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Centrais (pág. 11)

Jornal de Espiritismo nº 85 · Novembro 2017Página 114 min

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O Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha (CCE) apresentou os resultados de um inquérito realizado este ano sobre atendimento no centro espírita com dados interessantes. No poster em causa o tema está bem definido: «Etimologicamente a palavra atender deriva do latim attendĕre , prestar atenção a. No Atendimento ao Público o colaborador do centro espírita recebe, escuta, encaminha e acompanha as pessoas que procuram auxílio».

Numa noite de outono uma senhora com meio século bem contado acabou de escutar a palestra no centro espírita. Enquanto o chamado passe espírita decorre o atendimento individual sucede - -se. Como o marido partiu desta vida tem necessidade de falar em privado com a equipa destacada para o atendimento. Outro caso apresenta o problema próprio de uma mediunidade a aflorar, sente de modo incontornável a presença de Espíritos desencarnados e isso inquieta.

Alguém confessa pensar em suicidar-se, um lapso terrível como as comunicações evidenciam. Outros diálogos sucedem-se, semana após semana, cada um na sua tipologia, mas todos são acolhidos por uma escuta fraterna, palavras boas que recomendam calma para oportunizar a recolha de informações úteis capazes de solucionar a preocupação premente a favor de uma vida de paz e alegria com epicentro no próprio ser espiritual que cada um é de facto.

Trabalho complexo, que exige formação, foi visto estatisticamente, de forma anónima. Colocámos algumas perguntas a quem mais de perto trabalhou os dados recolhidos num trabalho coletivo que envolveu toda a equipa de atendimento desta associação sem fins lucrativos, concretamente com Daniela Ferreira. Apurámos que a ideia de fazer este poster sobre atendimento resultou de uma «reunião entre colaboradores do CCE» altura em que «foi colocada a hipótese de iniciarmos uma recolha de dados em algumas das nossas atividades.

O intuito era termos material para podermos, de alguma forma, contribuir para a elaboração de literatura científica na área do Espiritismo». Para esse efeito, diz Daniela, «criámos uma base de dados para o atendimento ao público, começando assim a registar semanalmente os elementos recolhidos. Depois, em colaboração com a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), apareceu a ideia de elaborarmos um poster científico para expormos nas Jornadas de Cultura Espírita de 2017».

Entre as principais dificuldades que encontrou para concretizar este trabalho aponta as seguintes: «As entrevistas foram feitas por diversos entrevistadores, bem como o registo dos dados. Por vezes, para registar uma mesma variável, cada entrevistador usava uma nomenclatura diferente, o que tornou o tratamento de dados moroso». Nesta vertente, o atendimento é o ato de ouvir amigavelmente as pessoas que procuram a associação espírita em busca de auxílio espiritual ou material, sendo o caso, dando-lhes a orientação necessária para que ultrapassem os seus problemas, situações, dúvidas, objetivando sempre o seu bem-estar e harmonia interior.

Contudo, Daniela acredita que é um trabalho para manter ao longo dos próximos anos, «até porque ainda precisa de ser aprimorado», sublinha. Sobre a possibilidade de outros grupos espíritas replicarem esta análise, a interlocutora afirma que «tudo o que entre no campo da pesquisa, da observação, séria e idónea, é útil a qualquer grupo espírita». Até porque, «se deixarmos este aspeto de lado, o Espiritismo perde a forma que lhe foi dada por Kardec e ganha a forma do misticismo e do fanatismo.

Quanto a esta análise, considero-a útil na autoavaliação que nos permite fazer relativamente ao trabalho do atendimento», acrescenta. Face aos dados conseguidos, será possível melhorar o serviço de atendimento do CCE? Daniela crê que «por muito simples que este trabalho seja, todos os dados obtidos podem ser usados para a nossa aprendizagem e consequente melhoramento do serviço de atendimento». Com a recolha feita «podemos caracterizar melhor quem nos visita e, assim, também nos podemos preparar melhor no intuito de ajudarmos essas pessoas».

Ora nem mais. Nesta vertente, o atendimento é o ato de ouvir amigavelmente as pessoas que procuram a associação espírita em busca de auxílio espiritual ou material, sendo o caso, dando-lhes a orientação necessária para que ultrapassem os seus problemas, situações, dúvidas, objetivando sempre o seu bem-estar e harmonia interior. No início do atendimento, quem atende cumprimenta o interlocutor. Convida o interlocutor a sentar-se, apresentam-se.

Quem atende explica como funciona a associaçãoeo serviço de atendimento, para que a pessoa se sinta à vontade, pois muitas vezes, sendo o primeiro contacto que a pessoa tem com uma associação espírita, ela carrega ideias erradas sobre o que lá vai encontrar, ideias estas que fazem com que ela carregue tensões interiores e receios que urge desfazer. Esta entrevista é uma conversa dirigida, com um fim determinado, que serve para conhecer os problemas existentes, verificar as necessidades e expectativas da pessoa, ajudar a pessoa a encontrar possíveis soluções.

Nesse sentido, quem faz o atendimento deve ter uma comunicação adequada, autêntica, sincera e mostrar um compromisso de auxílio, para que o necessitado tenha confiança, revele uma postura de abertura e colaboração, no sentido de ser mais fácil identificar o seu problema. Quem se dirige ao centro espírita são as pessoas mais indiferenciadas e todos merecem o acolhimento fraterno e o esclarecimento possível com vista a desenharem um horizonte de paz e esperança a estender-se a partir de dentro de si próprio.

Há que arregaçar as mangas: para melhorar há muito trabalho pela frente. Entre os problemas que mais se destacam situa-se a mediunidade a precisar de equilíbrio. NOVEMBRO.DEZEMBRO.