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Pesquisa (pág. 13)

Jornal de Espiritismo nº 86 · Março 2018Página 134 min

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Allan Kardec disse-nos várias vezes que sim. Como podemos ler no livro “A Génese”, “O pensamento produz uma espécie de efeito físico que reage sobre o moral (…) ”. Mas o que diz a ciência atual? Em 2007 dois médicos brasileiros fizeram uma revisão sobre o assunto. Nele, falam - -nos de um estudo muito interessante feito em 1997 e que se baseia nos efeitos da prece nos níveis da interleucina 6, uma substância que se correlaciona com situações agudas de stress, doença cardiovascular, depressão, doença músculo-esquelética, cancro e doença de Alzheimer.

Estes cientistas concluíram que os doentes estudados que não tinham por hábito orar ou praticar qualquer outro tipo de atividade religiosa mostravam níveis mais elevados desta interleucina e de outros marcadores de inflamação. Esta conclusão foi corroboPrece e Saúde rada por vários estudos a posteriori, existindo também evidência de que doentes com menor prática religiosa têm também maior taxa de mortalidade. Outro estudo decidiu incidir especificamente sobre doentes com o vírus da imunodeficiência humana (VIH).

Este vírus ataca um certo tipo de células de defesa denominadas por CD4. Concluiu-se que nos doentes infetados com VIH, independentemente do tipo de prática religiosa, quadro inicial da doença, medicações em uso, idade, sexo, etnia, educação, hábitos de vida, depressão e suporte social, a prática de atividades religiosas foi fator preditor independente para redução da carga viral e aumento dos valores de CD4, ou seja, doentes com prática regular de atividades religiosas/espirituais – como a prece – tinham um maior controlo da doença.

Ainda em 2017, surgiu um estudo semelhante feito em São Paulo que, também circunscrito a uma população específica, se intitulava “Efeitos da prece nos parâmetros vitais de pacientes com insuficiência renal crônica”. Perante doentes em hemodiálise foi possível concluir que a prece conseguiu reduzir os seus valores de pressão arterial, frequência cardíaca e frequência respiratória. Para além destas alterações nos parâmetros vitais, a prece contribuiu também para o alívio do sofrimento dos doentes.

Assim, segundos diversos estudos, a prece parece ter efeitos sobre a saúde, tanto na prevenção como no controlo de doenças e até na redução da taxa de mortalidade de pelo menos 25%. Assim, segundo diversos estudos, a prece parece ter efeitos sobre a saúde, tanto na prevenção como no controlo de doenças e até na redução da taxa de mortalidade de pelo menos 25%. Mas será que a forma da prece influencia o seu resultado na saúde?

É esta a questão que podemos ver respondida num dos estudos referidos na revisão “Prayer and Health: Review, Meta-Analysis, and Research Agenda”. Parece que sim. Estes investigadores dividiram a prece em quatro tipos: a prece peticionária (pedindo alguma coisa para o próprio ou para amigos), a prece coloquial (uma espécie de conversa com Deus), a prece ritualística (uma prece “pré-definida” como as conhecidas “rezas”) e a prece meditativa (traduzindo uma maior proximidade e intimidade com o divino e descrita pelas pessoas como uma conversação/adoração/reflexão).

O tipo de prece que mais se relaciona com satisfação religiosa parece ser prece meditativa e a prece coloquial parece predispor a uma maior sensação de felicidade. Por sua vez, a prece ritualística associa-se mais a sentimentos de solidão e de tensão. No entanto, parece que não é tanto o tipo de prece em si que influencia estes resultados, mas sobretudo os sentimentos despertados na pessoa quando esta faz a prece: quem sente estar a interagir com Deus ou experimenta sensações de paz durante a prece apresenta maiores níveis de bem-estar físico.

Concluindo, a prece que nos transmite paz, tranquilidade e amor pode influenciar a nossa saúde. No entanto, são precisos ainda mais estudos, com maior número de pessoas e com métodos científicos ainda mais rigorosos para consolidar esta ideia e permitir que a comunidade médica aceite mais uma evidência da relação entre espiritualidade e saúde. Por: Joana Santos Referências: 1. Masters, K. S.; Spielmans, G. I. Prayer and Health: Review, Meta-Analysis, and Research Agenda.

J Behav Med (2007) 30:329–338 2. Guimarães, H.P.; Avezum, A. O Impacto da Espiritualidade na Saúde Física. Rev. Psiq. Clín. 34 (2007), supl 1; 88-94 3. Brasileiro, TOZ, Prado AAO, Assis BB, Nogueira DA, Lima RS, Chaves ECL. Effects of prayer on the vital signs of patients with chronic kidney disease: randomized controlled trial. Rev Esc Enferm USP (2017) 51:e03236. Um dos aspetos que sempre me fascinaram no espiritismo foi a defesa da prece genuína e sincera, como fonte de bons sentimentos e de paz interior.

Acredito que todos os que leem este jornal já tenham experienciado essa sensação de bem-estar que vem da alma mas que nos toca o corpo. Posto isto, surge a pergunta: será que a prece, independentemente da religião e do credo, tem efeitos na nossa saúde e no corpo físico? foto pixabay JANEIRO.FEVEREIRO.