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Jornal de Espiritismo nº 85 · Novembro 2017Página 55 min

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Epilepsia e Obsessão – II parte Assunto mais que pertinente o que vai apontado no título, iniciado na edição anterior, conclui-se agora na presente edição deste jornal. Na sequência do que foi antes explicado, também temos de fazer o diagnóstico diferencial da epilepsia com outras patologias orgânicas: • 1. Síndrome vaso – vagais – ocorre a perda transitória de consciência, não traumática e autolimitada, cuja fisiopatologia básica é a hipoperfusão cerebral difusa e transitória de sangue para o cérebro.

É comum na adolescência e traduz um défice de auto-regulação cerebral gerando hipoperfusãoeasíncope, o que nada tem a ver com o diagnóstico de Epilepsia. • 2. Crises não epilépticas psicogénicas / Crises conversivas (PNES) - “Cerca de 4% de todos os pacientes supostamente epilépticos e até 20% dos indivíduos encaminhados a centros de estudo de epilepsia não apresentam crises epilépticas de fato, mas, outras afeções, como por exemplo as crises conversivas (psicossomáticas), geralmente fruto de estados de ansiedade.

E para dificultar o diagnóstico de Epilepsia, sabe-se que mesmo em pacientes reconhecidamente epilépticos, parecem coexistir crises epilépticas e crises não epilépticas (CNE) em 10% a 30% dos casos”. “Nonepileptic seizures: clinical features and therapeutics”. Oliveira Guilherme et al. As crises não epilépticas (CNE) psicogénicas são episódios súbitos e autolimitados com características semelhantes a crises epilépticas podendo ser confundidas com estas.

O mecanismo subjacente parece ser psicológico e ocorrer de forma inconsciente. Nesta categoria poderíamos encaixar algumas situações de influência espiritual – nas quais as manifestações não são totalmente características de uma crise epiléptica, mas, são de fundo espiritual. • 3. Crises convulsivas de outras etiologias Apresento o caso “Marta”, uma Jovem de 14 anos, com crises de desmaios súbitos desde os oito anos de idade.

As crises pioraram no início da adolescência. Foi investigada através de exames complementares de diagnóstico, tais como: Eletro-encefalograma (EEG) – normal; Tomografia Crânio-encefálica (TAC- CE) - normal; Ressonância CEnormal; Vídeo – EEG – normal; ECG – normal; Holter 24h – normal; Tilt – normal. A jovem também procurou o centro espírita, tendo feito tratamentos espirituaissem resultados. Continuava com desmaios.

Não respondeu ao uso de anti - -convulsivantes e obteve o diagnóstico de Síndrome vaso-vagal, sendo tratada para o efeito e com melhora da sintomatologia dos desmaios súbitos; não se configurando um caso de obsessão e nem de epilepsia, apesar de sua apresentação. O caso da utente “Lúcia” faz-nos pensar nas Crises convulsivas de outras etiologias. Trata-se de uma utente de 81 anos que sofreu uma queda com perda de conhecimento.

Após a queda iniciou quadro de alucinações auditivas intermitentes. A utente referia “Dr.ª, ouço músicas inteiras dentro da minha cabeça!”, atribuindo as mesas a um fenómeno obsessivo. Dizia: “Acho que estou obsidiada”, sic. Refere: “comecei por ouvir hino nacional, depois a “Ave Maria”; “Lá vem, lá vem!”; “Passará, passará… ”; “hino do Benfica, SLB”; “Oh, que linda faleira!”…; “Parabéns a você!”; “Noite de Paz, noite de Luz!

”. Todas elas músicas suas conhecidas. Realizou exames complementares: TAC- CEcom sinais de atrofia cerebral – subcortical difusa. E a hipótese diagnóstica foi de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), na altura em que caiu com perda de consciência. O jovem outrora havia cometido excessos de autoridade, que não soube usar num sentido construtivo. A utente foi medicada com anti-convulsivantes em baixa dose e houve total remissão de sintomas.

