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Capa da edição nº 85 do Jornal de Espiritismo

85Jornal de Espiritismo nº 85

Novembro 2017 · 20 secções · ≈ 68 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo aborda a importância da cooperação, tanto na natureza quanto no contexto humano e espírita. Destaca o atendimento fraterno em centros espíritas como um serviço essencial e gratuito de orientação. Traz reflexões sobre educação, criticando a supervalorização da formação intelectual em detrimento da moral. Apresenta ainda depoimentos e respostas sobre fenómenos mediúnicos, visões de vultos e experiências de coma, oferecendo uma perspetiva espírita sobre estas vivências.

Cooperação
Espiritismo
Atendimento Fraterno
Educação
Mediunidade
Experiências Pós-Morte

Capa

Página 11 min

85 JDE NOVEMBRO . DEZEMBRO . 2 0 1 7 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 O atendimento é um dos serviços prestados pelas associações espíritas. Em privado, fraternalmente, e sem qualquer tipo de remuneração, nesse encontro pessoas formadas para tal tarefa escutam as preocupações de quem pede para dialogar e proporcionam uma orientação com base no bom senso e nos conhecimentos doutrinários.

O Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha apresentou os resultados de um inquérito com dados interessantes… 5 CONSULTÓRIO EPILEPSIA E OBSESSÃO: II PARTE Ter epilepsia significa estar obsidiado pelos Espíritos? foto ulisses.com.pt Atendimento: quem vai ao centro espírita? 9 ENTREVISTA MEDIUNIDADE E MEDICAMENTOS Roberto Lúcio V. de Souza esteve de passagem por Portugal... 12 PESQUISA EXISTE AQUI UM PADRÃO? Nas contagens há uma relação curiosa...

19 SUSTENTÁVEL O VALOR DE PEQUENOS GESTOS Reduzir a pegada ecológica… 10 ANOXIV NOVEMBRO.DEZEMBRO.

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Editorial / Conto

Página 25 min

EDITORIAL / CONTO O luar estava suspenso entre as constelações veladas pelos lampiões da rua. Paredes meias, a conversa corria sobre rodas. “Ia bem era com prémios para estimular as pessoas a responderem ao inquérito”, diz uma voz amiga. “Na faculdade há prémios para os melhores posters”, reforça. Se fosse professor como lidaria com a alegria de um e as tristezas de outros por não terem conseguido ganhar? Alguns alunos acentuariam até a crença de que não teriam talento para competir com os mais pontuados, sem perceberem que terão capacidades que esses não têm.

Decerto investiria na educação. Conseguiria fazer florescer a noção da consciência premiada pelo dever cumprido? Acenar com rebuçado e chocolate atiça a atenção do povo – coisa antiga, é certo. Mas num mundo melhor que esteja para vir a tarefa dispensa o prémio superveniente, já que se cumpre na alegria do dever, à luz da cooperação. Ali ao pé, mesmo sem olhar na luz coada pela noite, se procurar no cimento do passeio há líquenes.

A natureza tem páginas e páginas que revelam as linhas de força insuperáveis da cooperação. A alga e o fungo juntam-se a favor da mútua sobrevivência naquele local: a alga alimenta o fungo, este protege a alga de perdas de água comprometedoras. Assim explica na década de 1950 o Espírito André Luiz no livro psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira intitulado “Evolução em Dois Mundos”. A natureza tem páginas e páginas que revelam as linhas de força insuperáveis da cooperação.

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Correio

Página 34 min

Um vulto no meu quarto Cristina escreve: «Bom dia! Encontro-me numa situação estranha e não sei bem quem contactar. Espero que me possam dar alguma orientação. Tenho 42 anos. Há cerca de três anos, vi pela primeira vez, um vulto no meu quarto. Era um vulto de uma pessoa e vi-o por volta das três da manhã, quando acordei. Mais tarde, voltei a vê-lo, novamente no meu quarto, eu tinha acabado de sair do banho. Vi-o entrar no quarto e vi-o sair.

