85 — índice de conteúdos

Opinião

Jornal de Espiritismo nº 85 · Novembro 2017Página 126 min

Partilhar
Idioma

Reuniões mediúnicas: existe aqui um padrão? Tudo começou por causa da tecnologia. Quando participávamos em reuniões mediúnicas há 30 anos, não havia gravadores digitais, mas apenas registos feitos em fita magnética. Comprar cassetes para mais do que algumas reuniões ficava caro, e isso desencorajava. Gravar por cima semanalmente também não dava muito tempo para arquivar dados, já que tudo isto é feito em horário pós-profissional.

Quando retomámos há cerca de cinco anos o serviço mediúnico com alguns amigos devidamente formados para esse efeito, já havia, até por outras razões, um gravador digital. Com espaço no disco rígido do computador, após cada reunião era possível descarregar o ficheiro de áudio numa pasta sem mais custos. Isso viria a permitir selecionar histórias espontâneas e, sem fugir do rigor do registo objetivo, partilhá-las como matéria elucidativa, a talhe de foice, nalgum estudo conjunto.

Nessa altura levantou-se um problema. Imagine como poderíamos depois saber que ficheiro de som interessava particularmente, numa pasta com dúzias de ficheiros? Teríamos de abrir um a um! Só a data não chegava. Tornou-se desde logo forçoso criar um índice em forma de tabela. Nele constava a data, as pessoas presentes, o teor da comunicação mediúnica, a sua duração e algumas outras observações, preenchidas no dia seguinte à reunião mediúnica.

Assim que o tempo foi decorrendo, verificámos que poderíamos facilmente, contando linha a linha, detetar à partida três situações distintas num universo de 70 casos: se os Espíritos ajudados, no início do esclarecimento, sabiam que já se encontravam na vida espiritual ou não; se acreditavam em Deus ou não; se revelavam durante a conversa esclarecedora um perfil masculino ou feminino. Foi essa a razão que levou a que nas Jornadas de Cultura Espírita do Oeste do ano passado apresentássemos no tema “Morri!

E agora?” três gráficos alusivos a essas questões. Neles, emergiam dados tão curiosos como, por exemplo, 29% saberem já estar no Plano Espiritual, sem corpo material, mas 71% dos Espíritos ajudados ignoravam claramente esse facto. Por sua vez, nestes 70 casos mediúnicos atendidos 87% revelaram um perfil masculino, sendo os restantes 13% de perfil feminino. Na primavera deste ano, os registos de continuidade evidenciaram no poster “Reuniões mediúnicas: uma análise estatística” (2017) que em 220 casos cerca de 70% não sabia que já estava no Plano Espiritual e que 30% sabia disso, mas não os ajudava muito.

Outros pormenores foram referidos, porém, a questão de perfil de género destes Espíritos não foi mencionada, sendo provável que se mantivesse na mesma desproporcional. Vai daí, em conversa com outros amigos também interessados nestes itens, veio a pergunta inevitável: e se separássemos os dados entre médiuns masculinos e médiuns femininos da reunião para ver se surge alguma tendência quanto à quantidade de perfis de Espíritos masculinos e femininos, segundo o género dos médiuns em causa?

Bem, a tabela foi alterada a partir daí para podermos separar esses factos. Os casos avaliados são, é certo, ainda uma amostra pequena, mas foi irresistível contar, neste caso, linha a linha. Ao vermos os gráficos, mantém-se uma harmonia de resultados, quer se trate de um médium masculino ou feminino, parecendo nesta situação ser irrelevante o serviço mediúnico estar a ser prestado por médiuns de um ou do outro sexo.

Gráfico n.º 1 Havendo na reunião mediúnica em causa dois médiuns femininos e um masculino, resolvemos igualmente nos registos anotados comparar este médium masculino com a outra médium, nas datas em que estiveram sempre ambos na mesma reunião. O resultado está no gráfico 2. Em várias contagens emerge uma relação curiosa: através da psicofonia , os Espíritos desencarnados em necessidade que se comunicam e são ajudados exibem maioritariamente um perfil masculino, parecendo ser bem menor a percentagem de Espíritos com perfil feminino necessitados de auxílio.

