editorial Intriga?
Jornal de Espiritismo nº 9 · 2005Página 25 min
Quem nunca foi mordido pela intriga?! Entre ela e as urtigas, mais vale ir por estas, ao menos produzem oxigénio e favorecem a diversidade biológica. Ao contacto, ambas fazem sofrer. Por isso uma sugestão: tranquilize-se e mande a intriga às urtigas! Só depende de si...
Este ano pode ser um grande ano, aquele em que nos imunizamos contra esse veneno.
Razão, é certo, tem Francisco de Assis: mais vale ser vítima de intriga do que intriguista. Concorda? O intriguista é alguém que se encarcera nos seus próprios sentimentos infelizes, cria um mau clima à sua volta e, infelizmente, só mais tarde vem a reconhecer isso. As suas atitudes são como um buraco negro por onde se esvaem luzes de que poderia beneficiar.
Quem é alvo da intriga não! Pode até sofrer alguns dissabores, mas... o seu mérito, tendo uma reacção pacífica — numa palavra, caridosa —, conquista paulatinamente luzes de que beneficia desde logo,
intriguistacomo um organismo
Se quisermos gerar um esquema que analise a intriga como fenómeno, encontramos em essência três elementos: o intriguista, as mentes hospedeiras da intriga e o alvo da intriga.
A ignorância não é tudo: com frequência até há algum conhecimento, mas o propósito não é elevado e a intriga é um mal que encontra campo nas emoções daquele que se presta a isso. O livrearbítrio é assim mesmo, e traz as experiências necessárias à reeducação na lei de causa e efeito, como ensinam os espíritos sábios.
O intriguista isolado só se prejudica a si próprio. Mas quando há mentes que se propõem ser contagiadas por esse desvario, a intriga ganha força. Em maior ou menor grau, parece que tudo está a caminho de se perder: um projecto ou alguém que até tem um trabalho construtivo pode ser pintado de forma inclusive tenebrosa! Alguém dirá: “então, o alvo da intriga deve sair a campo e fazer valer a
prestam-se por invi ncia à doença
sua honestidade». Dê-nos o direito de discordar: quem se voluntariza, na voz popular, a emprenhar pelos ouvidos, é alguém que ainda funciona como catavento; de que servirão mais palavras?! «O silêncio ajuda sempre», dizia Meimei, espírito sensato, pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, em «Pai Nosso», «quando ouvimos» ou lemos «palavras infelizes». Vamos pelo conselho deste espírito bom!
Sublinhe-se: ainda que a intriga ganhe um intriguista e aliados, o alvo da intriga não está só!... Muito menos abandonado! Há lá bem maior do que uma consciência tranquila, não é? E, veja, se Deus é por nós, quem será contra nós?!
A justiça a Deus pertence, a nós pertence apenas — e já não é pouco — o trabalho. É com ele que ficamos. Quer também ficar assim connosco? Bemhaja por isso!...
Texto: Jorge Gomesjorge je&Oclix.pt
por lhe dar entrada ou por se imunizar
Por volta do ano 250 a. C., na China
antiga, um príncipe da região de ThingZda, no Norte do país, estava quase a ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele teria de se casar. Sabendo disso, resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna da sua proposta. Então, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes face a um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.
Ao chegar a casa e relatou o facto à jovem. Espantou-se ao ouvir que ela pretenderia ir à celebração. Indagou, incrédula: - Minha filha, o que achas que farás lá? Estarão presentes as mais belas e ricas mocas da corte. Tira essa ideia insensata da cabeça, sei que deves estar a sofrer, mas não tornes o sofrimento uma loucura! A filha respondeu:
- Não querida mãe. Não estou a sofrer e muito menos louca. Sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é a minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz, pois creio que o meu destino é outro.
À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de facto, as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais
Ficha técnica «Jornal de Espiritismo» Periódico bimestral Director
belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente,
o príncipe anunciou o desafio: - Darei, a cada uma de vós, uma semente. Aquela que dentro de seis m trouxer a mais bela flor será e: para minha esposa e futura imperatriz da China.
A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizavam muito a especialidade de
Registado no Instituto da Comunicação Social com onº 124325 Depósito legal 201396/03 Administração e Redacção DEP
Rua do Espírito Santo, N.º 38, Cave Nogueira - 4710-144 BRAGA Assinaturas
"cultivar" algo, fossem costumes, amizades, relacionamentos, etc. O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava da semente com muita paciência e ternura, pois sabia que, se a beleza das flores surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu. À jovem de tudo tentara, usara de todos os
jornal&Qadeportugal.org Conselho de Administração
Noémia Margarido, Isaías Sousa
Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal
métodos que conhecia, mas nada havia nascido e dia a dia ela entendia estar cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses tinham passado e nada germinara. Consciente do seu esforço e dedicação, comunicou à sua mãe que independentemente das circunstancias retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além do que mais alguns momentos na companhia do príncipe.
Na hora marcada estava lá, com o seu vaso vazio, bem como todas as pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra. Estava espantada, nunca havia presenciado tão bela cena. E finalmente chega o momento esperado: o príncipe chega e observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e, após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inusitadas reacções, ninguém compreendeu porque ele teria escolhido aquela que nada havia cultivado.
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma a flor da honestidade, pois mentes que entreguei eram
Fonte: http:/ /www.erudito.com.br/modules.php?nam e=historias&pa=showpage&pid=84
E-mail: adep(Qadeportugal.org http://ww.adeportugal.org Impressão
Os artigos publicados neste jornal são da inteira responsabilidade dos seus autores. À direcção do «Jornal de Espiritismo» pode inclusive nem concordar com alguns pontos.

