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Capa da edição nº 86 do Jornal de Espiritismo

86Jornal de Espiritismo nº 86

Março 2018 · 20 secções · ≈ 73 min de leitura

A edição 86 do Jornal de Espiritismo discute a relação entre o Espiritismo e a Ecologia, apresentando uma pesquisa feita com 1283 pessoas. Aborda o método de Kardec, a psicofonia e a influência da prece na saúde. O editorial reflete sobre a maturidade e a sabedoria, comparando a vida às fases de uma planta. A seção "Correio" responde a dúvidas sobre mediunidade inconsciente e o desenvolvimento mediúnico, orientando os leitores ao estudo e à busca por apoio em associações espíritas.

Ecologia Espírita
Mediunidade
Estudo Espírita
Obras Kardec
Maturidade
Vida e Morte

Capa

Página 11 min

86 ANOXIV JDE JANEIRO . FEVEREIRO . 2 0 1 8 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 É ficção ou o espiritismo tem muito a ver com a ecologia? Perguntas ligadas a esta questão foram endereçadas a 1283 destinatários com e-mail válido através de um comunicado noticioso da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal e partilhado no Facebook.

A ideia não foi fechar o tema, mas sim abri-lo. Veja nas páginas centrais! 8 ENTREVISTA O MÉTODO DE KARDEC Foi tese de mestrado: é obrigatório ler Marcelo Gulão Pimentel. Que se pensa no movimento sobre Espiritismo e Ecologia? 12 PESQUISA PSICOFONIA: RITMOS DO ESCLARECIMENTO Como ajudar o Espírito que se manifesta? 13 PESQUISA PRECE E SAÚDE Produz efeitos na saúde do nosso corpo físico. 14 CRÓNICA NA LINHA DA FILOSOFIA ESPÍRITA Marco Aurélio, imperador, filósofo e guerreiro, viveu no século II: o Cristianismo dava os primeiros passos .

10 foto pixabay | artwork ulisses.com.pt JANEIRO.FEVEREIRO.

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Editorial / Conto

Página 23 min

EDITORIAL / CONTO Depois de mais 365 dias corridos no meio século passado nesta viagem, tem piada: por vezes vejo algumas pessoas preocupadas com a ruga que apareceu. Não é de criticar, é legítimo. A maturidade variável de ser para ser não poucas vezes faz-se acompanhar de tais sinais que não precisam de ser vistos com peso como se idade fosse castigo. Pelo contrário, é cicatriz de vitórias volvidas, lições aprendidas, conhecimento alcançado.

É normal. Nesta circunstância somos muito parecidos com as plantas. Quando percebemos as sementes a despertar no breu do solo vivo, o pequeno vegetal a emergir da terra, mais tarde as flores a agitarem-se na brisa em tempo variável, e por fim o fruto, encantamo-nos tanto com as pétalas que pensamos serem elas o apogeu da planta. Mas não é. O clímax evolutivo está no fruto, bem depois das flores! As corolas estonteantes são só aparência, lindas, mas não têm o talento de produzir no imediato novas plantas.

Embelezam-se para atrair insetos polinizadores e assim obterem mais sementes férteis. Na nossa espécie é igual. Vem a juventude a florescer, as atrações, os afetos platónicos, como convém, já que a prole pede atenção máxima. Mas não é. O clímax evolutivo está no fruto, bem depois das flores! Mais tarde, frutifica a experiência, a maturidade, a sabedoria… Quando as rugas aparecem sobrevém lá dentro, no imo do ser espiritual, a luz das aprendizagens amadurecidas, afinal, as metas desta viagem tantas vezes terapêutica, breve, em que estagiamos.

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Correio

Página 35 min

Mediunidade inconsciente Em 12 de outubro de 2017, W. Cruz pergunta: «Gostava de tirar uma dúvida, se possível: nos estudos que fazem, acham possível a hipótese de uma mediunidade inconsciente? Digo, se na sua visão é possível alguém ser médium inconsciente, sabe-se que é raro, mas alguns estudiosos como alguns psicólogos, dizem que mediunidade inconsciente é impossível, pois a pessoa sempre lembraria de algo.

