Reportagem
Jornal de Espiritismo nº 84 · Setembro 2017Página 88 min
Na sua missão de informar, o JORNAL DE NO- TÍCIAS dedicou em 9/7/2017 duas páginas ao tema que intitula estas linhas. Tal matéria, de suma importância para a Hu- manidade (ciente disso, ou não), vai emergin- do a custo de uma velha cultura de tabus e desinformação, a que também alude a peça do JN; louvo o popular diário portuense por “ousar” abordá-la e propiciar a luz do diálogo. A Ciência começou a compreender que além do palpável e mensurável, há factos observa- dos, inexplicáveis pelas leis e princípios dela conhecidos, cujo estudo exigiu e exige novo paradigma.
Assim nasceu o Espiritismo, originando mais ciências a comprovar a realidade dos fenóme- nos espíritas: a Metapsíquica, a Parapsicolo- gia, a Psicotrónica. E desde 1970… no Vatica- no, surgiu o Instituto de Latrão com a cátedra de Paranormologia, regida pelo prof. Andrea Resch. O Espiritismo, ciência? Sem dúvida, leitor. Ci- ência peculiar, porque novo e peculiar é o seu objeto de estudo: o outro princípio do Universo (além do já conhecido princípio material), dos espíritos e seu modo de relacionamento com o mundo material.
O Espiritismo não os criou nem inventou, mas foi o primeiro a demonstrar a sua inegável existência, comunicabilidade e manifestaçõestudo com rigor e metodologia científica de um respeitável académico, dire- tor de estudos da Universidade de França, o professor Hypollite Rivail (1804-1869), depois secundado por muitos outros. Não partiu de crenças nem suposições, mas de factos repeti- Demónios, exorcismo, exorcistas dos; que, exaustivamente estudados e compa- rados, por vias indutiva e dedutiva o levaram às suas causas e leis.
Ciência peculiar: com os elementos filosofia e moral, perfaz um tríptico onde as três com- ponentes mutuamente se reforçam e discipli- nam. A figura canónica do “exorcismo” não tem base lógica e científica; no aspeto religioso, ignora a elementar caridade cristã: escorraça e invetiva seres que hostilmente designa demónios, sem noção alguma do que provoca. Francesco Bamonte, sacerdote italiano da As- sociação Internacional de Exorcistasinforma JNrefere-se à formação de padres exorcistas.
As suas afirmações nem de leve indiciam que tais cursos de formação tenham em conta o saber adquirido e funcional da ciência espírita, com larga experiência em todo o mundo (não confundir com charlatanismos e práticas obs- curantistas, interesseiras, ditas erroneamente espíritas). Conhecedor, eficaz, com sistemático êxito na sua benfazeja ação racional, gratuita, o Espiritismo não se atém a crenças, ritos, mis- tério, tabus; está ao alcance de quem deseje estudá-lo responsavelmente, sem necessida- de de ordenação sacerdotal ou autorização eclesiástica.
O discurso do padre Bamonte ao JN revela alguém atido e atado ao retrógrado funda- mentalismo religioso, inerte na ideia do exor- cismo, sem o analisar à luz do conhecimento adquirido no próprio Vaticano; deixa escapar uma incontida e sintomática ferroada ao Vati- cano II, o refrescante Concílio que arejou ba- fios seculares, que primeiro prescindiu frater- na e cristãmente de anátemas e proscrições. Aquele conservadorismo insalubre, de uma gasta mediocridade religiosa, anticristã, afirma gratuitamente ao JN: “A Igreja Católica está a fazer um caminho de reaproximação ao rito da expulsão de demónios, depois dum perío- do em que o ministério quase foi abandonado devido ao surgimento de correntes de teologia que negam a existência do Demónio e que sur- giram sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, na década de 1950” (ao menos acertasse na data: 1962-1965).
Outra passagem declara ao JN que uma das causas da possessão demoníaca é “assistir a sessões espíritas”. Primarismo grosseiro, uma enormidade, ideando supersticiosamente “sessões espíritas” como um temível papão. As reuniões espíritas movimentam com saber e simplicidade, sem ritos nem mitos, as leis na- turais aplicáveis, bem estudadas, expendidas racionalmente nos livros da Codificação espíri- ta. Sob o lema basilar “Fora da caridade não há salvação”, funcionam rigorosamente para o bem e paz de todos: não só da vítima obsi- diada, libertando-a da influenciação malsã; mas também do algoz obsessor (ou obsesso- res), desobsidiando-o por persuasão fraterna, evangélica, da loucura que o subjuga ao mal; conforta-o, encaminha-o com segurança para rumos de vida nova, harmonizada com Deus, com o Bemnunca o escorraçando, conde- nando, ou abandonando na prática do mal.
É de facto o desejável, é cristão, agrada ao Pai que não quer a morte do pecador mas sim que ele se converta e viva. Quanto a diabo e demónios: não existem nem poderiam existir, no sentido de seres eterna- mente votados ao mal; e muito menos no sen- tido de outro poder, simultâneo e paralelo ao poder real, eterno, de Deus e do Bem. Mas, não nesses sentidos, há de facto diabos e demónios: pode sê-lo qualquer de nós, seres humanos vivos ou já falecidos, se avassalados e empedernidos por qualquer paixão violenta, malfazeja, às vezes de extrema perversidade; mas nunca eternamente.
(O mal, observa a límpida espiritualidade da Sra. Mary Baker Eddy -1821-1910 - tem um só poder: o de se extinguir). Aos bolores da mediocridade clerical con- trapõe-se a lucidez e abertura inteletual do saudoso padre J. Carreira das Neves, teólogo prestigioso, membro da Academia de Ciências: Os dogmas das religiões institucionalizadas cansam as pessoas que, ávidas contudo de transcendência, se voltam para outras formas de espiritualidade, seja a partir da contempla- ção da natureza, por um lado, seja dos dados mais recentes da astronomia científica e da fí- sica quântica, por outro (“Saudades de Deus”, Presença, 2015).
