Inquérito (pág. 11)
Jornal de Espiritismo nº 86 · Março 2018Página 112 min
todos estes dias cheios de aprendizagem. Tal impacto, a continuar assim, vai acabar provavelmente por causar muito sofrimento humano e «mutilaria o planeta de forma irremediável». A mitigação deste grave problema dos dias que correm é transversal a governos e a cidadãos. É de tal forma abrangente que não pode ser deixado numa só destas partes. A ganância invariavelmente conduz a desastres coletivos. Em «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, na questão 705, lê-se: «Por que nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário?
». «É que, ingrato, o homem a despreza. Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é porque ele emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário. Olha o árabe no deserto.
Acha sempre de que viver, porque não cria para si necessidades fictícias. Desde que haja desperdiçado a metade dos produtos em satisfazer fantasias, que motivos tem o homem para se espantar de nada encontrar no dia seguinte e para se queixar de estar desprovido de tudo, quando chegam os dias de penúria? Em verdade vos digo, imprevidente não é a Natureza, é o homem, que não sabe regrar o seu viver.» Uma parte do inquérito não tem representação gráfica.
Estamos a referir-nos à pergunta «Diria que existe alguma parte nas suas páginas (bibliografia espírita) que se relaciona com as ideias de proteção da natureza e dos recursos naturais de que depende a humanidade na sua dimensão material?». Genericamente as respostas apontam partes bastante relacionadas com o tema em pauta, o que demonstra que quem respondeu o fez com consciência exata do que estava a fazer. A lei de conservação, constante do livro terceiro de «O Livro dos Espíritos», nas leis morais, é apontada muitas vezes e, minoritariamente, a lei de destruição, bem como o conceito de vidas sucessivas a sugerir que muitos voltaremos um dia aos cenários de que formos co-autores.
Num ou outro caso quem responde diz «não me lembro», mas ficou a intuição, pois tinha antes respondido sim, que o espiritismo tem afinidade filosófica com a ecologia ou, em termos gerais, com a sustentabilidade dos recursos naturais da Terra. Há, contudo, algo a sublinhar. Uma coisa é saber que existe essa relação de afinidade, que temos a obrigação de reduzir ao mínimo possível a pegada ecológica pessoal, mas outra é concretizar essa ideia no quotidiano.
A distância pode ser grande hoje, ainda, mas a consciência vai agradecer sobremaneira se em breve esse panorama melhorar. Texto: Redação do JDE JANEIRO.FEVEREIRO.