Eu na minha posição discordo, acho possível, pois já conheci médium inconsciente, que depois da comunicação não se lembrava de absolutamente nada. Como vêem essa questão? Já conheceram algum médium inconsciente? Gostaria de saber o vosso ponto de vista». A resposta seguiu no dia seguinte, após um novo pedido de resposta: «Caro Wanderson. Vimos a sua interrogação (?) a aguardar uma resposta pronta. Porém, deve saber que durante o dia trabalhamos nas nossas profissões e só nos tempos livres temos ensejo de atender a compromissos familiares e outros, inadiáveis.

Decorre daí que nem sempre conseguimos responder prontamente a solicitações como a sua. Permita-nos adiantar-lhe que é oportuno aprofundar o assunto através de duas obras que consideramos fundamentais na matéria - «O Livro dos Médiuns», de Allan Kardec, e depois em «Mecanismos da Mediunidade» da autoria espiritual de André Luiz com psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. Para não atrasar mais a resposta, sublinhamos que na nossa experiência conhecemos alguns casos de médiuns psicofónicos que de facto não se recordavam invariavelmente do que se passara durante o transe.

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Breves

Página 43 min

Encontro Nacional de Educadores O evento contou com cerca de 70 dirigentes espíritas provenientes de 17 centros espíritas de Norte a Sul de Portugal. Com uma organização esmerada, após a abertura, Mirian Dusi, de Federação Espírita Brasileira, falou sobre educação espírita nesta era de transição planetária. Renata Gastal e Euzeny Bayma falaram sobre a fotografia como elemento de educação. Seguiu-se um almoço conjunto, em sistema de self-service, oferecido pela FEP tendo as atividades prosseguido com uma apresentação da Associação Espírita Consolação e Vida, de Águeda.

Posteriormente Miriam Dusi falou da busca da qualidade na educação espírita. Após o Domingo, 19 de novembro de 2017, sede da Federação Espírita Portuguesa (FEP), Amadora, como habitualmente, todos os anos, realizou-se o Encontro Nacional de Educadores Espíritas. intervalo teve lugar um trabalho de grupo, com apresentação de propostas adequadas à realidade espírita portuguesa e uma reflexão final. O dia marcado pela alegria, convívio e boa disposição terminou após um breve lanche, com um bolo evocativo do evento.

A página da FEP na Internet, em www. feportuguesa.pt, possui vasto material de apoio gratuito para quem trabalha me educação espírita juvenil, bem como uma grande variedade de novos livros infantis e juvenis, de qualidade, à venda. Ficou realçada a importância dos pais levarem os filhos ao centro espírita, no sentido de criarem bases sólidas para a sua vida quando adultos, bem como, através do exemplo, ajudar assim a pacificar a sociedade.

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Breves (pág. 5)

Página 53 min

Porto: Saúde como a perfeita harmonia da alma O Centro Espírita Caridade por Amor (CECA) da cidade do Porto acolheu uma palestra de Joana Farhat, do Departamento Académico da Associação Médico-Espírita do Norte (AME Norte), subordinada ao tema «Saúde como a perfeita harmonia da alma» no passado dia 10 de novembro, sexta-feira, pelas 21h30. A jovem expositora dissertou com competência sobre excertos dos livros psicografados no século XX pelo médium Francisco Cândido Xavier nomeadamente «Evolução em dois mundos» (André Luiz) e «Pensamento e vida» (Emmanuel) e justapô-los com uma mão-cheia de investigações científicas na área das ciências da saúde.

A forma alegre e acessível pela qual se exprimiu, ao contrário do que é habitual, despoletou palmas pelo trabalho apresentado. O Centro Espírita Caridade por Amor, associação sem fins lucrativos, fica na Rua de Fonseca Cardoso, n.º 39, 1.º Dt.º Frente. Açores: ”Amora arte de viver” A Associação Espírita Terceirense (AET), associação sem fins lucrativos, que fica na Rua da Guarita, n.º 186, A, em Angra do Heroísmo, incluiu no seu programa de palestras a apresentação do tema “Amor: a arte de viver” na terça-feira, dia 14 de novembro, às 20h00, com entrada é livre.

