vezes repetia a “imposição das mãos” (e esmiuçando com alguma atenção verificamos que não era um ges- to cego e único), mais e maiores motivos nos calham para que essa repetição me- tódica e disciplinada (e sustentada por conhecimento) se efectue, tendo em vis- ta o fim pretendido.

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Literatura / Vídeo

Página 175 min

LITERATURA / VÍDEO Afinal, quem somos? O Universo no olhar Ian é um biólogo molecular brilhante que investiga a evolução dos olhos, tendo como principal motivação destruir alguns argu- mentos criacionistas que defendem que a teoria da evolução de Darwin não consegue explicar a complexidade do aparelho visual humano. Um dos seus mais peculiares passatempos é fotografar as íris de pessoas que conhece, deliciando-se com a beleza que os diferentes padrões e cores produzem.

Numa festa ele conhece Sofi, uma jovem mística com uma sensibilidade apurada, espírito livre e ideias singulares, possuidora de uns olhos verdes lindíssimos por quem ele se apaixona ime- diatamente. O romance que iniciam é um palco privilegiado que nos permite perscru- tar diálogos interessantes e bem construídos sobre ciência, ateísmo, Deus, espiritualida- de, coincidências, mediunidade, reencarna- ção, filosofia e a disponibilidade para duvidar das convicções que temos por garantidas.

Alguns anos após uma tragédia que ele não conseguiu ultrapassar, Ian vê-se confrontado com a necessidade de questionar todas as bases que motivaram as suas investigações bem-sucedidas e perseguir uma verdade que ele procurou negar durante toda a sua vida. A íris é o tecido que envolve a pupila do olho e cada uma possui um padrão de raios e pre- gas que são únicos. A cor dos nossos olhos vai mudando à medida que envelhecemos mas o padrão das íris permanece inalterá- vel.

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direitos reservados Entrevista a frequentadores Francisco António Cebo

Página 184 min

foto direitos reservados Entrevista a frequentadores Francisco António Cebola Mogas tem 53 anos, é militar e está a viver atualmente em Santarém. - Como conheceu o Espiritismo? Francisco MogasAtravés de um amigo. - Frequenta algum centro espírita? Francisco Mogas – Sou frequentador e trabalhador da Associação Cultural Espí- rita de Santarém. - Qual é a sua opinião acerca do «Jornal de Espiritismo»? Francisco MogasExcelente meio de di- Sabia que?

Criado por Deus para ser feliz, o Espírito imortal lança-se na construção da sua própria felicidade dotado de duas ferramentas essenciais para a conquistar: Inteligência e Livre-arbítrio? Adelino Silveira tendo observado que, num só dia, Francisco Cândido Xa- vier, com 88 anos de idade, tinha beijado as mãos de centenas de pes- soas que o procuraram e vendo-lhe, por causa disso, os lábios a sangrar, perguntou-lhe porque beijava as mãos àquela gente, ao que o médium respondeu com humildade: “Porque não me posso curvar para lhes beijar os pés”?

O Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, Portugal, é um dos Centros Espíritas que mais jornais de Espiritismo (ADEP) distribui no país, rondando os 200 exemplares em cada bimestre? Os 12 volumes da “Revista Espírita”, o livro “Viagem Espírita em 1862”, os livros “O que é o Espiritismo”, “O Livro dos Espíritos”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “O Livro dos Médiuns”, “O Céueo Inferno”, “A Génese” e “Obras Póstumas”, compõem a obra literária de Allan Kardec, num total de 20 volumes?

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assim porque os bens materiais são ne- cessários à vida do ser humano

Página 193 min

É assim porque os bens materiais são ne- cessários à vida do ser humano. Vemos, porém, que no modelo de socie- dade urbana que impera hoje em dia os bens materiais são entendidos numa ver- tente de abundância com uma compo- nente de grande desgaste de recursos, o que obriga à sua substituição por mode- los mais modernos, como ocorre com por exemplo computadores ou automóveis: o tempo de vida dos produtos é intencio- nalmente curto para manter as vendas.

Gregária, a espécie humana quando aco- lhe um novo membro na família no forma- to de um bebé vai dar-lhe um enquadra- mento cultural específico e ele tende a ser formatado para uma função – é livre dentro de limitações. Ainda assim pode aprender, pensar e decidir por um eleva- do número de opções que lhe permitem estar e participar em regime de compen- sação de consciência. Entende-se que consumo restringe-se ao uso necessário e equilibrado dos bens materiais imprescindíveis ao bom êxito Consumo e consumismo da passagem pela Terra nas experiências que proporciona o corpo material.

Por sua vez, o consumismo tem a ver com a sofreguidão da posse. Há mesmo necessidades de natureza espiritual que se agitam no inconsciente do ser às quais algumas pessoas respondem com maior consumo de bens materiais, sem discer- nir sobre as verdadeiras causas desse anseio. Resultado? Frustração. A nível global, o consumo excessivo tem duas vertentes pelo menos – ora dese- quilibra a balança da sustentabilidade da produção-desgaste dos recursos naturais ora gera poluição.

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Última

Página 202 min

Inquérito: quer ajudar? Com vista a tomar o pulso a como as pes- soas de alguma forma interessadas no movimento espírita português entendem a relação espiritismo-ecologia nos hábi- tos do seu dia a dia, está ainda aberto um inquérito que pede a sua colaboração on line, caso já não lhe tenha respondido. São apenas meia dúzia de perguntas de resposta fácil. Fica no anonimato e vai permitir a criação de um poster temático de análise e registo de dados com gráfi- cos elucidativos.

Este inquérito pode ser-lhe enviado por e- -mail se o solicitar à ADEP ou diretamente no link do mesmohttps://goo.gl/forms/ a0pNYW7fq2EMzTTq2 Cursos de Espiritismo: tudo grátis! Setembro marca o arranque de diversas turmas presenciais de curso básico de espiritismo em algumas cidades, nome- adamente em Alcobaça e Caldas da Rai- nha, em Braga e Barcelos, em S. João de Ver e no Porto, entre outras. O curso desdobra 12 capítulos e começa por referir os precursores e a fase histó- rica do surgimento da doutrina espírita.

Aborda a mediunidade e o mundo espiri- tual, as vidas sucessivas e a pluralidade dos mundos habitados, as leis naturais e, de permeio com outros temas, um capítu- lo recente explora as afinidades entre es- piritismo e ecologia. Quem tiver interesse deve confirmar o facto junto das associa- ções sem fins lucrativos em causa onde possa inscrever-se. É tudo grátis, mas há ficha de presença, pois em vários casos este curso é condição prévia necessária de acesso a outras formações.

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