Nesta altura eu estava casada, e pensei seriamente que era o meu marido a pregar-me partidas. Mas, da primeira vez, ele estava a jogar numa consola eletrónica e da segunda estava do outro lado da casa, o que impossibilitava que fosse ele. Já divorciada, voltei a ver um vulto a sair do meu quarto, quando acordei a meio da noite. E agora, o que acontece mais frequentemente é sentir como se fosse um gato a caminhar por cima de mim, quando estou deitada.

A encostar-se, a amassar com as patinhas junto às minhas pernas. Geralmente acordo, por me sentir tocada, penso que é a minha gata, no início até falava com ela, mas de todas as vezes ela estava a dormir na cama dela. Tenho algumas crenças, mas não me identifico com nenhuma religião. Não sei o que pensar desta situação. Não sei se é esperado que eu faça alguma coisa. Não sei se é algum tipo de mensagem... se é, eu não a estou a descodificar.

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FEP Parceiros na educação Dia 19 de novembro o Departamento Infanto-Ju

Página 41 min

FEP Parceiros na educação Dia 19 de novembro o Departamento Infanto-Juvenil da Federação Espírita Portuguesa (FEP) organiza o ENEij’17 com a participação de Miriam Masotti Dusi, colaboradora da Federação Espírita Brasileira. A participação é gratuita, mas a inscrição incontornavelmente obrigatória. Esta pode ser efetuada on-line através do formuláriohttps://goo.gl/u684nK Saiba mais no site da FEP. Site da Federação O site da Federação Espírita Portuguesa – www.

feportuguesa.pt – coloca-o todos os dias ao corrente das atividades em curso, referindo ainda eventos organizados com o seu apoio ao longo do país. Com sede na cidade de Amadora, a poucos quilómetros de Lisboa, a Federação organiza workshops, formações, abre as portas e ministra palestras públicas semanais, para além de oferecer outros serviços. Merece porventura um especial destaque a vasta livraria, que também tem versão on-line, onde encontra inúmeros títulos das obras mais significativas do movimento espírita, sem descurar a literatura dedicada à infância.

Quase tão simples como dar um clique no rato do seu computador. Itens apetecíveis para a maior parte dos visitantes deste site, no mundo grande da Lusofonia, são decerto as conferências de Divaldo Pereira Franco, o mais conhecido orador brasileiro, disponíveis no site a partir do canal de Youtube da FEP. Estas e outras razões levá-lo-ão com certeza a visitar de quando em quando o site da Federação. Vá la! Clique… NOVEMBRO.

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Consultório

Página 55 min

Epilepsia e Obsessão – II parte Assunto mais que pertinente o que vai apontado no título, iniciado na edição anterior, conclui-se agora na presente edição deste jornal. Na sequência do que foi antes explicado, também temos de fazer o diagnóstico diferencial da epilepsia com outras patologias orgânicas: • 1. Síndrome vaso – vagais – ocorre a perda transitória de consciência, não traumática e autolimitada, cuja fisiopatologia básica é a hipoperfusão cerebral difusa e transitória de sangue para o cérebro.

É comum na adolescência e traduz um défice de auto-regulação cerebral gerando hipoperfusãoeasíncope, o que nada tem a ver com o diagnóstico de Epilepsia. • 2. Crises não epilépticas psicogénicas / Crises conversivas (PNES) - “Cerca de 4% de todos os pacientes supostamente epilépticos e até 20% dos indivíduos encaminhados a centros de estudo de epilepsia não apresentam crises epilépticas de fato, mas, outras afeções, como por exemplo as crises conversivas (psicossomáticas), geralmente fruto de estados de ansiedade.

E para dificultar o diagnóstico de Epilepsia, sabe-se que mesmo em pacientes reconhecidamente epilépticos, parecem coexistir crises epilépticas e crises não epilépticas (CNE) em 10% a 30% dos casos”. “Nonepileptic seizures: clinical features and therapeutics”. Oliveira Guilherme et al. As crises não epilépticas (CNE) psicogénicas são episódios súbitos e autolimitados com características semelhantes a crises epilépticas podendo ser confundidas com estas.