Esta associação tem presença na internethttp://aeterceirense. blogspot.pt Barcelos: A doença como caminho Sexta-feira, 17 de novembro, pelas 21h30, a conferência aberta ao público que decorreu no Núcleo de Estudos Espíritas de Barcelos teve por tema «A doença como caminho» e foi apresentada por Maria Paula Silva, médica pós-graduada em dor e presidente da Associação Médico-Espírita do Norte (AME Norte). Esta associação sem fins lucrativos fica na Rua Fernando de Magalhães, n.

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Reportagem

Página 62 min

Espanha: o elo espírita A logística estava garantida, num hotel da cidade, onde decorria o evento e estavam alojados os participantes. O hotel estava esgotado. Logo na sexta-feira, Rosa Diaz, de Ourense, fez as honras da casa, na condição de presidente da Associação Internacional para o Progresso do Espiritismo (AIPE), falando de seguida das sociedades espíritas e da mediunidade. Do outro lado do Atlântico, vieram Vicente Rios e Yolanda Clavijo, da Venezuela, que falaram do regulamento das sociedades espíritas e de ética da mediunidade, respectivamente.

Após cada intervenção havia sempre debate com o público presente. A abertura oficial do congresso estaria a cargo de Mercedes de La Torre, presidente da Associação Espírita da Andaluzia, a que se seguiu um painel sobre reencarnação. O já emblemático grupo de Vilhena contagiou os presentes com a sua alegria, boa disposição e saber, nas pessoas de Fermín Hernandez, João Manuel Meseguer e António Lledó. Seguidamente, o prof.

Mauro Barreto, do grupo espírita de La Palma, deu simpática aula sobre como funcionam as leis universais, seguindo-se o português António Pinho, de Vale de Cambra, abordando a importância do perispírito na reencarnação. O almoço veio retemperar as forças, bem como a famosa sesta espanhola, seguindo - -se, de novo, Rosa Diaz (enfermeira) com o tema “Autodescobrimento: a busca interior”. José Lucas, de Portugal, abordou a “Fluidoterapia: provas científicas” e o bioquímico Vicent Guillen abordou o stress, depressão e transtornos psicológicos na saúde.

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Consultório

Página 74 min

foto loucomotiv Consumo de drogaparte 1 Pergunta: «Dr.ª Gláucia, tenho 22 anos e sinto-me impelido a consumir drogas recreativas. Sou de uma família espírita e já tive uma psicose, quando tinha 20 anos. Disseram-me no centro que poderia estar obsidiado: o que devo fazer?» Gláucia Lima: «Caro leitor, há uma estreita relação entre o consumo de drogas recreativas e as drogas que causam maior adição. Também são muitos os fatores que levam a pessoa a sentir o desejo de consumir uma droga e ficar “agarrado” a essa substância.

Entretanto, vamos iniciar a resposta que pediu, definindo o que é uma droga. Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética que, introduzida no organismo modifica suas funções. “As drogas naturais são obtidas através de determinadas plantas, de animais e de alguns minerais”. Porém, este é um conceito muito anglo-saxónico, no qual quer um comprimido quer a substância de abuso são considerados droga. O termo droga presta-se a várias interpretações, mas, frequentemente suscita a ideia de uma substância proibida, de uso ilegal e nocivo ao indivíduo, que lhe modifica as funções cognitivas, as sensações, o humor, o comportamento e o estado de consciência.

São de vária ordem as perturbações induzidas pelas substâncias e dependem de muitos fatores, entre eles, a vulnerabilidade do próprio indivíduo. Por exemplo, sabe-se que há pessoas que consomem toda a vida a Cannabis sativa , em várias formas (haxixe, erva, maconha) e não tem uma “descompensação psicótica” e outras para as quais a substância ativa da Cannabis (THC – Tetrahidrocanabinol) é um veneno! Refiro-me à descompensação psicótica – a um estado no qual o indivíduo fica fora da sua realidade objetiva, podendo ter neste estado sintomas esquizofreniformes (tipo esquizofrenia).

