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assim porque os bens materiais são ne- cessários à vida do ser humano

Jornal de Espiritismo nº 84 · Setembro 2017Página 193 min

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É assim porque os bens materiais são ne- cessários à vida do ser humano. Vemos, porém, que no modelo de socie- dade urbana que impera hoje em dia os bens materiais são entendidos numa ver- tente de abundância com uma compo- nente de grande desgaste de recursos, o que obriga à sua substituição por mode- los mais modernos, como ocorre com por exemplo computadores ou automóveis: o tempo de vida dos produtos é intencio- nalmente curto para manter as vendas.

Gregária, a espécie humana quando aco- lhe um novo membro na família no forma- to de um bebé vai dar-lhe um enquadra- mento cultural específico e ele tende a ser formatado para uma função – é livre dentro de limitações. Ainda assim pode aprender, pensar e decidir por um eleva- do número de opções que lhe permitem estar e participar em regime de compen- sação de consciência. Entende-se que consumo restringe-se ao uso necessário e equilibrado dos bens materiais imprescindíveis ao bom êxito Consumo e consumismo da passagem pela Terra nas experiências que proporciona o corpo material.

Por sua vez, o consumismo tem a ver com a sofreguidão da posse. Há mesmo necessidades de natureza espiritual que se agitam no inconsciente do ser às quais algumas pessoas respondem com maior consumo de bens materiais, sem discer- nir sobre as verdadeiras causas desse anseio. Resultado? Frustração. A nível global, o consumo excessivo tem duas vertentes pelo menos – ora dese- quilibra a balança da sustentabilidade da produção-desgaste dos recursos naturais ora gera poluição.

É «poluente toda a substância ou agen- te físico que provoca, de forma direta ou indireta, qualquer efeito adverso no am- biente». O consumo galopante dos recursos natu- rais caminha para situações de escassez desses mesmos recursos. Resultado? Comportamentos em que a violência re- crudescerá. No espiritismo – ou doutrina espírita – este fio de considerações ganha outra amplitude, pois junta-se-lhe, por exemplo, o conceito das vidas sucessivas.

Quem parte da vida material acaba por voltar e o estado de degradação/conservação da natureza para o qual contribuir sugere uma linha de reencontro nos circuitos da lei de causa e efeito. Além disso, é de considerar que há tam- bém poluição de natureza espiritual. Já ouviu falar de psicosfera? O conceito de psicosfera é atribuído ao Espírito André Luiz na psicografia do mé- dium Francisco Cândido Xavier – livro «Nosso Lar» – e significa «um campo re- sultante de emanações de natureza ele- tromagnética a envolver todo o ser huma- no, encarnado ou desencarnado.

Reflete não só a sua realidade evolutiva, o seu padrão psíquico, como a sua situação emocional e o estado físico do momento». Também o Espírito Joanna de Ângelis, pela psicografia do médium Divaldo Pe- reira Franco, no livro “Após a tempesta- de”, aborda o problema: «Ecólogos do mundo inteiro preocupam-se na atualida- de com a poluição devastadora que resul- ta em detritos superlativos que são atira- dos aos oceanos, lagos e “terras inúteis” circunjacentes às grandes metrópoles, como tributo pago pelo conforto e pelas conquistas tecnológicas».

E ainda: «(…) referimo-nos à poluição mental que interfere na ecologia psicos- férica da vida inteligente, intoxicando de dentro para fora e desarticulando de fora para dentro. Estando a Terra vitimada pelo entrechoque de vibrações, ondas e mentes em desalinho, como decorrência do desamor, das ambições desenfrea- das, dos ódios sistemáticos (…) a polui- ção mental campeia livre, favorecendo o desbordar daquela de natureza moral, fator primacial para o aparecimento das outras que são visíveis e assustadoras».

Pensamentos bons e atitude cívica aju- dam a melhorar o mundo. Fonte – Curso Básico de Espiritismo, ADEP, caderno 11. foto arquivo SUSTENTÁVEL Na explicação da lei de conservação, constante do livro terceiro de «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, uma das ideias fortes que os Espíritos esclarecidos deixam é a do uso em detrimento do abuso. A nível global, o consumo excessivo tem duas vertentes pelo menos – ora desequilibra a balança da sustentabilidade da produção-desgaste dos recursos naturais ora gera poluição.