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Editorial / Conto

Jornal de Espiritismo nº 85 · Novembro 2017Página 25 min

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EDITORIAL / CONTO O luar estava suspenso entre as constelações veladas pelos lampiões da rua. Paredes meias, a conversa corria sobre rodas. “Ia bem era com prémios para estimular as pessoas a responderem ao inquérito”, diz uma voz amiga. “Na faculdade há prémios para os melhores posters”, reforça. Se fosse professor como lidaria com a alegria de um e as tristezas de outros por não terem conseguido ganhar? Alguns alunos acentuariam até a crença de que não teriam talento para competir com os mais pontuados, sem perceberem que terão capacidades que esses não têm.

Decerto investiria na educação. Conseguiria fazer florescer a noção da consciência premiada pelo dever cumprido? Acenar com rebuçado e chocolate atiça a atenção do povo – coisa antiga, é certo. Mas num mundo melhor que esteja para vir a tarefa dispensa o prémio superveniente, já que se cumpre na alegria do dever, à luz da cooperação. Ali ao pé, mesmo sem olhar na luz coada pela noite, se procurar no cimento do passeio há líquenes.

A natureza tem páginas e páginas que revelam as linhas de força insuperáveis da cooperação. A alga e o fungo juntam-se a favor da mútua sobrevivência naquele local: a alga alimenta o fungo, este protege a alga de perdas de água comprometedoras. Assim explica na década de 1950 o Espírito André Luiz no livro psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira intitulado “Evolução em Dois Mundos”. A natureza tem páginas e páginas que revelam as linhas de força insuperáveis da cooperação.

Já as árvores silvestres que antecederam a macieira aprenderam a gerar polpa atrativa para que omnívoros e herbívoros lhes espalhassem as sementes, com tanto êxito ao ponto do ser humano, ao longo de milénios, se ter dedicado incansavelmente a reproduzi-la em pomar, preferencialmente as que dessem frutos mais ricos, chegando Nota baixa pouco a pouco às suculentas variedades de maçã que hoje conhecemos. Os insetos que pousam em flores nos cuidados trabalhosos da polinização são valioso exemplo de cooperação na natureza.

Sem essas espécies de moscas, abelhas e outros pequenos animais de imensa utilidade para o equilíbrio geral, os hominídeos enfrentariam crises de fome entre eles porventura nunca antes vistas na história da Terra. Vê-se, assim, que em fases primárias de desenvolvimento evolutivo a cooperação supõe uma troca de vantagens. Entre nós, humanos, também os negócios que voam no planeta todos os dias evidenciam isso. Com ideias mais avançadas, como as que a filosofia de vida que é o espiritismo propõe, pede-se algo mais: o altruísmo natural de servir além da recompensa.

Por isso, com os pés entre dois subtis degraus evolutivos, dá-se uma no cravo e outra na ferradura, tudo bem, mas sem se perder de vista que no porvir o prémio é coisa muito pouca face à consciência liberada pelo dever cumprido. Sabia? Foi nosso dever apresentar-lhe sem contrapartidas estas páginas. Boa leitura! foto ulisses.com.pt O diretor de uma escola islamita do Paquistão enviou uma carta aos pais dos alunos quando os exames estavam para começar.

A imagem da carta circulou pelo mundo, após um dos pais a partilhar, elogiando a postura e as palavras da escola: «Queridos pais, a semana de provas está para começar. Eu sei que estão à espera que os vossos filhos se saiam bem. No entanto, por favor: lembrem-se de que, de entre os estudantes que estão sentados para fazer a prova, há um artista que não precisa entender de matemática; há um empreendedor que não se importa com história ou literatura; há um músico cujas notas em química não importam; há um desportista cujo preparo físico é mais importante do que a física...

Se o seu filho obtiver as melhores notas, ótimo! Mas se não, por favor, não tire dele sua autoconfiança e sua dignidade. Digam-lhe que tudo bem! É só uma prova. Ele foi talhado para coisas muito mais importantes na vida. Digam-lhe que, independentemente da nota, o amam e não o julgam. Façam isso, por favor. E quando fizerem: vejam-no conquistar o mundo. Uma prova ou uma nota baixa não lhe vai tirar os próprios sonhos ou o talento pessoal.

E, por favor, não pensem que médicos ou enfoto arquivo genheiros são as únicas pessoas felizes no mundo. Com carinho, a Direção». Vivemos num mundo onde ainda valorizamos mais a formação intelectual das crianças do que sua construção moral. Se o seu filho obtiver as melhores notas, ótimo! Mas se não, por favor, não tire dele sua autoconfiança e sua dignidade. Digam- lhe que tudo bem! É só uma prova. Ele foi talhado para coisas muito mais importantes na vida.

«Para ser alguém na vida tens de estudar muito!» - Quantas vezes já ouvimos ou dissemos estas palavras. É natural que pais que vieram de uma geração que não teve acesso ao estudo, à escola, desejem isso mais do que tudo para seus filhos. É compreensível esse desejo de formação do intelecto, pois isso lhes abre muitas portas no mundo. O Espírito precisa de se desenvolver nessa área, precisa de conhecer, precisa de trabalhar para o seu sustento e ainda, ser peça útil na sociedade.

No entanto, o Espírito não é apenas seu intelecto. Somos nossos valores, nossas virtudes, nossas crenças. Assim, o sucesso de alguém na vida não pode ser medido apenas por suas conquistas na área do conhecimento ou na esfera material. Ter sucesso, ou melhor, ser bem sucedido na existência, significa principalmente, ser um homem de bem. Se as conquistas intelectuais não foram as melhores; se os conseguimentos materiais, de padrão de vida e património não foram os desejados ou apontados pelo mundo como excelentes, não nos preocupemos em demasia.

Os padrões do mundo são doentios, por vezes, e muito disso está no campo das ilusões materialistas. Os valores de uma alma não estão nos bolsos, mas no quanto de bem pode fazer ao seu redor. Estão nas relações que edifica; estão no exemplo de dignidade que propaga para os seus. Esse é sucesso verdadeiro após toda uma vida. É isso que nos trará paz apósotérmino de cada fase de nossa evolução. Aos pais dizemos: Tenham calma.

A mais importante instituição de ensino é o lar e suas relações. É o amor compartilhado e exemplificado diariamente. São as notas das provas morais que nos farão aptos, ou não, a seguir adiante na escola das vidas sucessivas. Texto: Redação do «Momento Espírita», com base em matéria publicada pelo jornal «Independent», em 4 de outubro de 2016. NOVEMBRO.DEZEMBRO.