Gráfico n.º 2 É forçoso indagar: estes resultados vão manter-se proporcionais em amostras mais avultadas? Noutros grupos, em reuniões mediúnicas da mesma natureza, surgirão resultados semelhantes? Se sim, que hipóteses se levantam para explicar esta tendência? No mesmo dia em que o gráfico n.º 1 esclareceu os dados recolhidos, falámos com alguns amigos também eles estudiosos da doutrina espírita. Pensou rápido Ricardo Rocha: «Muito interessante.

Maior esclarecimento, consciência e amor nos corações das mulheres... penso que os laços fortes da maternidade também terão um forte papel para o cultivo do amor». Por sua vez, Fernanda Santos referiu: «Haverá aqui algum reflexo da educação que nos é dada na vida terrena? Da minha experiência, e quando abordo o tema da espiritualidade num grupo de amigos, a ala feminina é muito mais recetiva ao tema do que a ala masculina.

Fico com a impressão que eles acham que são mais machos por dizerem que só acreditam na matéria». À partida, como hipótese de trabalho, evidencia-se, por um lado, o curso da evolução das espécies e, por outro, o condicionamento da questão cultural. Se observarmos bem, já antes dos hominídeos os papéis desempenhados entre várias espécies de mamíferos entregava aos machos vertentes funcionais como a de fornecedores de gâmetas masculinos e de defesa do grupo, entre outras.

Este pormenor acentuou genericamente o comportamento e a capacidade muscular possível para proteger uma companheira grávida ou cuidadora de crias, esses seres preciosos em que viajam moléculas de ADN com o seu sonho de imortalidade. Essa tendência tem-se mantido na plasticidade enorme dos organismos até à nossa espécie mais ou menos acentuadamente. As fêmeas têm por isso outra capacidade de observação, estando um considerável leque de emoções positivas ligadas ao dia a dia, assim como parecem utilizar até inconscientemente uma inteligência social perspicaz.

Na infância, enquanto as crianças masculinas da nossa espécie exercitam brincadeiras musculares, em treino prévio para supostas funções futuras, as pequeninas interagem em consensos de microgrupo privilegiando boa gestão de informações e cooperação. Por sua vez, ainda hoje é habitual dizer-se que «um homem não chora» e até há pouco tempo o género masculino é que trabalhava para trazer dinheiro para casa, deixando à esposa as tarefas do lar.

Isso veio a revelar-se muito mau em caso de viuvez, deixando famílias em má situação. Na contenda e na guerra, até meninos imberbes, órfãos geralmente, podiam levar tambor e marcar a cadência da marcha entre balas de fuzil e de canhão, mas nunca indivíduos do sexo feminino, nem quando adultos, salvo raras exceções como quando da revolta popular de Maria da Fonte. Mas a verdade é que a separação consuetudinária de tarefas do homem e da mulher tende a “secar” vibratoriamente os homens deixando às mulheres a naturalidade de explorar emocionalmente a vida.

Essa inibição, subscreve a experiência, tende a amorfizar áreas do corpo espiritual ligadas às percepções próprias da dimensão além da matéria densa, atrofiando capacidade visual, auditiva e até táctil. Pode ser esta uma das razões principais pela qual a inércia afetiva de muitos homens os impede na vida espiritual de ver ali ao lado quem os quer ajudar, e cegos e surdos tardam mais um tanto a sair do poço vibratório em que se encontram, à espera de dias melhores.

É lei da natureza, na reportagem de André Luiz com psicografia de Francisco Cândido Xavier, em “Entre a Terra eoCéu”: «Sem amor no coração não teremos olhos para a luz». Por J. Gomes Psicofonia é a faculdade mediúnica através da qual Espíritos desencarnados se comunicam através da voz normalmente com um interessante expressão corporal. Nas reuniões mediúnicas é largamente utilizada em condições controladas para ajudar quem se encontra confuso no Plano Espiritual.