Opinião (pág. 13)
Jornal de Espiritismo nº 85 · Novembro 2017Página 134 min
Esta mulher americana, natural de Chicago (EUA), teve uma gravidez saudável e com poucas complicações mas, a partir da vigésima semana de gestação, começou a ter premonições tão fortes que ficou convicta de que não iria sobreviver ao parto. Sentia que todo o seu corpo estava em hemorragia e, apesar de não se encontrar a perder sangue nem haver qualquer sintoma físico que os médicos pudessem detectar, em alguns momentos julgava-se a desfalecer.
À trigésima semana de gravidez, Stephani informou a sua médica que continuava a ter sonhos e pressentimentos muito intensos sobre o seu estado de saúde, pedindo-lhe que destacasse um especialista em histerectomia na equipa que iria auxiliá-la no parto. Ela pressentia que seria necessária fazer uma remoção do útero após dar à luz. A médica prescreveu-lhe a realização de uma ressonância magnética que não evidenciou qualquer anomalia e, para tranquilizá-la, disse-lhe que iriam ser disponibilizados instrumentos e logística suplementar na sala de parto para o caso de uma eventual emergência.
Nesse penúltimo dia de maio, quando deu 37 segundos à luz o seu precioso rebento, Stephani sofreu uma embolia do líquido amniótico. Quando isto acontece, o líquido que rodeia o feto dentro do útero entra na corrente sanguínea da mãe produzindo uma reação alérgica que pode provocar colapso, choque ou até paragem cardíaca. Durante 37 segundos, o monitor de impulsos cardíacos medidos pelo electrocardiograma mostrou uma linha recta e assinalava um apito contínuo, sinais conhecidos de falência do coração.
Com a logística de emergência à disposição, que incluía um reforço de sangue do tipo O negativo, os médicos conseguiram devolver-lhe o sopro de vida mas, após mais de sete horas de cuidados, a hemorragia mantinha-se. A equipa decidiu-se então pela remoção do útero que veio a revelar uma placenta acreta não detetável na ressonância magnética. Depois de mais seis dias em coma induzido, Stephani Arnold despertou. Não bastando os pressentimentos tão precisos sobre o seu estado de saúde e do que viria a ocorrer após o parto, ela ainda trazia uma outra história para contar.
O bebé encontrava-se bem de saúde mas a mãe tinha ficado traumatizada. Passar por uma situação extrema e ser exposta a tão grande sensação de vulnerabilidade é um abalo emocional intenso. Por isso, e como também precisava de encontrar uma explicação racional para a confirmação dos seus pressentimentos, ela iniciou um programa terapêutico à base de hipnose. Foi então que começou a lembrar-se do que se tinha passado enquanto estava entre a vida e a morte na sala de partos.
E recordou com tanta precisão os detalhes daqueles momentos de aparente inconsciência que os seus médicos ficaram confusos e surpreendidos. A Dr.ª Nicole Higgins, que fazia parte da equipa médica, referiu: “Ela descreveu a posição dos aparelhos e das pessoas que se encontravam na sala. Sabia onde eu estava, quem fez as massagens cardíacas. Sabia também que houve uma avaria num desfibrilhador e que foi necessário substituí-lo por outro.
Descreveu tudo de forma precisa.” A sua obstetra, Dr.ª Julie Levitt, garantiu: “No estado em que Stephani se encontrava, não havia qualquer possibilidade dela saber o que se estava a passar à sua volta.” Stephani disse-lhe que nesses momentos de aflição, a ouviu dizer: “Isto não pode estar a acontecer! Isto não pode estar a acontecer!”. A médica confirmou que realmente dissera aquilo mas mentalmente. Stephani teve outras lembranças do período em que esteve inconsciente, recordando-se de se relacionar com pessoas que já tinham morrido.
Um pequeno rapaz, muito parecido com uma amiga sua, pediu-lhe: “Diz à minha irmã que eu tenho saudades da forma como ela enrolava o meu cabelo.” Quando Stephani contou à amiga o sucedido, ela ficou surpreendida questionando como era possível ela saber aquilo, já que adormecia o irmão todas as noites enrolando os dedos no seu cabelo. A médica confirmou que realmente dissera aquilo mas mentalmente. Após profunda reflexão sobre o ocorrido, a Dr.
ª Nicole Higgins afirmou: “Como médicos, precisamos respeitar a ciência. Somos ensinados a rever uma e outra vez os factos, estudar as evidências e começar a partir daí. Se não conseguirmos explicá-los com o que conhecemos, tornamo-nos cépticos. Mas esta experiência deixou-me com uma sensação de que talvez exista algo mais. Talvez existam fenómenos que não sejam apenas baseados na ciência que conhecemos, talvez exista uma outra coisa que tenha algum controlo sobre aquilo que fazemos diariamente.
” As experiências de quase-morte são um fenómeno global que acontecem com elevada frequência em hospitais de todo o mundo, sendo alvo de rigorosos estudos que procuram compreender melhor um fenómeno que parece entreabrir as portas para a realidade espiritual. Este texto é um pequeno resumo do livro “37 Seconds” de Stephani Arnold, ainda não editado em Portugal, e na qual a autora narra na primeira pessoa a sua história.
Texto: Carlos Miguel No dia 30 de maio de 2013, Stephani Arnold morreu durante 37 segundos depois de dar à luz o seu segundo filho. NOVEMBRO.DEZEMBRO.
