9 — índice de conteúdos

Entãoeo que ocorre em termos espirituais?

Jornal de Espiritismo nº 9 · 2005Página 154 min

Partilhar
Idioma

Nenhum espírito nasce sozinho ou por acaso. A sua ligação com o embrião ocorre por uma acção conjunta no plano espiritual, quando existem condições para sobrevivência, já no útero da mãe. Assim, o zigoto da espécie humana pode tornar-se o corpo de um ser humano só e somente só se a ele estiver associado um espírito, orientando o seu desenvolvimento. Se isto não se verificar, o zigoto fenece.

O mundo espiritual, atento à evolução tecnológica na área da “reprodução assistida”, encaminha à reencarnação nestas condições artificiais aqueles espíritos que por razões cármicas se encaixam na situação. A lei de sintonia de vibrações e a lei de Causa e Efeito sempre se cumprirão.

Antes de avançar com a implantação dos embriões no útero materno, é feito um Diagnóstico Genético Pré-implantacional. Para os

casais com características genéticas que poderão afectar os seus filhos, trazendo-lhes doenças hereditárias, torna-se possível seleccionar os embriões que não serão afectados por esses genes, evitando-se assim problemas futuros ou até mesmo o aborto.

O embrião concebido naturalmente permanece na trompa uterina cerca de três a quatro dias antes de entrar no útero, implantando-se na parede deste por volta do sexto dia. Na produção “in vitro”, geralmente três a quatro embriões são transferidos para o útero no terceiro dia, sendo os outros eliminados ou congelados (para aproveitamento posterior, em caso de insucesso na implantação uterina). A discussão referente ao eliminar ou não dos embriões excedentes assenta no aspecto ético.

Enquanto alguns médicos consideram que, mesmo não sendo um cidadão, o embrião tem como futuro sê-lo, não pode ser eliminado, outros defendem que a vida para o embrião tem início somente quando este é implantado no útero, sendo então inútil manter um embrião de má qualidade. Este será tão desnecessário no laboratório como no útero, razão pela qual não é utilizado e deve ser eliminado. Segundo o mundo espiritual, o zigoto “in vitro” não é um ser humano, visto que ainda não se encontra ligada a ele uma alma.

Assim, para o Espiritismo, a eliminação do zigoto produzido em laboratório não vai contra a ética, uma vez que é como uma roupa que se pode usar, doar ou aproveitar para outros fins. No livro “Reprodução Assistida à Luz do Espiritismo”, o estudioso e autor Durval Ciamponi, conjuntamente com o seu grupo de trabalho e investigação do tema, coloca ao mundo espiritual a seguinte questão: “No caso da reprodução assistida, quando se tem um número muaior de embriões, todos eles têm Espíritos que são ligados a eles no momento da fecundação?

”, ao que foi respondido “Os embriões são roupas a serem vestidas por Espíritos que a elas sejam adequados. Lógico que não teremos uma tribo de Espíritos ali disputando aqueles corpos e ligados a todos eles. Não. Seria estudado como sempre é. (...) Aquele Espírito que de acordo com o seu planejamento de vida estivesse mais em condição de obter a possibilidade de ter naquele embrião todas as condições básicas para o seu desenvolvimento futuro, a esse Espírito é ligado aquele que daria condições futuras para o seu momento de exercício reencarnatório.

futuro. Os outros seriam eliminados.” Embriões congelados

Visto que a mulher tem entre 8 a 20% de chance de engravidar, por ciclo de tentativas, o médico leva a cabo o congelamento de embriões. Quando a inseminação tem um resultado positivo, dando origem a uma gravidez saudável, sobram embriões, que são guardados durante cerca de três anos.

Como vimos antes, na fecundação “in vitro”, a ligação de um espírito ao corpo em formação é feita apenas quando o embrião é colocado no útero materno. Deste modo, o mundo espiritual não une uma alma a um corpo que sabe de antemão que será congelado. Não teria lógica manter espíritos presos a embriões congelados, aguardando para reencarnar (o que pode nem vir a acontecer, se o embrião em causa for eliminado). Sendo a reencarnação um meio de evolução, não é positiva qualquer perda de tempo em acções não proveitosas.

No livro “Reprodução Assistida à Luz do Espiritismo”, podemos ler a resposta dos espíritos à seguinte questão: “Se os Espíritos forem ligados no momento da fecundação, ficam eles ligados aos embriões enquanto congelados?”. “Seriam as roupas que estão no guarda-roupa, que não foram utilizadas. As roupas que estão no guardaroupa penduradas, existe um ser pendurado nelas? (...) Não. Se você for ao guarda-roupa para tirar uma roupa, você vai utilizar a roupa de acordo com a sua necessidade de momento”.

Então, sem a presença de um perispírito, os embriões serão somente grupos de células.

Doação de embriões Em certos casos, um casal pode necessitar que

um outro casal lhe doe um embrião, previamente fecundado e congelado. A doação

de material para futuras inseminações não deve ser vista como algo negativo. Na verdade, não se trata do abandono de um filho, porque ele ainda não existe, mas apenas da doação de um corpo sem alma para que seja utilizado por outros pais, para o seu filho. O importante é que essa doação não tenha um carácter lucrativo ou comercial.

Logicamente, o bebé apresentará as características genéticas dos pais doadores, mas se pensarmos bem isso não é importante. Como defende o Espiritismo, na verdade, todos somos adoptados.

Concluindo, todos os casais adoptam um espírito como seu filho para troca de experiências, compromissos, amizade, amor e provas de aprendizado. Como seres em evolução, com mais ou menos conhecimento, em vidas passadas poderíamos ter sido irmãos, pais ou amigos de quem nos recebe, ou até mesmo nunca termos pertencido à família consanguínea. Para aquele que ama, o bebé oriundo de uma “Reprodução Assistida”, ou de uma adopção, não é diferente daquele que nasce de modo natural, do nosso corpo. O importante é a