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Entrevista

Página 82 min

A questão é de suma importância, porque toca num dos pontos mais debatidos pelos céticos e pelos cientistas materialistas que não consideram o espiritismo ciência, muitas vezes pela falta de estudo e entendimento do método que Kardec buscou desenvolver para obter informações úteis e confiáveis sobre a dimensão espiritual do universo. A tese teve orientação do professor doutor Alexander Moreira-Almeida e co-orientação do professor doutor Klaus Chaves Alberto, respetivamente, coordenador-geral e coordenador da área de ciências humanas do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde, que funciona na mesma Método de Kardec investigado na Universidade universidade desde 2006.

Participaram da mesa examinadora o professor doutor Sílvio Seno Chibeni, da Universidade Estadual de Campinas, e o professor doutor Gustavo Arja Castañon, da Universidade Federal de Juiz de Fora. Marcelo Pimentel concentrou a sua pesquisa na leitura e análise de toda a obra publicada por Kardec: os seus livros e os 12 volumes da “Revue Spirite: Journal d’Études Psychologiques”. Foram também obtidos e analisados documentos originais inéditos de Kardec, em viagem de pesquisa por um mês na França com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais.

Como analisa a importância de Kardec como pesquisador? Marcelo Gulão Pimentel – Allan Kardec foi importante porque desenvolveu pesquisas pioneiras sobre os fenómenos mediúnicos. Ele propôs uma abordagem abrangente das manifestações mediúnicas que ocorriam na metade do século XIX. Kardec buscou analisar as principais teorias a respeito do tema e concluiu que a hipótese da existência dos espíritos era aquela que melhor explicava o conjunto dos fenómenos observados.

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Entrevista (pág. 9)

Página 97 min

mo. Ele procurava ampliar a sua base de dados empíricos utilizando diversos médiuns, muitas vezes desconhecidos uns dos outros. Enfatizava a descriçãoea interpretação do conteúdo das mensagens obtidas durante o transe mediúnico, comparando semelhanças e diferenças entre elas em busca de informações úteis que pudessem integrar a sua teoria. Kardec dava uma grande ênfase na análise do conteúdo das informações, sendo menos relevante a autoria das mensagens.

No decorrer da sua pesquisa, contou com um número cada vez maior de correspondentes que foi de grande importância para a multiplicação dos relatos mediúnicos com os quais ele criou, desenvolveu e reformulou os seus princípios acerca do mundo espiritual. A “Revista Espírita” foi um espaço destacado de debates com os seus correspondentes, contribuindo para o amadurecimento das ideias a respeito do espiritismo. Pesquisador ativo, Kardec também utilizava casos históricos acerca dos fenómenos mediúnicos e também de pesquisas de campo, visitando médiuns e locais onde as manifestações espirituais se davam.

Do conjunto de informações obtidas, ele desenvolveu a teoria espírita. Que contribuições pode trazer à ciência uma melhor compreensão da metodologia do espiritismo? Marcelo Gulão Pimentel – Pode contribuir para o debate académico acerca dos fenómenos anómalos que envolvem experiências conhecidas como espirituais, psíquicas ou mediúnicas. Investigações históricas não só do método de Allan Kardec, mas também de outros pesquisadores que conduziram pesquisas sobre o tema poderiam retomar teorias e metodologias fomentadoras de novas abordagens empíricas, bem como tornar mais bem conhecida uma longa tradição de investigações no campo da mediunidade.

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Inquérito

Página 103 min

Relação espiritismo e ecologia: mito ou r ealid ade? No fito de analisar dados que tentam refletir a forma como as pessoas de alguma maneira envolvidas com o movimento espírita em 2017 entendiam a vertente ambiental da sua passagem terrena, criou-se um inquérito: as perguntas foram libertadas via internet entre 27 de agosto e fim de dezembro. Será possível que a escassez ou abundância de água potável, ou que o ar puro que gostamos de respirar, na vertente dos estudos ecológicos, tenham algo a ver com as coordenadas expostas pela doutrina espírita?

De nossa parte, sabemos que sim. Aliás, em maio de 2016 o tema ilustrou as páginas centrais deste jornal, mas não havia como incluir a tempo as parcelas de análise resultantes das respostas de pessoas que tiveram a gentileza de atender ao desafio lançado. Vem aí mais trabalho Saliente-se desde já, contudo, que os resultados globais deste trabalho serão divulgados na sua totalidade no fim de semana de 21 e 22 de abril de 2018, durante as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, no Centro de Congressos de Caldas da Rainha, em formato de poster.

