Literatura / Vídeo
Jornal de Espiritismo nº 84 · Setembro 2017Página 175 min
LITERATURA / VÍDEO Afinal, quem somos? O Universo no olhar Ian é um biólogo molecular brilhante que investiga a evolução dos olhos, tendo como principal motivação destruir alguns argu- mentos criacionistas que defendem que a teoria da evolução de Darwin não consegue explicar a complexidade do aparelho visual humano. Um dos seus mais peculiares passatempos é fotografar as íris de pessoas que conhece, deliciando-se com a beleza que os diferentes padrões e cores produzem.
Numa festa ele conhece Sofi, uma jovem mística com uma sensibilidade apurada, espírito livre e ideias singulares, possuidora de uns olhos verdes lindíssimos por quem ele se apaixona ime- diatamente. O romance que iniciam é um palco privilegiado que nos permite perscru- tar diálogos interessantes e bem construídos sobre ciência, ateísmo, Deus, espiritualida- de, coincidências, mediunidade, reencarna- ção, filosofia e a disponibilidade para duvidar das convicções que temos por garantidas.
Alguns anos após uma tragédia que ele não conseguiu ultrapassar, Ian vê-se confrontado com a necessidade de questionar todas as bases que motivaram as suas investigações bem-sucedidas e perseguir uma verdade que ele procurou negar durante toda a sua vida. A íris é o tecido que envolve a pupila do olho e cada uma possui um padrão de raios e pre- gas que são únicos. A cor dos nossos olhos vai mudando à medida que envelhecemos mas o padrão das íris permanece inalterá- vel.
A precisão de identificação é tal que mui- tos sensores biométricos estão a ser subs- tituídos pela leitura da íris e retina uma vez Este pequeno livro de Moacir Costa de Araújo Lima, professor na Pontifícia Uni- versidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), licenciado em Física, contribui para compreendermos melhor as rela- ções entre ciência e espiritualidade; mos- trando-nos que estes conceitos “longe de serem antagónicos, são complementa- res.
” O professor Moacir leva-nos a entender que a “Quântica liga-se ao Espiritismo ao estabelecer o primado do livre-arbítrio e, com ele, o da nossa responsabilidade.” Entre muitos assuntos relevantes para os que amam o saber fala-nos de Deus e da reencarnação. Afirma que Deus será objecto da Ciência e não só da Religião e que Allan Kardec, ao lançar as bases da Ciência do Espírito determinou que os seguidores da Doutrina Espírita deveriam buscar afanosamente o conhecimento libertador, ao sentenciar: amai-vos e ins- truí-vos.
Ajudando-nos a entender que o verdadeiro conhecimento leva ao amor, pois se tudo está ligado no Universo, é amando o meu próximo e ajudando-o, que consigo progredir e ajudar-me. Diz-nos, mais, que a reencarnação ─ princípio fun- damental e inamovível do Espiritismo ─ é um instrumento permanente para o Espí- rito rumar à perfeição. que estas oferecem um grau de fiabilidade superior à impressão digital. Os padrões sin- gulares das íris têm sido estudados desde os tempos mais remotos e existiam antigos feiticeiros que até determinavam os destinos das pessoas pela análise das suas íris.
Ac- tualmente ainda resistem algumas técnicas não médicasnem comprovadas cientifica- menteque defendem que é possível des- vendar desequilíbrios de saúde através de uma análise à íris. Este é um filme de ficção científica, baseando parte do enredo na pos- sibilidade ficcionada de, quando a recolha dos dados biométricos das íris for uma práti- ca generalizada e continuada no tempo, ser possível identificar padrões idênticos como pertencendo à mesma alma reencarnada num outro corpo.
A expressão poética dos olhos como janela da alma parece ter inspi- rado os produtores deste filme. “O Universo no Olhar” é um filme indie deli- cioso e inspirador, superiormente realizado e com excelentes prestações de Michael Pitt e da atriz francesa Astrid Bergès-Frisbey. Mais do que um filme com uma temática reencar- nacionista, ele coloca em confronto ciência e espiritualidade sem tabus ou preconceitos. Enquanto parte em busca de explicações lógicas e racionais que permitam entender melhor o mundo, a ciência precisa aceitar a mutabilidade como uma condição funda- mental do conhecimento humano.
