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Sustentável

Jornal de Espiritismo nº 88 · Maio 2018Página 192 min

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No inverno, especialmente depois de surgiram alguns fenómenos extemos de frio, é comum ouvirmos ou lermos comentários baseados nesta lógica simplista: Como é que o Aquecimento Global pode ser uma realidade se está tanto frio lá fora? Por volta da passagem do ano, confrontados com os recordes de temperaturas negativas que atingiram os estados da costa Leste dos EUA, pessoas com grandes responsabilidades no Governo americano, de forma jocosa, deram eco a esta mesma lógica, lançando a confusão nas pessoas menos informadas.

Este tipo de argumentos, apenas revela ignorância em relação a dois conceitos muito simples: Tempo e Clima. Segundo a NASA, “Tempo é a forma como as condições da atmosfera se apresentam durante um período curto, enquanto Clima é a forma como a atmosfera se comporta em longos períodos temporais.” Ao longo do último século e meio, em que se registam as temperaturas do nosso planeta, 2015, 2016 e 2017 foram os mais quentes de sempre.

Estar muito frio num determinado lugar do Globo, durante uma semana ou até um mês, não é indicador significativo sobre a evolução do clima no nosso planeta. O que se torna mais relevante é a análise ao que tem acontecido com as temperaturas médias nas diferentes latitudes ao longo dos últimos meses e anos. Através desses indicadores, é inevitável concluirmos que o clima está mesmo a mudar. A tendência de aquecimento global é de alguma forma natural, uma vez que o planeta encontra-se a sair de uma idade do gelo que terminou há cerca de 20 mil anos.

O que é preocupante é que o aumento da concentração de gases de efeito estufa está a acelerar de forma dramática esse aquecimento. Ao longo do último século e meio, em que se registam as temperaturas do nosso planeta, 2015, 2016 e 2017 foram os mais quentes de sempre. Grande parte dos cientistas ambientais defende que, o que quer que nós façamos a partir de hoje já não irá conseguir impedir as graves consequências negativas que se projetam, mas ainda é possível amenizá-las e impedir que se confirmem os cenários mais negros.

Refutar estes factos, tentar manipulá-los para confundir a opinião pública, alimentando diante dos efeitos dos fenómenos climáticos extremos, é apenas reflexo de má-fé ou iliteracia científica. Mas ninguém poderá dizer que não sabia. Por Carlos Miguel Tempo e clima foto pixabay MAIO.JUNHO.