Inquérito
Jornal de Espiritismo nº 86 · Março 2018Página 103 min
Relação espiritismo e ecologia: mito ou r ealid ade? No fito de analisar dados que tentam refletir a forma como as pessoas de alguma maneira envolvidas com o movimento espírita em 2017 entendiam a vertente ambiental da sua passagem terrena, criou-se um inquérito: as perguntas foram libertadas via internet entre 27 de agosto e fim de dezembro. Será possível que a escassez ou abundância de água potável, ou que o ar puro que gostamos de respirar, na vertente dos estudos ecológicos, tenham algo a ver com as coordenadas expostas pela doutrina espírita?
De nossa parte, sabemos que sim. Aliás, em maio de 2016 o tema ilustrou as páginas centrais deste jornal, mas não havia como incluir a tempo as parcelas de análise resultantes das respostas de pessoas que tiveram a gentileza de atender ao desafio lançado. Vem aí mais trabalho Saliente-se desde já, contudo, que os resultados globais deste trabalho serão divulgados na sua totalidade no fim de semana de 21 e 22 de abril de 2018, durante as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, no Centro de Congressos de Caldas da Rainha, em formato de poster.
Depois disso ficará disponível no site da ADEP – www.adep.pt. Entretanto, como a edição deste jornal teve de finalizar os conteúdos antes do fim de dezembro – o prazo-limite deste inquérito que funcionou on-line – não quisemos deixar os leitores à espera e recolhemos em 15 de novembro os resultados possíveis – 160 respostas! –, a fim de lhe adiantarmos estas linhas. Espiritismo e ecologia Espiritismo e ecologia são dois sistemas de conhecimento que surgem com um sincronismo peculiar na história da humanidade.
Esta relação é feita de forma inteligente por André Trigueiro, jornalista e professor, craque nesta mesma área. A doutrina espírita – ou espiritismo – surgiu em 18 de abril de 1857 em Paris, França, com a publicação da 1.ª edição de «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec. Esta forma de ver a vida valoriza a forma como o Espírito se comporta na vida material e, de modo particular, desenvolve num entendimento específico a teoria das vidas sucessivas articulada com uma lei de causa e efeito que vigora sem descanso na natureza, inclusive nesta ou na vida futura.
Por sua vez, a palavra ecologia aparece uma dúzia de anos depois, em 1869, através do naturalista alemão chamado Ernest Haeckel, que «usou pela primeira vez este termo para designar o estudo das relações entre os seres vivos e o ambiente em que vivem». Curiosamente, ecologia é uma palavra que «tem origem no grego «oikos», que significa casa, e «logos», estudo. Logo, por extensão, seria o estudo da casa, ou, de forma mais genérica, do lugar onde se vive».
Hoje, entende-se que «ecologia é a ciência que estuda o meio ambiente e os seres vivos que vivem nele, ou seja, é o estudo científico da distribuição e abundância dos seres vivos e das interações que determinam a sua distribuição. As interações podem ser entre seres vivos e/ou com o meio ambiente». Alterações climáticas e efeito de estufa, ordenamento do território e conservação da diversidade da vida, entre muitas outras questões desta ordem são ventiladas na imprensa todos os dias, sobretudo quando se fala de incêndios e de seca.
Não é assunto de outrem, é de todos. Pensar, refletir sobre como diminuir a nível pessoal e familiar a nossa pegada ecológica é um grato dever de cidadania que há de reverter a favor de todos. Neste sentido, lia-se em meados de novembro no jornal «Diário de Notícias» o segundo alerta em 25 anos de 15 mil cientistas, muitos deles distinguidos com Prémio Nobel, sobre o futuro da humanidade na sua dimensão material, e não do planeta como se escrevera, sendo certo que, dizem, «em breve será demasiado tarde para reverter esta tendência perigosa» (13-11-2017).
O problema reside no enorme impacto em todo o mundo das atividades humanas na natureza, a fonte de recursos vitais que nos permitem viver na dimensão material foto ulisses.com.pt É ficção ou o espiritismo tem muito a ver com a ecologia? Perguntas ligadas a esta questão foram enviadas a 1283 destinatários com e-mail válido através de um comunicado noticioso da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal e partilhado no Facebook.
A ideia não foi fechar o tema, mas sim abri-lo. JANEIRO.FEVEREIRO.