Depois disso ficará disponível no site da ADEP – www.adep.pt. Entretanto, como a edição deste jornal teve de finalizar os conteúdos antes do fim de dezembro – o prazo-limite deste inquérito que funcionou on-line – não quisemos deixar os leitores à espera e recolhemos em 15 de novembro os resultados possíveis – 160 respostas! –, a fim de lhe adiantarmos estas linhas. Espiritismo e ecologia Espiritismo e ecologia são dois sistemas de conhecimento que surgem com um sincronismo peculiar na história da humanidade.

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Inquérito (pág. 11)

Página 112 min

todos estes dias cheios de aprendizagem. Tal impacto, a continuar assim, vai acabar provavelmente por causar muito sofrimento humano e «mutilaria o planeta de forma irremediável». A mitigação deste grave problema dos dias que correm é transversal a governos e a cidadãos. É de tal forma abrangente que não pode ser deixado numa só destas partes. A ganância invariavelmente conduz a desastres coletivos. Em «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, na questão 705, lê-se: «Por que nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário?

». «É que, ingrato, o homem a despreza. Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é porque ele emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário. Olha o árabe no deserto.

Acha sempre de que viver, porque não cria para si necessidades fictícias. Desde que haja desperdiçado a metade dos produtos em satisfazer fantasias, que motivos tem o homem para se espantar de nada encontrar no dia seguinte e para se queixar de estar desprovido de tudo, quando chegam os dias de penúria? Em verdade vos digo, imprevidente não é a Natureza, é o homem, que não sabe regrar o seu viver.» Uma parte do inquérito não tem representação gráfica.

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Pesquisa

Página 126 min

Psicofonia: ritmos-padrão do esclarecimento O assunto destas linhas liga-se às reuniões mediúnicas habituais em quase todas as associações espíritas, normalmente semanais, que duram entre uma a duas horas, e nas quais, através de médiuns psicofónicos (“incorporação”), se conversa com pessoas que viveram na Terra e que estão nessa altura já fora da dimensão de vida material, os chamados Espíritos desencarnados.

É certo que os termos aparecem em qualquer conversa no movimento espírita: doutrinador, evangelizador. Há igualmente autores de ótimos livros, mais que respeitáveis, deste e do outro plano da vida, que os utilizaram. Como estamos a utilizar a língua portuguesa é uma questão de bom senso: as palavras devem ser bem aplicadas. A tarefa de quem atende o caso que se manifesta mediunicamente é a de esclarecer. Não é útil, na verdade, emitir doutrina nem tão pouco desfiar demasiadas citações do evangelho.

Por isso, faz mais sentido em vez de evangelizadores ou doutrinadores chamar esclarecedores. Já se ouviu também a designação dialogadores, embora o diálogo não seja necessariamente iluminativo, logo, o termo é frágil. Outro ponto tem a ver com a vasta tipologia dos casos que se manifestam. Alguns Espíritos sabem que já estão na vida espiritual quando são postos – pelos amigos espirituais que superintendem a uma reunião mediúnica bem orientada – a falar pelo médium.

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Pesquisa (pág. 13)

Página 134 min

Allan Kardec disse-nos várias vezes que sim. Como podemos ler no livro “A Génese”, “O pensamento produz uma espécie de efeito físico que reage sobre o moral (…) ”. Mas o que diz a ciência atual? Em 2007 dois médicos brasileiros fizeram uma revisão sobre o assunto. Nele, falam - -nos de um estudo muito interessante feito em 1997 e que se baseia nos efeitos da prece nos níveis da interleucina 6, uma substância que se correlaciona com situações agudas de stress, doença cardiovascular, depressão, doença músculo-esquelética, cancro e doença de Alzheimer.

Estes cientistas concluíram que os doentes estudados que não tinham por hábito orar ou praticar qualquer outro tipo de atividade religiosa mostravam níveis mais elevados desta interleucina e de outros marcadores de inflamação. Esta conclusão foi corroboPrece e Saúde rada por vários estudos a posteriori, existindo também evidência de que doentes com menor prática religiosa têm também maior taxa de mortalidade. Outro estudo decidiu incidir especificamente sobre doentes com o vírus da imunodeficiência humana (VIH).