Contrapõe-se também a sadia liderança crís- tica de Francisco: enjeitando opulências vãs de príncipe de bezerros de ouro, assume-se resoluto bom pastor duma pastoral honesta, objetiva, realista, de acolhimento maternal aos deserdados, excluídos da economia, da socie- dade, da própria Igreja. Por João Xavier de Almeida Não é de agora a imprensa enganar-se. A credi- bilidade que os leitores incautos, a maioria de- certo, lhe dão não passa de uma miragem tida como realidade.
Com pano de fundo na internet a rádio TSF baralhou-se, o que justificou o envio de um alerta cujo assunto foi em 27 de maio de 2017 o «esclarecimento sobre Espiritismo». De- pois das saudações ao director da radio a carta seguiu assim: «Na vossa edição de ontem, 26 de Maio de 2017 (em http://bit.ly/2qttSWY), relatam na peça “Ritual proibido regressa ao Vietname” o facto do mesmo ser levado a cabo por “mé- diuns espíritas”.
Ora, tal não corresponde à verdade, pois esse ri- tual tem 500 anos e a Filosofia Espírita tem 160 anos. Além disso, o Espiritismo (ou Doutrina Es- pírita) não sendo mais uma religião nem mais uma seita, mas sim uma filosofia (espiritualista) de vida, não tem rituais, nem chefias, nem para- mentos ou quejandos. Vimos solicitar junto de V. Exª os seguintes es- clarecimentos. 1 - Embora já exista um grande esclarecimento relativamente à doutrina espírita, ou espiritismo, ainda se nota muito desconhecimento relativa- mente ao que é o espiritismo, quem são os espí- Saber do que se fala ritas, o que fazem, e com que finalidade.
2 – Existe uma confusão muito grande entre “médiuns” e “espíritas”. O “médium” é a pessoa que é portadora de uma faculdade paranormal, é uma característi- ca da pessoa. Essa pessoa pode ser agnóstica, católica, protestante, budista, etc. O “médium” pode também ser espírita, mas para isso terá de seguir os princípios da doutrina espírita, como por exemplo um católico tem de seguir os princípios do catolicismo. O “espírita” é o adepto da ideia espírita, aquele que entende, aceita e segue a filosofia espírita, não necessitando de ser médium para isso.
Por- tanto, pode-se ser espírita e não ser médium, assim como a grande maioria dos médiuns não conhece sequer o espiritismo. Assim sendo é importante não se confundir um “médium” com um “espírita”. Usualmente confunde-se espiritismo (uma doutrina sólida, estruturada) com mediunidade (percepção extra-sensorial, faculdade de entrar em contacto com o plano extrafísico). A me- diunidade é uma faculdade neutra que quase todos os seres humanos possuem e como tal é passível de ser bem orientada ou não, bem utilizada ou não.
O espiritismo é uma doutrina que à semelhança de outras TAMBÉM utiliza a mediunidade. Como tal, é errado afirmar-se que qualquer mé- dium é “espírita”, pois a pessoa pode ser possui- dora da faculdade paranormal e não conhecer a doutrina espírita. 3 – A doutrina espírita é um amplo movimento cultural que nada tem a ver com superstições, crendices, bruxarias, magias e práticas análogas. O espiritismo, ou doutrina espírita, nada tem a ver com esse tipo de práticas, definindo-a a História como sendo a “ciência que estuda a natureza origem e destino dos espíritos, bem como a relação existente entre o mundo cor- poral e o mundo espiritual”.
O espiritismo, não sendo mais uma seita nem mais uma religião, é uma doutrina que assenta em três vertentes: ciência, filosofia e moral. Como ciência investiga os factos espíritas (ou fenómenos mediúnicos), como filosofia explica-os e como moral traça um roteiro de crescimento interior assente nos ensinamentos ético/morais de Jesus de Naza- ré, objectivando a felicidade do homem e uma sociedade mais pacífica, justa e fraterna.
4 – Os espíritas são pessoas normais, com os seus empregos, famílias e obrigações sociais e que se dedicam, em horas pós-profissionais, ao estudo, prática e divulgação da doutrina espíri- ta, GRATUITAMENTE, dentro duma postura hu- manista e cristã que ensina a auxiliar o próximo sem qualquer tipo de interesse material ou de outro género. Nesse sentido, os espíritas não co- locam anúncios em jornais publicitando os seus dotes e prometendo a cura de tudo e mais algu- ma coisa.
Quem assim procede não é espírita e desconhece inclusive o que é o espiritismo. 5 – A doutrina espírita (ou espiritismo) não tem por fim curar corpos, já que essa tarefa cabe à medicina, cabendo ao espiritismo explicar ao homem quem ele é, de onde vem para onde vai, bem como explicar as leis que regem o in- tercâmbio entre o mundo físico e o mundo es- piritual. Certos de que V. Ex.ª pugna por uma informação isenta, séria e honesta, e pelo respeito que os vossos leitores nos merecem, vimos solicitar junto de V.
Exª o respectivo esclarecimento, disponibilizando-nos junto da TSF para qualquer esclarecimento adicional, entrevista ou contac- to. Mais informações acerca do espiritismo e da ADEP, poderão ser encontradas na sua página em www. adep.pt come-mail adep@adeportugal.org. Gratos pela atenção, com amizade e sempre ao dispor, Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP)». SETEMBRO.OUTUBRO.
