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Crónica

Jornal de Espiritismo nº 84 · Setembro 2017Página 144 min

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Como se já não bastasse a problemática do aquecimento global do planeta e a des- truição dos ecossistemas por parte do ser humano, na sua ânsia irracional de “ter” cada vez mais, numa vida que rapidamente se dilui no tempo, vai ocorrendo na socie- dade mundial outro fenómeno interligado: o esquecimento global dos valores ético- -morais. Há algum tempo, em Portugal, dois gover- nantes foram demitidos por terem mentido, apresentando-se como licenciados, quan- do não possuíam nenhum título académi- co.

Do ponto de vista ético-moral é uma situação tão grave que, num país civilizado, seria um terramoto político com demissões em massa. O mesmo já ocorreu noutros tempos, com outros partidos e outras figuras políticas. Não nos move nenhuma atitude de simpa- tia ou antipatia política. Objectivamos anali- sar apenas as atitudes dos seres humanos. Vivemos momentos graves, onde o que ou- trora era nobreza de carácter hoje é estar ultrapassado, o que era roubo hoje é opor- tunidade, o que era mentira hoje é ponto de vista, o que era dignidade hoje é fraqueza de espírito, o civismo é hoje trocado pela má educação.

Vemos os professores a serem maltratados pelos educadores, ao invés de os apoia- rem, para educarem os seus educandos. Quando o exemplo vem de cima, do Estado, com leis obscuras, com roubos sucessivos e desvios de dinheiro privados e públicos por parte de entidades bancárias, com múl- tiplas fraudes dos agentes políticos e eco- nómicos tornadas públicas, sem qualquer consequência social, o povo tende a seguir o mau “exemplo” de quem os governa.

Aos espíritas cumpre alertar para o “Esquecimento Global” dos conceitos ético-morais que vige na sociedade, não só falando, escrevendo, mas acima de tudo exemplificando. Como educar as crianças nas escolas e falar-lhes de virtude, em educação cívica, quando o Ministro da Educação de Portu- gal, tendo conhecimento de um Chefe de Gabinete ter mentido e não possuir nenhum título académico, mesmo assim manteve-o no cargo, sendo conivente, até ao momento em que um jornal, Observador.

pt, desmas- carou o caso? Há quem diga que o mundo não tem saída, não tem cura… Na óptica da Doutrina Espírita (ou Espiritis- mo), uma filosofia de vida que não é mais uma religião nem mais uma seita, existe, sim, solução. A solução passa pela reencarnação de Espí- ritos mais honestos e sérios, que vêm reen- carnando desde o fim do século XX, na opi- nião de muitos benfeitores espirituais que se vêm comunicando através de médiuns de todo o mundo.

Mas, mesmo ocorrendo esse fenómeno da mudança parcial dos actores sociais, cum- pre-nos, a nós que estamos hoje no palco da vida, fazermos a nossa parte. O mal só viceja pela ausência de atitude as- sertiva por parte dos bons. Se nos cumpre sermos tolerantes, compre- ensivos com tudo e com todos, cumpre-nos igualmente dar o exemplo de honestidade, recusar mordomias ou ser beneficiado em detrimento de outrem. Cumpre-nos vivenciar que o ser humano não vale pelo que “tem”, mas sim pelo que é, como pessoa.

Cumpre-nos valorizar a honestidade, a au- tenticidade, ao invés de currículos pejados de títulos, muitas vezes sabe-se lá a troco de quê. Cumpre-nos valorizar a solidariedade ao in- vés da competição. Cumpre-nos pagar ordenados justos aos empregados, mesmo que acima do estipu- lado em lei. Cumpre-nos dar o nosso melhor, na con- dição de trabalhador, em prol do bem co- mum. Cumpre-nos sermos cidadãos activos no bem de todos, sem desperdiçarmos re- cursos que pertencem à comunidade.

Dos espíritas espera-se a árdua tarefa de divulgarem a imortalidade do Espírito e a reencarnação, baseadas em factos científi- cos, levando as pessoas a descobrirem que são seres imortais, e que as suas atitudes e Esquecimento global sentimentos serãooúnico património que levarão para o mundo espiritual, após o de- cesso do corpo físico. Desse património advirá o bem-estar, a paz, a felicidade ou a dor (de acordo com o nos- so íntimo), até que surja nova oportunidade de reencarnar na Terra, em nova experiên- cia evolutiva, intelectual e moral.

Aos espíritas cumpre alertar para o “Esque- cimento Global” dos conceitos ético-morais que vige na sociedade, não só falando, es- crevendo, mas acima de tudo exemplifican- do. Aos espíritas cumpre mostrar que vale a pena amar, ser honesto, autêntico, ter paz de espírito, ao invés de ter os cofres cheios de tesouros, que a traça da corrupção rapi- damente consome, deixando no íntimo do seu autor focos de “infecção espiritual”, a diluírem-se dolorosamente, em futuro pró- ximo, no mundo espiritual e/ou em futuras reencarnações.

Se Jesus de Nazaré nos deixou o precioso ensinamento para não fazermos ao próxi- mo o que não desejamos para nós, o Espi- ritismo vem apontar o caminho da caridade como o único que nos eleva espiritualmen- te, dentro da assertiva de que “Nascer, mor- rer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”. Por José Lucasjcmlucas@gmail.com foto ulisses.com.pt A opinião é unânime: o clima na Terra mudou devido ao aquecimento global do planeta.

No entanto, outro fenómeno, tão ou mais preocupante, ocorre: o esquecimento (dos valores ético-morais) global na Terra, que ameaça a vida em sociedade. Qual o contributo do Espiritismo para estas situações? SETEMBRO.OUTUBRO.