Este vírus ataca um certo tipo de células de defesa denominadas por CD4. Concluiu-se que nos doentes infetados com VIH, independentemente do tipo de prática religiosa, quadro inicial da doença, medicações em uso, idade, sexo, etnia, educação, hábitos de vida, depressão e suporte social, a prática de atividades religiosas foi fator preditor independente para redução da carga viral e aumento dos valores de CD4, ou seja, doentes com prática regular de atividades religiosas/espirituais – como a prece – tinham um maior controlo da doença.

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Opinião

Página 143 min

Quem é o espírita? É o adepto da doutrina espírita (ou espiritismo), que é uma filosofia de vida, um conjunto de ideias, com bases experimentais e com consequências morais. Nada tem a ver com religiões, seitas, bruxarias, magias, crendices, etc. Estudando a obra literária de Allan Kardec, vemos em “O Livro dos Espíritos”, na “Lei de Sociedade”, que vivemos na Terra, todos em conjunto, todos diferentes, com capacidades díspares, para que possamos evoluir, aprendendo uns com os outros e, treinando assim a cooperação fraterna entre todos, a caminho de um mundo melhor.

Existem espíritas que, acomodados dentro das quatro paredes do seu centro espírita, pouco ou quase nada fazem fora do mesmo. Outros, pensam mesmo que o seu trabalho é de ajuda, oração, serviço ao próximo, mas, ali dentro do centro espírita, fora do bulício diário e das dificuldades sociais, numa espécie de retrocesso aos conventos de outrora. Existem espíritas que pensam devermos ter um papel mais activo na sociedade, mas não nas áreas mais difíceis, mais polémicas.

Essas, devemos deixar para os demais e, remetermo-nos à oração, deixar tudo nas mãos de Deus, que decerto resolverá os problemas sociais. Ora, o espiritismo, como doutrina (conjunto de ideias) filosófica de consequências morais, que revela as leis que regem o intercâmbio entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo, tem grande responsabilidade social. Já imaginaram se, fruto da boa vontade de uns, da capacidade de comunicar de outros, do esforço de muitos, se conseguisse passar a ideia da imortalidade (baseada em factos), da reencarnação (baseada em factos) e, da Lei de Causa e Efeito (baseada em factos) à Humanidade?

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Opinião (pág. 15)

Página 154 min

Quando falamos às pessoas sobre as EQM, normalmente mencionam-se os casos em que as pessoas se sentem a flutuar acima do seu corpo, passam por um túnel em direção a uma luz e entram em contacto com amigos ou familiares já falecidos, surpreendendo-os uma sensação de paz e alegria, num hálito de plenitude que nunca haviam experimentado antes. Mas por vezes, normalmente com alguma cautela, alguém pergunta se não existem outro tipo de relatos, referindo-se a EQM desagradáveis.

Embora a grande maioria das EQM sejam de harmonia e promovam boas sensações, algumas são marcadas pela perturbação, tendo como emoções predominantes o medo, a raiva, a solidão, o vazio e a culpa. Existem investigadores que acreditam que o número de casos de EQM perturbadoras pode mesmo estar subavaliado, defendendo que as pessoas que passam por elas sentem um estigma acrescido que as inibe de as partilharem. É um dado muito seguro que as EQM perturbadoras ocorrem em menor número que as agradáveis mas, a sua frequência exata ainda não pode ser estimada com segurança.

Em 2014, Bruce Greyson, professor de psiquiatria e ex-director da “Division of Perceptual Studies” da Universidade da Virgínia nos EUA publicou o artigo “Distressing near-death experiences: the basics” em que procurava conhecer melhor estes casos. Ele dividiu as várias EQM perturbadoras em três tipos: Inversas, vazias e infernais. No primeiro caso, as pessoas reagiam de uma forma ansiosa e aflita à EQM devido ao caracter inusitado da experiência.

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Opinião (pág. 16)

Página 163 min

Explicámos também que o Pai Nosso em coro, forma ritual de o rezar, lhe subtrai algum do seu potencial de energia, à luz do conceito de oração de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. 27. Na crónica anterior chegamos à sétima e última petição do Pai Nosso “livrai-nos de todo o mal”, ponderando com Espinosa e J. Herculano Pires a relatividade da ideia de mal (“O Livro dos Espíritos”, N. do T. ao quesito 615, edição LAKE).

