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Entrevista

Jornal de Espiritismo nº 84 · Setembro 2017Página 94 min

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Conversamos com a física Célia Dantas, da Universidade Federal de Goiás, Brasil, sobre o assunto. – O que é o bosão de Higgs? Célia Danta s – Um grande avanço na Fí- sica de Partículas veio na década de 70, quando os físicos deram conta de que existem laços muito estreitos entre duas das quatro forças fundamentais, ou seja, a força fraca e a força eletromagnética. As duas forças podem ser descritas dentro da mesma teoria, constituindo a base do modelo padrão.

Essa “unificação” implica que a eletrici- dade, magnetismo, luz e alguns tipos de radioatividade são todos manifestações de uma única força subjacente chamada, sem surpresa, força eletrofraca. Mas para essa unificação funcionar matematica- mente, exige-se que as partículas de for- ça de transporte não possuam nenhuma massa. Sabe-se, a partir de experiências, que isso não é verdade. Então, os físicos Peter Hi- ggs, Robert Brout e François Englert vie- ram com uma solução para resolver esse dilema.

Eles sugeriram que todas as par- tículas não tinham massa logo após o Big Bang. Com o resfriamento do Universo a tempe- ratura caiu abaixo de um valor crítico, e um campo de força invisível chamado “campo de Higgs” foi formado em conjunto com o associado “bosão de Higgs”. O campo pre- valece em todo o Cosmos: às partículas que interagem com ele é dada uma massa via bosão de Higgs. Essa ideia forneceu uma solução satisfa- tória e bem munida de teorias estabeleci- das e fenómenos.

O problema é que, até ao anúncio feito naquele dia 4 de julho, ninguém nunca tinha observado o bosão de Higgs numa experiência para poder Em busca da partícula de Deus confirmar a teoria. Encontrar essa partícula explica por que as partículas têm determinada massa e ajuda a desenvolver física subsequente. – Por que ele é chamado de “partícula de Deus”? Célia Dantas – Esse termo, “partícula de Deus”, foi criado por publicitários nos EUA, e popularizou-se na década de 90 quando o acelerador Tevatron, no laboratório Fer- milab, em Chicago, era o principal instru- mento para descoberta de novas partícu- las massivas como o “quark top”.

No meio científico, entre os físicos de partícula, não se utiliza esse termo. A ideia de se chamar o bosão de Higgs de “partícula de Deus” está relacionada com o fato de que é o bosão de Higgs que determina a massa das demais partículas elementares. A ideia de se chamar o bosão de Higgs de “partícula de Deus” está relacionada com o fato de que é o bosão de Higgs que de- termina a massa das demais partículas elementares.

– Qual a importância dessa descoberta para a ciência? Célia Dantas – Essa descoberta confirma uma das mais importantes previsões do modelo-padrão, conjunto de teorias que descreve as partículas elementares e as suas interações. Uma analogia interessante é a dos des- cobridores das Américas: os físicos de partículas, assim como os navegadores, estavam a navegar pelo “oceano”, conven- cidos de que há algo novo ainda não visto.

Mas ainda não sabemos exatamente se é apenas uma ilha ou se um continente in- teiramente novo a nos revelar realidades ainda não vistas ou imaginadas. – É importante também para o Espiritis- mo? Célia Dantas – Acredito que sim. A maio- ria das religiões acredita num Deus cria- dor do mundo. Assim como o artista deixa uma parte de si em suas obras de arte, a criação contém traços característicos des- se Deus criador. Estudar os fundamentos da natureza, e fazer novas descobertas, permite-nos contemplar novas dimensões das características do criador.

Algumas pessoas erroneamente dizem que esse tipo de experiência tenta provar que Deus não existe... Isso não é correto. O que se faz é observar em detalhe a beleza da cria- ção. Na questão 27 de “O Livro dos Espíri- tos”, Allan Kardec pergunta se haveria dois elementos gerais no Universo: a matéria e o espírito. Os espíritos respondem: “Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coi- sas [...] Mas ao elemento material se tem de juntar o fluido universal, que desempe- nha o papel de intermediário entre o Espí- rito e a matéria [...]

Esse fluido universal [...] de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.” Observe que isso nos sugere uma analo- gia entre o fluido universal e o “campo de Higgs”, o qual dá massa às partículas que interagem com ele. Texto de Giovana Campos publicado no jornal “Folha Espírita” (São Paulo, Brasil) de agosto de 2012.

O Espiritismo considera a ciência um importante pilar para os estudos e a compreensão da doutrina e da vida nos dois planos. A notícia sobre a descoberta do bosão de Higgs, também chamado de partícula de Deus, levantou o questionamento de várias pessoas sobre a importância desse achado para a ciência. Seminário sobre Medicina e Espiritualidade em outubro Sábado, dia 14 de outubro, a Associação de Médico-Espírita do Norte (AME Nor- te) organiza na cidade do Porto um seminário sobre medicina e espiritualidade que conta com diversos cientistas da área da saúde.

Por exemplo, Célia Dantas, da Universidade Federal de Goiás, no Brasil, estudio- sa de Física Quântica, vai abordar temas hodiernos sobre ciência e relacioná-los com a espiritualidade e o espiritismo, o que promete ser muito interessante. Para saber mais sobre o evento visite o site da AME Nortehttps://amenortesite. wordpress.com ou https://www.facebook.com/amenorte foto arquivo SETEMBRO.OUTUBRO.