A verda- deira ciência questiona constantemente o que se julga acertado (mesmo que tenha sido defendido por génios admiráveis) e isso permite-lhe ser mais tolerante, encontrar erros e insuficiências com maior frequência e dar passos sucessivos de aproximação à verdade. Esse é um dos conceitos mais fantásticos e belos da ciência: não existem ideias intocáveis que estejam impedidas de ser discutidas e questionadas de uma forma lógica e racional, mesmo que sejam as nos- sas próprias convicções.
Da mesma forma, uma vivência saudável em espiritualidade não deveria estar associada simplesmente à crença em algo mas sobretudo à conciliação entre féeo desejo de garimpar a verdade em nós e no mundo, procurando compre- ender o caminho escolhido, não pela lente atrofiada da verdade absoluta mas, como uma aproximação à verdade, o caminho que neste momento mais se adequa à nossa capacidade de entendimento, às nossas sin- gularidades e que responde de uma forma lógica e surpreendentemente admirável à sede de respostas que evidenciamos.
O fil- me mostra-nos que não vivemos num mun- do de ciência ou num mundo de fé. Estas duas perspectivas precisam de se conciliar para podermos alcançar uma compreensão mais profunda sobre quem somos e do mun- do em que vivemos. Título Original: “I Origins” Realizado por Mike Cahill Elenco: Michael Pitt, Astrid Bergès-Fris- bey, Brit Marling EUA, 2014 – 113 min Por Carlos Miguel Ficamos, também, a saber do grande equívoco da esmagadora maioria dos homens: o de estarmos convencidos de que o ter (bens materiais, títulos) é mais importante do que o ser (bom, justo, ho- nesto).
Pois estamos convencidos de que quanto mais possuirmos, materialmente falando, mais consideração teremos; o que demonstra que o egoísmo e o orgu- lho ainda têm demasiado peso na nossa economia espiritual. Tal critério ─ ter em prejuízo do ser ─ de- fine-nos como Espíritos, ainda, em precá- rio grau de evolução, demonstrando-nos à saciedade porque a Terra ─ abençoada escola ─ é ainda um Mundo de Provas e Expiações, conforme informaram os Espí- ritos reveladores a Allan Kardec.
O autor com exemplos e linguagem sim- ples contribui para entendermos os novos conceitos: Física Quântica, relatividade, partículas, energias. A posição no espa- ço das micropartículas que constituem a matéria deixam-nos confundidos e desconcertados. Só agora começamos a questionar, a “arranhar”, a dimensão des- sa realidade que nos escapa aos sentidos e ao raciocínio. Ficamos com subsídios para visionarmos como na longa marcha da evolução criá- mos o conceito de “sobrenatural”.
Mas, agora paulatinamente vamo-nos liber- tando desse conceito, que foi necessário enquanto “crianças espirituais”. Pois, o “sobrenatural”, conforme nos ensinou Herculano Pires é o “natural” desconhe- cido, que a Ciência gradualmente vai inte- grando na realidade cognoscível, ou seja, nas leis naturais. Esta pequena obra é acima de tudo um contributo para entendermos que a ig- norância humana levou-nos a separar a Ciência da Religião, que não devemos confundir com as religiões, que são insti- tuições humanas.
A presente edição portuguesa ─ Luz da Razão Editora ─ está enriquecida com um Prefácio do nosso amigo José Carlos Miranda Lucas. Por Carlos Alberto Ferreira SETEMBRO.OUTUBRO.2017 IMPRESSÃO DIGITAL Camilo Castelo Branco refere, na obra mediúnica “Memórias de um sui- cida”, ditada a Yvonne do Amaral Pereira, um lugar específico, no mundo espiritual, onde os desencarnados suicidas vivem, pela lei de atração e afinidade, os mesmos dramas, dores e aflições por que passaram?