Assim termina a oração do Senhor (também assim chamada); mas antes do amém, frequentemente se lhe acrescenta “…pois vosso é o reino, o poder e a glória para sempre”. Alguns tradutores bíblicos colocam essa frase entre colchetes, e em rodapé anotam não figurar no texto grego adotado (J. Ferreira de Almeida), outros incluem-na sem anotações (como a versão inglesa King James, autorizada), outros ainda simplesmente a omitem (Frederico Lourenço, ed.

Quetzal 2016; monges de Maredsous, Bélgica, Ed. Claretiana 1973). De qualquer modo, ainda em consonância com Espinosa (“AO ENCONTRO DE ESPINOSA: As Emoções Sociais e a Energia do Sentir”, António Damásio, Europa- América 2004) a profundeza da frase acrescentada não destoa da oração do Senhor, exaltando a majestade soberana do Pai Criador. Mais do que uma vez se tem enumerado erroneamente Albert Einstein e Charles Darwin entre os grandes ateus da História.

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Crónica

Página 176 min

Este representante do movimento filosófico conhecido como Estoicismo buscou os ensinamentos que tinham florescido na Grécia com Cleantes de Assos e Crísipo de Solis, difundidos em Roma a partir do ano 155 a.C. por Diógenes da Babilónia. León Denis na sua obra Cristianismo e Espiritismo lembrou que nos finais do século I, os cristãos nascentes receberam a influência do pensamento grego, identificando uma profunda proximidade entre a mensagem de Cristo e o Logos de Platão, ou seja, a ideia de razão universal.

São sintomáticas as palavras de León Denis na mesma obra, corroborando a de outros autores, ao enunciar que o Evangelho de João expressa claramente a condição de Cristo incorporar o Logos. Esta tinha sido uma ideia central do pensamento estóico para explicar como a divindade se relacionou com o Universo. Neste encadeamento de ideias, não oferecem dúvidas acerca da influência que o Estoicismo teve na maturação do Cristianismo e, seguindo a afirmação constante no Evangelho Segundo o Espiritismo de que o «Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa», concluiu-se assim, que o Estoicismo e o Espiritismo têm uma identidade recíproca, que é particularmente visível nas Meditações de Marco Aurélio.

O Estoicismo sugere um propósito moral em consonância com as leis da Natureza e promove um estado de indiferença em relação a tudo o que é exterior ao Ser, porque tudo é intrínseco ao Ser. É notória a influência do pensamento de Sócrates no movimento estóico, através da máxima «Conhece-te a ti mesmo», um filósofo considerado como um dos precursores do Cristianismo. Por outro lado, Emanuel através de Francisco Cândido Xavier, em «A Caminho da Luz», exortou o estatuto moral e espiritual de Marco Aurélio, sublinhando a nobre missão que recebera do Alto para deter a corrente de forças que vitimavam os cristãos, sem contudo, ter alcançado tão sublime objetivo.

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direitos reservados Entrevista a frequentadores Betina Lopes Ferreira

Página 184 min

foto direitos reservados Entrevista a frequentadores Betina Lopes Ferreira conta 39 anos e tem a profissão de contabilista. Vive em Braga. Como conheceu o espiritismo? Betina Ferreira – Desde pequena que o Espiritismo faz parte da minha vida, dado que os meus pais já frequentavam o centro espírita. Frequenta algum centro espírita? Betina Ferreira – Sim. Frequento a Associação Sociocultural Espírita de Braga. Qual a sua opinião acerca do «Jornal de Espiritismo»?

Betina Ferreira – O «Jornal de Espiritismo» é uma forma de divulgar a doutrina espírita, de uma forma muito clara e racional. Útil para quem pensa não ter tempo para a leitura dos Sabia que? O «Filme dos Espíritos», rodado na sua quase totalidade em São Paulo, Brasil, em 2011, foi inspirado na obra «O Livro dos Espíritos» de Allan Kardec e a data da sua estreia, no mês de Outubro, foi em comemoração do aniversário de Kardec?