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Breves

Página 64 min

Leiria: Fórum Espírita Realizou-se na Associação Espírita de Leiria, em 16 e 17 de setembro de 2017, o XXIV Fórum Espírita, em Leiria, que teve como tema basilar “Os Arquétipos e os Núcleos em Potenciação na Evolução Espiritual”. O Fórum iniciou-se na manhã ensolarada de sábado, dia 16, com o tenor João Paulo Ferreira, que apresentou duas peças, sendo uma delas o fado “Foi Deus”, de Amélia Rodrigues, a outra a “Avé Maria” de Franz Schubert, e que encantou a todos com a sua belíssima voz.

Em seguida, a presidente da Associação Espírita, Isabel Saraiva, convidou, para compor a mesa, o presidente da Federação Espírita Portuguesa (FEP), Vítor Féria, e o primeiro palestrante do dia, Dr. José Rubim de Carvalho. Após as boas-vindas do presidente da FEP, iniciaram-se as palestras. Neste primeiro dia o evento contou com a participação de três oradores, o já referido Dr. José Rubim de Carvalho, médico de Clínica Geral e de Medicina do Trabalho e terapeuta de vidas passadas e de florais, que proferiu duas palestras, a Dra.

Gláucia Lima, psiquiatra e psicoterapeuta especializada na Abordagem Transpessoal, e o Dr. Nuno Cruz, professor universitário de Física. Na sua primeira palestra, o Dr. José Rubim esclarecendo os conceitos de “arquétipos” e de “núcleos em potenciação”, conduziu-nos pelo aprendizado do papel fundamental de minúsculos componentes encontrados nas mitocôndrias que, por sua vez, são encontradas aos milhares em nossas células corporais; esses componentes, chamados de grânulos, formam, a grosso modo, o elo entre o nosso corpo perispiritual e nosso corpo físico, armazenando potencialmente as tendências que trazemos de outras existências.

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Breves (pág. 7)

Página 71 min

VIII Jornadas de Cultura e Arte Espírita da Região de Aveiro Aloísio Silva esteve na região de Aveiro, no período de 13 a 22 de setembro de 2017, realizando palestras em diversos centros espíritas, tais como Consolação e Vida, Mar de Esperança, Maria de Nazaré, Estrela de Aveiro, Centelha de Luz, Luz e Paz, Nosso Lar, Amor Fraterno e Associação Espírita de Leiria. Aloísio Silva é professor de filosofia, psicanalista, escritor e especialista em terapia regressiva a vidas passadas e, foi o orador das VIII Jornadas de Cultura e Arte Espírita da Região de Aveiro, no dia 16 de setembro de 2017, tendo como tema central “Convivências: na família, na vida a dois, na casa espírita e com os Espíritos”, realizado no Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, com um público de cerca de 200 pessoas.

Após cada painel, houve um debate, com perguntas e respostas, elaboradas pela organização e pelo público, que enriqueceram em muito as jornadas. O evento foi encerrado com uma belíssima apresentação do professor de música Miguel Rodrigues. No dia 17 de setembro, domingo, Aloísio Silva dinamizou um encontro com trabalhadores espíritas da região aveirense, na sede da Associação Espírita Luz e Paz, subordinado ao tema “Atendimento fraterno na casa espírita”.

As jornadas e o encontro foram organizados pela União Espírita da Região de Aveiro (UERA), bem como uma entrevista na rádio Terra Nova e no «Diário de Aveiro», publicada no dia das Jornadas. Por Luténio Faria foto nunomateus NOVEMBRO.DEZEMBRO.

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Reportagem

Página 83 min

Na sua 5.ª edição, a cidade de Blumenau acolheu o Fórum Espírita Internacional de Blumenau (FOREBLU), organizado pela Comunidade Espírita Irmã Lúcia (CEIL), um dos centros espíritas da cidade. Com uma organização muito boa e um naipe de trabalhadores dedicados e empáticos, o 5.º FOREBLU começou ao som da música de Felicidade Cordel, tendo como ponto alto do dia 15 de setembro o teatro dos “Amigos da Luz”, intitulado “Muito Além da Janela”.

