Correio
Jornal de Espiritismo nº 84 · Setembro 2017Página 33 min
Ninguém gosta de si?! Sofia escreve: «Tenho vindo a aperceber-me que ninguém que está ou esteve presente na minha vida gosta de mim, inclusive os meus próprios pais que me maltratam bastante. Várias pessoas que considerava minhas ami- gas foram-me desiludindo ao longo dos anos e magoaram-me muito. Sinto-me só e mal- -amada. No entanto, sou uma pessoa com uma grande consciência espiritual, muito in- teressada em me melhorar espiritualmente e ao longo da minha vida tenho feito bem às outras pessoas.
Estarei ainda assim em ex- piação? Dizem que as provas às vezes se pa- recem com expiações, pode ser o meu caso? Tenho sofrido muito e queria um pouco de paz e queria ajudar ainda mais as outras pessoas, mas estando em constante sofrimento torna- -se muito difícil». Resposta: «Olá, Sofia. Recebemos a sua men- sagem e parece-nos que lhe faria bem desa- bafar. Quem sabe se visitando a reunião de atendimento de uma associação espírita não se sente melhor?
Neste link encontra várias moradas, pelo que uma decerto será mais próxima de sua casa. Nestes grupos não se cobra nada. Não co- nhecemos todas essas associações sem fins lucrativos, mas pode procurar uma em que se sinta bem e onde possa encontrar apoio para se reequilibrarhttp://adep.pt/todos-os- -distritos É sempre preferível, com toda a consideração e apreço por outrem, centrarmos em nós próprios, por processos de pacificação da consciência, a alegria que devemos criar em torno do nosso dia a dia.
Mesmo assim, faz sentido dizer-lhe que, no nosso caso, se acontecesse desiludirmo-nos com alguém, isso seria apenas porque colo- cámos expectativas excessivas em relação a essa pessoa, logo, convenhamos, teríamos sido nós a criar o problema e não verdadei- ramente a pessoa que nos desapontou, não acha? É sempre preferível, com toda a consideração e apreço por outrem, centrarmos em nós pró- prios, por processos de pacificação da consci- ência, a alegria que devemos criar em torno do nosso dia a dia.
A natureza ensina: não há colheita sem seme- adura. Entre os semeadores, todos sabem que não podem esperar frutos de um dia para o outro. Há regras a observar para que tudo corra bem. Apelamos a que aprenda a substituir as cores do pessimismo pelas da alegria interior. Des- cubra o que gosta de fazer e entre as tarefas que não aprecia fazer, medite nas vantagens que elas trazem ao bem comum. Se equilibrássemos todos os dias o que rece- bemos da vida e o que nos desagrada nela, após uma observação atenta iremos sempre concluir que temos muitas mais razões para estarmos gratos a Deus do que o contrário.
Deixamos as nossas saudações fraternas com votos de muita aprendizagem e progres- so espiritual. ADEP». Provas e expiações A interlocutora diz que «as provas às vezes se parecem com expiações». A terminologia tornou-se comum a partir dos livros de Allan Kardec, por exemplo, quando se descreve a escala dos mundos e se refere os planetas de provas e expiações numa escala evolutiva. O que são realmente provas? São testes atra- vés dos quais avaliamos o grau de assimila- ção de um acervo de conhecimentos.
O que são então expiações? São retornos nos meandros do tempo resultantes de circuitos de causa e efeito articulados pelas leis da na- tureza que estamos a aprender a conhecer melhor. Estas leis respondem frequentes vezes atra- vés da nossa consciência de acordo como grau evolutivo em que nos encontramos. Se o nosso degrau de aperfeiçoamento se situa para trás, a pena de talião que aplicamos a outrem retorna sobre nós próprios, uma vez que os pomos a jeito.
Se esse degrau começa a chegar ao horizonte evolutivo de um planeta de regeneração, onde o bem predomina, toda a tolerância e altruísmo com que entendamos o comportamento alheio retorna igualmente sobre nós próprios, atenuando a dureza da expiação com que os circuitos da vida nos al- cançam. Daí que Jesus de Nazaré tenha explicado com plena atualidade que com a medida com que julgarmos os outros com essa mesma medida seremos avaliados, pela nossa própria consci- ência, no sincronismo de uma interpretação inevitável que faremos das leis naturais.
Convém, assim, ensaiar a capacidade de per- doar sempre que tal se proporcione. Em bene- fício de todos, em nosso próprio benefício. Há sempre alguém!... Claro que gostam de si. Esta é uma das questões que foram enviadas por e-mail… foto ulisses.com.pt SETEMBRO.OUTUBRO.