A precocidade que certas crianças apresentam para as línguas, música e as ciências, em geral não passa de lembranças de vidas anteriores? A arte espírita, juntando a beleza com a harmonia, desperta a sensibilidade e torna-se instrumento de cura e equilíbrio do ser humano? De acordo com uma mensagem recebida pela psicografia através de Divaldo Franco e assinada pelo Espírito Léon Denis, durante o 4.º Congresso Mundial de Espiritismo em Paris (2004) Allan Kardec teria sido Jan Hus (1369-1415), filósofo e reformador religioso do Reino da Boémia, considerado hereje, sendo queimado vivo pela Inquisição católica?

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Literatura Esta obra lança muita luz sobre o período que se seguiu à m

Página 196 min

Literatura Esta obra lança muita luz sobre o período que se seguiu à morte de Allan Kardec, a 31 de Março de 1869, época nebulosa, com grande quantidade de factos da história do Espiritismo desconhecidos de nós, espíritas, período este que vai até ao final do século XIX e entra nas primeiras décadas do século XX. Excluindo a publicação das «Obras Póstumas» do Codificador, em 1890, por Pierre - -Gaëtan Leymarie (1827-1901), num dos seus poucos arroubos de lucidez, tudo o mais que o médium amigo do casal Kardec realizou em nome da causa espírita foi demasiadamente triste e deprimente, pois a sua conduta levaria à gradual adulteração e posterior desaparecimento do Espiritismo, primeiro em França e depois na Europa.

O autor desta importante pesquisa ─ Adriano Calsone ─, para todos os que amam a Doutrina dos Espíritos, tem o condão de nos levar a viajar no tempo e seguir, passo a passo, os caminhos percorridos por Amélie-Gabrielle Boudet desde o seu nascimento em 1795, em Thiais, vilarejo a duas dezenas de quilómetros a sul de Paris. Assistimos ao seu primeiro encontro com o jovem professor Rivail, nove anos mais novo, mas que não o aparentava.

Tal encontro terá sido no final da década de 1820, ou no início da seguinte, e o seu casamento em 1832. Depois vemos Amélie assistir e participar em silêncio activo na epopeia à qual o seu marido foi chamado a percorrer, entre 1854 e 1869, para materializar na Terra a «Sabedoria dos Espíritos Superiores»: a Codificação Espírita, sob a égide do Espírito da Verdade. Concretizou, assim, o cumprimento daquilo que Jesus ─ o Espírito mais evoluído que nos foi dado conhecer (Questão n.

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Última

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Biblioteca Municipal caldense mostra o JDE No final do ano passado, em meados de novembro, o «Jornal de Espiritismo» ombreava num mostruário com as famosas revistas «Visão», «Volta ao Mundo» e «Science et Vie» na Biblioteca Municipal de Caldas da Rainha. Teria sido um prémio pelo seu 14.º aniversário celebrado em novembro de 2017? Curiosamente, ao vermos a primeira página da primeira edição, vê-se que o preço nunca aumentou.

Não admira, face aos propósitos não lucrativos do mesmo. Pode ver mais na entrevista gravada em vídeo com o diretor, Ulisses Lopes, no canal de YouTube da ADEPhttps://youtu. be/YHaxi37IMco Encontro Nacional de Jovens Espiritas O 35.º Encontro Nacional de Jovens Espíritas (ENJE) terá lugar em Coimbra nos dias 28 e 29 de abril de 2018. Uma circular já foi divulgada em dezembro e leva a assinatura do GEEAK: «Inspirados no movimento criado por Divaldo Pereira Franco em 1998 no Brasil, na cidade de Salvadore que fará 20 anos em 2018 -, é com muita alegria que anunciamos o tema do ENJE «Movimento Vocêea Paz».

Lê-se depois: «Convidamos todos os jovens, monitores e acompanhantes a juntarem-se a nós, fortalecendo os laços que queremos fortes e vigorosos para a paz, tão arredada do mundo chamado Terra. Para tornarmos este Encontro ainda mais especial solicitamos que todas as associações possam preparar uma apresentação alusiva ao tema: música, dança, teatro, etc. - nunca excedendo os 10/15 minutos». O contacto do GEEAK é este: Grupo de Estudos Espíritas Allan KardecSite www.

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