Com um excelente elenco, a história que nos prendeu ao palco durante mais de uma hora, abordava todas as idiossincrasias do ser humano, alicerçadas no egoísmo, no ter em vez do ser, apontando na parte final da peça horizontes de partilha, fraternidade, no sentido de aprender a viver em conjunto com as diferenças. Sábado, 16 de setembro, José Lucas (Portugal) apresentou o tema “Espionagem Psíquica: o uso da percepção extra-sensorial na busca de informações militares”, seguinEducar, aprimorar, evoluir do-se José Araújo (Blumenau) com o tema “Antes, hoje e amanhã: aprendizagem e evolução”.

Após o almoço, Moacir Lima (Porto Alegre) abordou o tema “Corta a corda: um voo para a liberdade”. Após as conferências, Felicidade Cordel apresentou uma palestra cantada intitulada “Sempre há esperança”, seguindo-se um espaço de lanche volante, com espaço de livraria e autógrafos, encerrando o dia com um debate com os palestrantes. Domingo, dia 17 de setembro, Moacir Lima abriu os trabalhos com o tema “Ciência, Espiritismo e Amor: a arte de viver”, música com Felicidade Cordel, seguindo-se o médium José Araújo com o tema “Saúde, melhoramento e felicidade”, abordando a temática da autocura, bem como a tese de que muitas das doenças foram inventadas pela indústria farmacêutica, e que urge mudar de paradigmas, no lançamento do seu livro “Você é a cura – Vol.

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Entrevista

Página 95 min

Nos seus tempos livres tem várias responsabilidades, sendo uma delas a vice-presidência da Associação Médico- Espírita do Brasil (AME-Brasil), sendo autor e co-autor de vários livros. Colocámos-lhe algumas perguntas numa entrevista que pode encontrar num vídeo de 20 minutos no canal de YouTube da Associação Médico-Espírita do Norte (AME Norte). Quatro dessas indagações foram as seguintes: - Como se interessou pelo espiritismo?

Roberto Lúcio Vieira de SouzaComecei a trabalhar com mediunidade aos 15 anos de idade, mas nessa época eu ainda não era espírita. Frequentava então um grupo familiar que tinha uma atividade ligada a cultos afro-brasileiros. Com aproximadamente 19 anos de idade eu colaborava num trabalho assistencial num leprosário quando conheci um dos discípulos de Eurípedes Barsanulfo. Era um dos últimos ainda encarnados, que morava em Belo Horizonte, e ele e a esposa convidaram-me para uma reunião na casa espírita em que trabalhavam.

A partir dali, de um convite, de uma conversa com eles, passei a frequentar a União Espírita Mineira, no estado de Minas Gerais, no Brasil, e a partir daí comecei a trabalhar dentro do movimento de juventude. Vão lá já à volta de 40 anos de atividades dentro do movimento espírita. - A mediunidade leva à loucura? Roberto Lúcio Vieira de Souza – A loucura é uma doença e deve ser referido que o próprio Allan Kardec na primeira parte de «O Livro dos Médiuns» se preocupou em mostrar que a mediunidade não leva ninguém à loucura.

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Centrais

Página 101 min

Atendimento: quem vai ao centro espírita? Um dos serviços prestados pelas associações espíritas é o de atendimento a quem o procura. Em privado, fraternalmente e sem qualquer tipo de remuneração, pessoas formadas para essa tarefa escutam as preocupações de quem pede para dialogar e proporcionam uma orientação com base no bom senso e nos conhecimentos doutrinários. NOVEMBRO.DEZEMBRO.2017

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Centrais (pág. 11)

Página 114 min

O Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha (CCE) apresentou os resultados de um inquérito realizado este ano sobre atendimento no centro espírita com dados interessantes. No poster em causa o tema está bem definido: «Etimologicamente a palavra atender deriva do latim attendĕre , prestar atenção a. No Atendimento ao Público o colaborador do centro espírita recebe, escuta, encaminha e acompanha as pessoas que procuram auxílio».

