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Opinião (pág. 16)

Jornal de Espiritismo nº 86 · Março 2018Página 163 min

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Explicámos também que o Pai Nosso em coro, forma ritual de o rezar, lhe subtrai algum do seu potencial de energia, à luz do conceito de oração de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. 27. Na crónica anterior chegamos à sétima e última petição do Pai Nosso “livrai-nos de todo o mal”, ponderando com Espinosa e J. Herculano Pires a relatividade da ideia de mal (“O Livro dos Espíritos”, N. do T. ao quesito 615, edição LAKE).

Assim termina a oração do Senhor (também assim chamada); mas antes do amém, frequentemente se lhe acrescenta “…pois vosso é o reino, o poder e a glória para sempre”. Alguns tradutores bíblicos colocam essa frase entre colchetes, e em rodapé anotam não figurar no texto grego adotado (J. Ferreira de Almeida), outros incluem-na sem anotações (como a versão inglesa King James, autorizada), outros ainda simplesmente a omitem (Frederico Lourenço, ed.

Quetzal 2016; monges de Maredsous, Bélgica, Ed. Claretiana 1973). De qualquer modo, ainda em consonância com Espinosa (“AO ENCONTRO DE ESPINOSA: As Emoções Sociais e a Energia do Sentir”, António Damásio, Europa- América 2004) a profundeza da frase acrescentada não destoa da oração do Senhor, exaltando a majestade soberana do Pai Criador. Mais do que uma vez se tem enumerado erroneamente Albert Einstein e Charles Darwin entre os grandes ateus da História.

Einstein no início do seu percurso científico afirmava tudo ter explicação na matéria e pela matéria, mas nunca se considerou ateu. Declarou-o explicitamente mais tarde, e que o seu Deus não era o deus convencional de castigos e prémios concebido pelos homens, era sim o Deus de Espinosa – o SER total, uno, infinito, perfeito. Nos últimos 30 anos de vida, com o seu apurado sentido de unidade cósmica o grande cientista persistiu na ânsia de formular matematicamente a “equação de tudo” (GUT – grand universe theory), a equação final que explicasse foto pixabay Novas de alegria – 15 A Oração Dominical, insistimos, é um modelo fecundíssimo de prece que Jesus legou à Humanidade no Sermão da Montanha (juntamente com as bem- aventuranças e outros ensinamentos riquíssimos) – não uma fórmula rígida por Ele imposta como oração ritual a adotar.

Marco Aurélio ao escrever as suas «Meditações» ou «Pensamentos de Mim» deixou-nos um tratado de Ética com cariz prático, de como controlar os desejos e as emoções, libertando o Ser Humano da dor e dos prazeres próprios do mundo material. tudo, englobando as anteriores – cada uma resolvendo alguma questão científica, mas suscitando outras novas. Quando, com Espinosa, entendemos Deus como o alfa eoómega, infinito, uno, portanto “a única substância” de tudo, sem a qual nada poderia ser ou subsistir – estamos efetivamente a adorá-Lo, reconhecê-Lo pleno, total, Verdade imutável, Absoluto (a relatividade de tudo exige um absoluto, referência suprema para todos os relativos), detentor primordial da realeza, poder e glória autênticos.

Tal reconhecimento e adoração fazem também concluir e sentir, com Jesus, que nos é dado participar dessa mesma realeza e omnipotência: espontânea, naturalmente, e no grau de evolução das Suas criaturas eternamente amadas, o Pai de infinito amor partilha a Sua omnipotência com elas. O Bom Pastor, por si mesmo designado “filho do Homem”, repetidamente se mostrava investido no poder divino, elucidando: “Aquele que crê em mim fará as coisas que eu faço e até maiores” (João 14, 12); e ainda: “Vós sois deuses” (João 10, 34).

Ilógica, de todo impensável, seria a possibilidade de o Pai excluir do Seu amor e partilha qualquer criatura Sua, por insegurança, por temor, ou por castigo. Por João Xavier de Almeida JANEIRO.FEVEREIRO.