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Editorial / Conto

Jornal de Espiritismo nº 86 · Março 2018Página 23 min

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EDITORIAL / CONTO Depois de mais 365 dias corridos no meio século passado nesta viagem, tem piada: por vezes vejo algumas pessoas preocupadas com a ruga que apareceu. Não é de criticar, é legítimo. A maturidade variável de ser para ser não poucas vezes faz-se acompanhar de tais sinais que não precisam de ser vistos com peso como se idade fosse castigo. Pelo contrário, é cicatriz de vitórias volvidas, lições aprendidas, conhecimento alcançado.

É normal. Nesta circunstância somos muito parecidos com as plantas. Quando percebemos as sementes a despertar no breu do solo vivo, o pequeno vegetal a emergir da terra, mais tarde as flores a agitarem-se na brisa em tempo variável, e por fim o fruto, encantamo-nos tanto com as pétalas que pensamos serem elas o apogeu da planta. Mas não é. O clímax evolutivo está no fruto, bem depois das flores! As corolas estonteantes são só aparência, lindas, mas não têm o talento de produzir no imediato novas plantas.

Embelezam-se para atrair insetos polinizadores e assim obterem mais sementes férteis. Na nossa espécie é igual. Vem a juventude a florescer, as atrações, os afetos platónicos, como convém, já que a prole pede atenção máxima. Mas não é. O clímax evolutivo está no fruto, bem depois das flores! Mais tarde, frutifica a experiência, a maturidade, a sabedoria… Quando as rugas aparecem sobrevém lá dentro, no imo do ser espiritual, a luz das aprendizagens amadurecidas, afinal, as metas desta viagem tantas vezes terapêutica, breve, em que estagiamos.

Em qualquer dessas fases, porém, que seCurto, bonito e sábio ria de nós sem treinarmos o melhor que for possível, porfiadas vezes no dia a dia, o amor incondicional de que Jesus nos fala recorrentemente? A exemplo das pétalas que atraem o olhar de vertebrados e invertebrados, as décadas de múltiplas experiências de vida são as fases de maturação dos segmentos de relativa sabedoria a sedimentar por dentro do ser, que virão a tornar-se as sementes de um conhecimento maior, afinal, a meta de mais expressivo significado que nos aguarda.

Se as rugas e outras que tais marcarem a ferramenta que é o corpo físico, vale sorrir. Afinal, o mais importante é a cada dia fazer o melhor possível ao nosso alcance, distantes da angústia paranóica da perfeição. Novo dia, novo sol, até mesmo em tempo nublado. Além de qualquer nuvem que se agigante, além dela, a luz generosa brilha sem titubear. Estas páginas apontam também nesse sentido. Boa leitura! foto ulisses.com.

pt Conta-se que no século passado um turista norte-americano foi à cidade do Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio. O turista ficou surpreendido ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco. Perguntou o turista: - Onde estão seus móveis? O sábio depressa olhou em redor e perguntou também: - E onde estão os seus?!

Surpreendido disse o turista: - Os meus?! E completa: - Mas estou aqui só de passagem! - Eu também... - concluiu o sábio. A vida na Terra é somente uma passagem... no entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de ser felizes. Pense nisso! Nada nos pertence porque tudo nos é emprestado. (Autor desconhecido – em circulação da internet) pixabay Errata: Na edição anterior deste jornal (JDE n.

º 86), na página 12, no artigo intitulado «Reuniões mediúnicas: existe aqui um padrão?», lê-se assim: «(...) porém, a questão de perfil de género destes Espíritos não foi mencionada, sendo provável que se mantivesse na mesma desproporcional». Ora, a verdade é que consultando o poster em causa com mais tempo esses dados foram mencionados, sim, numa pequena tabela de que o autor do artigo não se apercebeu numa consulta aligeirada face ao tempo disponível.

A relação não altera em nada o sentido do artigo publicado, mas os números devem ser referidos: género feminino 17,6% e masculino 81,9% (39 para 181). Fica aqui a justa anotação dos factos. JANEIRO.FEVEREIRO.