Numa noite de outono uma senhora com meio século bem contado acabou de escutar a palestra no centro espírita. Enquanto o chamado passe espírita decorre o atendimento individual sucede - -se. Como o marido partiu desta vida tem necessidade de falar em privado com a equipa destacada para o atendimento. Outro caso apresenta o problema próprio de uma mediunidade a aflorar, sente de modo incontornável a presença de Espíritos desencarnados e isso inquieta.

Alguém confessa pensar em suicidar-se, um lapso terrível como as comunicações evidenciam. Outros diálogos sucedem-se, semana após semana, cada um na sua tipologia, mas todos são acolhidos por uma escuta fraterna, palavras boas que recomendam calma para oportunizar a recolha de informações úteis capazes de solucionar a preocupação premente a favor de uma vida de paz e alegria com epicentro no próprio ser espiritual que cada um é de facto.

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Opinião

Página 126 min

Reuniões mediúnicas: existe aqui um padrão? Tudo começou por causa da tecnologia. Quando participávamos em reuniões mediúnicas há 30 anos, não havia gravadores digitais, mas apenas registos feitos em fita magnética. Comprar cassetes para mais do que algumas reuniões ficava caro, e isso desencorajava. Gravar por cima semanalmente também não dava muito tempo para arquivar dados, já que tudo isto é feito em horário pós-profissional.

Quando retomámos há cerca de cinco anos o serviço mediúnico com alguns amigos devidamente formados para esse efeito, já havia, até por outras razões, um gravador digital. Com espaço no disco rígido do computador, após cada reunião era possível descarregar o ficheiro de áudio numa pasta sem mais custos. Isso viria a permitir selecionar histórias espontâneas e, sem fugir do rigor do registo objetivo, partilhá-las como matéria elucidativa, a talhe de foice, nalgum estudo conjunto.

Nessa altura levantou-se um problema. Imagine como poderíamos depois saber que ficheiro de som interessava particularmente, numa pasta com dúzias de ficheiros? Teríamos de abrir um a um! Só a data não chegava. Tornou-se desde logo forçoso criar um índice em forma de tabela. Nele constava a data, as pessoas presentes, o teor da comunicação mediúnica, a sua duração e algumas outras observações, preenchidas no dia seguinte à reunião mediúnica.

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Opinião (pág. 13)

Página 134 min

Esta mulher americana, natural de Chicago (EUA), teve uma gravidez saudável e com poucas complicações mas, a partir da vigésima semana de gestação, começou a ter premonições tão fortes que ficou convicta de que não iria sobreviver ao parto. Sentia que todo o seu corpo estava em hemorragia e, apesar de não se encontrar a perder sangue nem haver qualquer sintoma físico que os médicos pudessem detectar, em alguns momentos julgava-se a desfalecer.

À trigésima semana de gravidez, Stephani informou a sua médica que continuava a ter sonhos e pressentimentos muito intensos sobre o seu estado de saúde, pedindo-lhe que destacasse um especialista em histerectomia na equipa que iria auxiliá-la no parto. Ela pressentia que seria necessária fazer uma remoção do útero após dar à luz. A médica prescreveu-lhe a realização de uma ressonância magnética que não evidenciou qualquer anomalia e, para tranquilizá-la, disse-lhe que iriam ser disponibilizados instrumentos e logística suplementar na sala de parto para o caso de uma eventual emergência.

Nesse penúltimo dia de maio, quando deu 37 segundos à luz o seu precioso rebento, Stephani sofreu uma embolia do líquido amniótico. Quando isto acontece, o líquido que rodeia o feto dentro do útero entra na corrente sanguínea da mãe produzindo uma reação alérgica que pode provocar colapso, choque ou até paragem cardíaca. Durante 37 segundos, o monitor de impulsos cardíacos medidos pelo electrocardiograma mostrou uma linha recta e assinalava um apito contínuo, sinais conhecidos de falência do coração.

