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dedicação dos pais, e o seu esforço para que o novo ser humano evolua

Jornal de Espiritismo nº 9 · 2005Página 164 min

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na prática do bem. Mais importante do que a família consanguínea é a família espiritual.

Texto: Cátia MartinscatiamartinsOg3war.org Foto: Jorge Gomes

Os espíritos e a reencarnação

Em «O Livro dos Espíritos», na resposta à questão «Qual o objectivo da encarnação dos espíritos?» (132), é-nos dito que «Deus Ilhe impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição (...)». Entendendo aqui perfeição pelo estado dos espíritos puros, sabemos que é o estado dos espíritos com a superioridade moral e intelectual passível de ser adquirida.

Vejamos: em «O Céueo Inferno», temos que «os espíritos são criados simples e ignorantes, mas dotados de aptidões para tudo conhecerem e para progredirem, em virtude do seu livrearbítrio», que «a encarnação é necessária ao duplo progresso moral e intelectual do espírito», e que «uma só existência corporal é manifestamente insuficiente para o espírito adquirir todo o bem que lhe falta e eliminar todo o mal que lhe sobra».

Podemos então concluir que o objectivo da reencarnação nada mais é do que a aprendizagem e a melhoria moral/intelectual. Assim, através da reencarnação, o ser enriquece-se em ciência e em amor que o encaminharão à perfeição acima mencionada. Como a perfeição que o espírito pode alcançar é quase infinita (infinita só a de Deus), embora haja indicações de que a partir de certo ponto o ser continue o seu aperfeiçoamento no seu estado normal, isto é, sem necessidade de encarnar, o número de encarnações a que está sujeito há-de ser também quase ilimitado.

Contudo, dele depende retardar ou não o tempo necessário a cada etapa, segundo o uso que faça da sua liberdade de proceder. Mas, tendo muitas encarnações, não seria mais fácil e proveitoso para nós se, enquanto encarnados, também nos lembrássemos delas? Explica Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos” que «gravíssimos inconvenientes teria lembrarmo-nos das nossas individualidades anteriores. Em certos casos, humilhar-nos-ia sobremaneira.

Em outros casos nos exaltaria o orgulho, peando-nos, em consequência, o livre-arbítrio.

nos é necessário e basta: a voz da consciência e os pendores instintivos. Priva-nos do que nos prejudicaria».

Então, o esquecimento do passado que o invólucro carnal provoca permite-nos maiores possibilidades de reparar os nossos erros. E, além disso, os conhecimentos (ou falta deles) nelas adquiridos não se perdem, manifestamse nas nossas inclinações íntimas e pela voz da consciência.

Contudo, embora o ser jamais perca as faculdades, qualidades e aptidões alcançadas, há encarnações nas quais elas podem ficar como que escondidas pelo novo invólucro, que não permite ao espírito as manifeste: «Pode o espírito, mudando de corpo, perder algumas faculdades intelectuais, deixar de ter, por exemplo, o gosto das artes? Sim, desde que conspurcou a sua inteligência ou a utilizou mal. Depois, uma faculdade qualquer pode permanecer adormecida durante uma existência, por querer o espírito exercitar outra, que nenhuma relação tem com aquela. Esta, então, fica em estado latente, para reaparecer mais tarde.» (questão 220 de “O Livro dos Espíritos”).

Se compararmos o planeta Terra a uma escola, será certamente à escola primária (aquela que vem logo a seguir ao infantário!). Então, tratase de um local que apenas comporta um determinado nível, que, neste caso, é básico; mas que, apesar de básico, já tem muito que ensinar. E, como nós, para além de sermos muitas vezes preguiçosos, não conseguimos aprender tudo ao mesmo tempo, temos de vir muitas vezes às aulas, umas vezes aprender sobre determinado assunto, outras sobre outro,

etc. Vimos tantas vezes quantas forem necessárias até atingirmos o grau necessário para passar ao nível seguinte.

Por outro lado, tal como mencionado na questão acima, também se pode tratar do reajuste necessário devido ao abuso das faculdades noutra época. Mas, seja como for, o espírito jamais perde o que tenha aprendido por esforço próprio.

Assim, para cada nova existência, o espírito determina (ou é-lhe determinado, se ele não tem condições de o fazer) um instrumento (corpo orgânico) que sirva às suas necessidades de aprendizado. Instrumento esse cujos órgãos se vão desenvolvendo gradualmente desde o momento da concepção até que a criatura atinja certa idade, dando-lhe, durante esse espaço de tempo, a oportunidade de se lhe adaptar e deixando-o «mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliar o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.» (na resposta à questão 383 de “O Livro dos Espíritos”).

A cada encarnação o ser tem sempre um ou vários objectivos a realizar, objectivos esses que representam pequenos passos que o conduzirão à tão almejada meta. E, como nos diz Léon Denis em “Depois da Morte”, «o caminho para lá chegar é o progresso. Estrada longa que se percorre passo a passo. À proporção que se avança, parece que o alvo longínquo recua, mas, em cada passo que se dá, o ser recolhe o fruto de seus trabalhos, enriquece a sua experiência e desenvolve as suas faculdades. Nossos destinos são idênticos. Não há privilegiados nem deserdados. Todos percorrem a mesma vasta carreira e, através estudo

de mil obstáculos, todos são chamados a

Deus criou-nos simples e ignorantes, estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida e também o mesmo fim a atingir: a perfeição. Deu-nos também toda a liberdade (e consequente responsabilidade) de proceder

Ao longo da nossa vida como Espíritos, que teve princípio mas que não terá fim, passamos por múltiplas encarnações, nas quais desenvolvemos as nossas capacidades e nos experimentamos em tudo quanto ao uso que fazemos do nosso livre-arbítrio. E é quando, conscientes disso, fazemos mau uso da nossa liberdade de proceder, a nossa encarnação

nesse aspecto se torna uma correcção propriamente dita. Seja como for, é sempre um