Justificando assim a apresentação de uma Epilepsia pós-AVC. Em contrapartida, verificamos casos de sintomatologia, estimulada por entidades espirituais. André Luiz, no livro “No Mundo Maior” – Cap. 8, refere-se ao caso Marcelo, que apresentava um quadro de epilepsia – grande mal, com convulsões noturnas. O jovem outrora havia cometido excessos de autoridade, que não soube usar num sentido construtivo. No passado precipitou-se em caprichos criminosos e apesar da sua consciência espiritual atual, sofria os “ataques “ noturnos, fruto da antevisão dos verdugos do passado.

Os espíritos explicaram que não havia processo obsessivo atual, mas, ao desencarnar foi perseguido pelos que desejavam vingança e, sentindo a aproximação espiritual destas entidades, ele próprio caía em convulsões, pelo seu processo de culpa e da memória do passado ainda plasmado na sua mente. A libertação do Marcelo demorou pelo seu remorso, o que o mantinha em sintonia com os seus credores. E no presente, ao rever ou rememorar os antigos adversários, era acometido por epilepsia por reflexo condicionado.

Durante o desprendimento noturno, na presença destes algozes do passado, as condições mentais alteravam-se-lhe, deTer epilepsia significa estar obsidiado pelos espíritos? sorganizando a estrutura mental e perispiritual, com repercussão no corpo físico. André Luiz assevera que o remédio eficaz para este mal é a fé positiva; a autoconfiança, o trabalho digno e pensamentos enobrecedores... no processo de libertação do passado delituoso e da reforma íntima.

André Luiz também apresenta o Caso Pedro, no livro “Nos Domínios da Mediunidade”, Cap. 9. Pedro era acometido de crises convulsivas na presença do seu obsessor durante as sessões mediúnicas. (Caso de Possessão). O mentor Áulus explicou ser um caso de epilepsia secundária, pois a sintomatologia só ocorria na presença do obsessor. Desaconselhou a participação nas reuniões mediúnicas, até Pedro desenvolver recursos pessoais no seu próprio reajuste, através da reformulação interior.

O obsessor havia sido o seu irmão no passado e Pedro havia seduzido a sua esposa, levando o seu irmão à loucura. Observamos assim, que todas as nossas atitudes têm uma consequência, gerando em nós processos de saúde e bem-estar ou culpa e doença nesta relação de causalidade. Por fim, recomendamos nos casos de epilepsia: 1. O tratamento médico clássico, indispensável para um maior controlo das cries. 2. O tratamento espiritual: onde se inclui a fluidoterapia; a desobsessão – quando ela exista – com esclarecimento para o encarnado e para o desencarnado; a reforma íntima e a educação da família, porque na maior das vezes, trata-se de um resgate não só do indivíduo, mas, de toda a família, pelo sofrimento que esta condição acarreta dentro da mesma.

“Longe vai o tempo em que a razão admitia que o paraíso ou o purgatório como simples regiões externas: céu e inferno, em essência, são estados conscienciais, e se alguém agiu contra a lei, ver-se-á dentro de si mesmo em processo rectificador”, sendo este o sentido da doença, não como uma punição, porque não admitimos um Deus que castiga, mas, como um processo de reajuste com as leis de Deus que são leis de equilíbrio e de amor, no processo de evolução para o qual todos nos destinamos.

* Por Gláucia Lima, médica psiquiatra, Terapeuta com Formação em Terapia Familiar e Abordagem Sistémica, Psicodrama; Terapeuta Transpessoal. Bibliografia: “O Evangelho Segundo O Espiritismo”, Allan Kardec; “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec; “A Génese”, Allan Kardec; “Nos Domínios da Mediunidade”, André Luiz; “No Mundo Maior”, André Luiz; “Grilhões Partidos”, Divaldo P. Franco; “Consultório”, Gláucia Lima. NOVEMBRO.