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Crónica

Página 144 min

Francisco Cândido Xavier nasceu em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, Brasil, em 2 de Abril de 1910, tendo largado o corpo físico pelo fenómeno natural da morte em 30 de Junho de 2002, em Uberaba, Brasil. Homem simples, de uma bondade e generosidade acima da média, sempre viveu com muitas dificuldades, tendo levado sempre uma vida espartana, própria dos grandes espiritualmente iluminados, na Terra. Chico Xavier, como era conhecido, foi o maior médium do século XX, uma das maiores antenas psíquicas que a Terra já conheceu.

Na sua longa vida, desde pequeno que a sua mediunidade se manifestou ostensivamente, e toda a sua vida foi dedicada ao próximo, aos pobres e à Humanidade em geral. Homem culto, mas sem instrução escolar, devido à pobreza paternal, desde muito cedo teve de trabalhar. Chico Xavier recebia, em transe, livros atrás de livros, contando-se até à sua morte, mais de 450 livros ditados por centenas de Espíritos diferentes. O seu livro “Parnaso de Além-Túmulo” foi um choque estrondoso para toda a sociedade.

Ainda hoje, esta obra é um ex-líbris da vida de Chico Xavier, contendo dezenas de poemas de diversos autores nacionais e estrangeiros, cada um com o seu estilo, impossíveis de serem plagiados. Uns diziam que ele era um génio, outros que era um charlatão, mas ele, Chico, dizia que apenas recebia o que os Espíritos lhe ditavam. Foi investigado até à exaustão, foi vítima da maldade humana, de armadilhas, foi explorado mediunicamente, mas manteve - -se sempre ao serviço do próximo, exemplificando que o Amor é o combustível do Universo.

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Opinião (pág. 15)

Página 154 min

No nosso país, as barrigas de aluguer não são permitidas a qualquer casal, mas só naqueles em que existe infertilidade por parte da mulher, sendo que é proibido qualquer pagamento à gestante, com a exceção de despesas médicas. O processo inicial é em tudo igual ao da inseminação artificial, no entanto, o embrião obtido é implantado no útero de uma mulher que não seráamãe da criança. Tudo é estabelecido através de um contrato que garante que a criança que nascer será sempre do casal e que não há espaço para dúvidas por parte da gestante.

Este tipo de possibilidade suscita geralmente duas opiniões: por um lado, dar à luz um filho de outra pessoa que não tem a capacidade de o fazer trata-se de um enorme ato de amor; por outro, podemos sempre pensar que um contrato deste género pressupõe a “compra” do corpo da mulher que terá de passar por todas as dificuldades de uma gestação para dar à luz uma criança que lhe será retirada dos braços ao nascimento. E com tantas crianças por adotar, que anseiam por um lar e uma família, será legítimo recorrer a “barrigas de aluguer” quando não existe a capacidade de ter filhos biológicos?

Para além destas preocupações, tendo em conta o que aprendemos com a doutrina espírita em relação à gravidez, há outras questões que nos surgem. Durante a gestação, há entre o feto e a grávida uma forte ligação emocional, sendo que os dois exercem uma grande influência um no outro através da troca de pensamentos e de emoções. Como será esta ligação espiritual entre feto e gestante quando a mulher sabe que não será a “verdadeira mãe”?

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Opinião (pág. 16)

Página 163 min

De aí em diante, figuras incontornáveis da cultura ocidental, como Pitágoras (séc. VI a.C.), Platão (séc. V-IV a. C.) Cícero e Virgílio (séc. I a.C.) e Fílon de Alexandria (c.20 a.C.– c.50 d.C.) escreveram e ensinaram sobre a reencarnação e, ao que tudo indica, o tema não era mera especulação de intelectuais, mas a expressão escrita de uma crença corrente. Temos de lembrar, para entendermos o desfecho de negação da reencarnação pelas igrejas cristãs, que associado àquela estava o conceito de união com Deus.

