Opinião (pág. 16)
Jornal de Espiritismo nº 84 · Setembro 2017Página 163 min
César Lombroso, citando Di Vesne em “Hipnotismo e Mediunidade”, diz que «as curas logradas por Jesus não eram sempre instantâneas, mas demanda- vam, às vezes, a repetida aplicação da sua virtude curativa, revestindo as for- mas de simples fenómeno espiritista.» Confessamos que estávamos acomoda- dos na ideia de que as curas de Jesus eram instantâneas, mas o simples con- siderar desta possibilidade tem, além de em nada diminuir a figura de Jesus, a vantagem de aumentar a fé humana, ou seja, aquela que nos faz acreditar em nós mesmos.
E fá-lo porque não pertencendo nós ao rol das criaturas excepcionais que operam curam instantâneas, tornamo-nos segu- ros de que o cumprimento do mandato “Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demó- nios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mt 10,8) está também ao nosso alcance, embora requeira obediência a método, disciplina, continuidade. Estes três itens constam do programa de qualquer casa espírita, assim como tam- bém lhes pertence a consciência de que só a cura da alma promove a cura do corpo.
Tomando como aceita esta última noção fundamental, centramos a atenção no ponto só da cura que o passe, como pro- cedimento magnético que é, ou melhor, que a fluidoterapia promove. Em aqui chegados, deparamo-nos com um potencial fluídico em termos quanti- tativos e qualitativos mediano reduzido. Ora, se Jesus, que seguramente tinha um potencial fluídico quer quantitativo, quer qualitativo acima da média e ainda assim nem sempre produzia curas instantâne- as, mas às vezes repetia a “imposição das mãos” (e esmiuçando com alguma atenção verificamos que não era um ges- to cego e único), mais e maiores motivos nos calham para que essa repetição me- tódica e disciplinada (e sustentada por conhecimento) se efectue, tendo em vis- ta o fim pretendido.
Tomando como aceita esta última noção fundamental, centramos a atenção no ponto só da cura que o passe, como procedimento magnético que é, ou melhor, que a fluidoterapia promove. (Não, os Espíritos não fazem tudo. Mui- to ou pouco, precisam de nós, homens. Nem fomos convidados à ociosidade, nem a mediunidade é inútil. Sim, precisamos dos Espíritos. Mas, como espíritas que somos, essa é uma parceria estabelecida a priori, não tem discussão.
“O médium curador pouco emite de seu próprio fluido; sente a corrente do fluido estranho que o penetra e ao qual serve de conduto; é com esse fluido que mag- netiza, e aí está o que caracteriza o mag- netismo espiritual e o distingue do mag- netismo animal: um vem do homem; o outro, dos Espíritos.” RE Dezembro 1862) Posto isto, e como em outra ocasião Jesus disse, justificando, que poderíamos fazer o que ele fazia e ainda mais, só nos resta, se não quisermos ser acusados de ma- draços, estudar, amar (e sempre as duas coisas juntas) e trabalhar, que é onde se mostra o quanto aprendemos e amamos.
(“Ora, não há verdadeira caridade sem devotamento, nem devotamento sem in- teresse. Sem estas condições o magne- tizador, privado da assistência dos Espí- ritos bons, fica reduzido às suas próprias forças, muitas vezes insuficientes, ao pas- so que com o concurso deles, elas podem ser centuplicadas em poder e em eficá- cia.” – RE Dezembro 1862) E, de caminho, surgem curas. Quanto mais não seja a da nossa alma, o que não é pouco.
a.pinho da silva foto loucomotiv Curas SETEMBRO.OUTUBRO.