O significado deste conceito diz-nos que todos somos filhos de Deus; como tal, a salvação é um processo individual que depende do esforço próprio, sem intermediários, e que a união com Deus é possível, depois do ciclo das reencarnações. Isto leva-nos já para o Primeiro Concílio de Niceia, em 325, em que é formulado o Credo de Niceia, que afirma a divindade de Jesus como único Filho de Deus. Esta afirmação tem como consequência que sendo a humanidade uma espécie de bastardos e proscritos, não só fica impossibilitada da união com Deus, como a salvação fica dependente de intermediação, neste caso da Igreja.

Daí o «fora da Igreja não há salvação». No fundo, a estrutura àquele tempo emergente era mais de natureza política que religiosa e pretendia perpetuar um certo poder – e basta ver o papel que governantes temporais desempenharam nessa mesma estrutura. Depois de Jesus e antes do concílio atrás referido, surge o neoplatonismo, que foi uma escola greco-romana de filosofia que ensinou a reencarnaçãoea união com Deus, e surge principalmente Orígenes (c.

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Literatura / Vídeo

Página 177 min

LITERATURA / VÍDEO No limiar do mistério A rainha de Katwe Pequeno romance de Charles Richet (1850- 1935), emérito professor da Faculdade de Medicina de Paris (Sorbonne), Prémio Nobel de Medicina de 1913. O professor Richet iniciou a sua carreira médica como estagiário no Hospital Salpêtrière, Paris, observando o trabalho de Charcot (1825-1893). Em 1898, tornou-se membro da Academia de Medicina e em 1914, membro da Academia de Ciências.

Criou o termo Metapsíquica em 1905, para designar o estudo dos fenómenos inabituais que sempre o interessaram e que o Espiritismo designa de espíritas (causados por desencarnados) e anímicos (causados por encarnados). Em 1912, publica o «Tratado de Metapsíquica». Teve a oportunidade de observar e estudar grandes médiuns de efeitos físicos como a napolitana Eusápia Palladino (1854-1918), talvez a mais impressionante de sempre; a também italiana, Linda Gazzera (1890-1932); a francesa Eva Carrière (1886-1943); a americana Leonora Piper (1857-1950); entre muitos outros.

Mas nunca teve a coragem de assumir a verdade que o Espiritismo divulgava há longas décadas. Foi o precursor da Parapsicologia, disciplina fundada na década de 1930 pelo professor americano Joseph Banks Rhine (1895-1980), que também estuda a mesma fenomenologia. A diferença entre elas ─ a Metapsíquica e a Parapsicologia ─ está no método do estudo: enquanto a Metapsíquica se foca nos fenómenos ostensivos, nos grandes médiuns, ou seja, no carácter qualitativo, a Parapsicologia foca-se no carácter quantitativo, observando grande quanA história de Phiona começa a ser contada em 2007 quando ela tinha 10 anos e vivia com a mãe e os irmãos num barraco na favela de Katwe, situada nos arredores de Kampala, a capital do Uganda.

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direitos reservados Entrevista a frequentadoresComo conheceu

Página 184 min

foto direitos reservados Entrevista a frequentadoresComo conheceu o Espiritismo? Joana SantosO interesse por tentar perceber o que se passa além desta vida terrena já existia há muito tempo, mas depois da morte dos meus avós eu e a minha mãe começámos a pesquisar sobre o assunto até que descobrimos «O Livro dos Espíritos». Tudo fez sentido a partir dessa leitura e, por isso, continuámos a querer saber mais sobre a doutrina espírita.

- Frequenta algum centro espirita? Joana SantosFiz o Curso Básico no CECA (Centro Espírita Caridade e Amor) que de vez em quando frequento. - Qual a sua opinião acerca do «Jornal Espiritismo»? Joana SantosPenso ser uma ótima forma Joana Santos, 25 anos, médica, mora em Vila Nova de Gaia. Sabia que? Os Espíritos se comunicam através de aparelhos eletrónicos, desde os anos 60, aparecendo também em imagens, uma técnica a que foi dado o nome de Transcomunicação Instrumental (TCI)?

O doutor James Mamby Gulli , médico hidroterapeuta, foi um dos ilustres que acompanhou as pesquisas de William Crookes, em Inglaterra, no século XIX, na materialização do Espírito Katie King, através da médium Florence Cook? Os Espíritos que se manifestam nas reuniões mediúnicas de desobsessão são, na maior percentagem, homens? Por ocasião da morte de seu irmão José, Francisco Cândido Xavier ficou-lhe com o cão, Lord, que lhe fez companhia por mais seis anos e que, na altura da desencarnação de Lord, no último instante, Chico viu o Espírito do irmão aproximar-se do animal e arrebatá-lo ao corpo inerte?

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Conhecido e respeitado nos estudos da filosofia, Kant – que seria prov

Página 192 min

Conhecido e respeitado nos estudos da filosofia, Kant – que seria provavelmente do grupo de indivíduos ditos com síndroma de Asperger – era tão certeiro a sair de casa para o trabalho que, quem desejasse, podia acertar o relógio ao observá-lo. Ele acreditava que quer o nosso comportamento fosse maioritário ou não, ele deveria ser sempre exemplar. Faz sentido. Agir corretamente, ensina o espiritismo, não precisa do aplauso ou observação de alguém para que seja realizado.

No evangelho, Jesus de Nazaré deixa a ideia O valor das contribuições pequenas de que o que parece pouco pode ser muito, como se depreende da lição do óbolo da viúva. Há uma frase atribuída a Francisco Cândido Xavier que reflete bem essa ideia: «Nenhuma atividade no bem é insignificante. As mais altas árvores são oriundas de minúsculas sementes». O conhecido médium numa entrevista à Imprensa terá dito: «Acontece que estamos a agredir não a natureza, mas a nós próprios, e responderemos pelos nossos desmandos.

É importante pensar que se criou a ecologia para prevenir estes abusos. Aqueles que acreditarem na ecologia, acima dos seus próprios interesses, auxiliar-nos-ão nessa defesa do nosso mundo natural, da nossa vida simples na Terra, que poderia ser uma vida de muito mais saúde e de muito mais tranquilidade se nós respeitássemos coletivamente todos os dons da natureza. Mas, se continuarmos a agredi-la demasiadamente, o preço será pago por nós próprios, porque voltaremos em novas gerações, plantando árvores, acalentando sementes, modificando o curso dos rios, despoluindo as águas (…) e criando filtros que nos libertem da poluição».

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Última

Página 202 min

Curso de Espiritismo no Porto: cem inscritos É uma curiosidade, mas aconteceu este ano. O Centro Espírita Caridade por Amor (CECA) em 2017/2018 contou perto de uma centena de inscritos no Curso Básico de Espiritismo, em pedidos de frequência feitos on-line ou presencialmente. Quem sublinhou o facto foi Lígia Pinto, do CECA, numa conversa usual. O facto pode ser explicado pela regularidade e boa localização da sede desta associação, próxima do edifício do “Jornal de Notícias”, somando o facto de pela primeira vez, este ano, além do horário habitual de segundas-feiras à noite (a inscriçãoeo curso são grátis, mas é obrigatória para poder participar ou assistir), esta associação sem fins lucrativos ter aberto uma segunda turma aos sábados de manhã.

Lígia explica que isto teve de ser feito «por uma questão de bom senso. Havia um grupo de pessoas de uma cidade distante que queria vir fazer o curso. À noite não lhes seria possível vir à cidade do Porto e regressar a casa. Por isso, estando os sábados de manhã vagos no calendário de atividades do CECA, achámos por bem experimentar esta possibilidade». Para reduzir o custo dos transportes aos inscritos de longe, aos sábados o curso não é semanal mas sim quinzenal, com carga horária duplicada.

Aberto este horário, «outras pessoas, que por alguma razão não conseguiriam ir à segunda-feira à noite, aderiram e a turma aumentou». Porém, é certo que se em fim de setembro isto é um facto, é de esperar que «quando os dias mais frios chegarem só os mais motivados se manterão assíduos». Assim, é de esperar que por altura de dezembro haja uma redução de cerca de 30 a 40% de assiduidade, «dentro da nossa experiência em anos anteriores».

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