9 — índice de conteúdos

experiência iluminativa pois ensina-nos sempre algo, no mínimo ensina-

Jornal de Espiritismo nº 9 · 2005Página 174 min

Partilhar
Idioma

a experiência iluminativa pois ensina-nos sempre algo, no mínimo ensina-nos que estávamos errados.

Texto: Cecília Moraiscecilia. morais&portugalmail.com

Charbel Makhloufum exsudato

O fenómeno do miroblitismoexsudação de gordura, de sangue, de água, etc., por cadáveres ou, mais raramente, pelas ossadas de certas pessoasestá registado desde épocas remotas.

No passado esta fenomenologia esteve relacionada com pessoas tidas como santas mas, recentemente, a prática da criogenia, congelação dos corpos com a finalidade de os ressuscitar no futuro, trouxe a público novos casos semelhantes. No estado actual dos nossos conhecimentos científicos quer o mecanismo quer a causa permanecem desconhecidos e se não existem certezas científicas quanto a este processo, pelo menos a Doutrina Espírita coloca-o em bases estritamente ligadas à Natureza e retira o pensamento humano da esfera do maravilhoso e do sobrenatural

O exemplo de Charbel Makhlouf, o monge libanês maronita, cujo cadáver foi objecto de estudo por reputados médicos acima de qualquer suspeita de fraude ou de mistificação, revela importantes informes para reflexão sobre a sobrevivência e a autonomia do espírito relativamente ao corpo.

A História. No dia 25 de Dezembro de 1898 os monges de São Maron de Annaya, mosteiro situado nas montanhas libanesas, sepultavam o seu companheiro Charbel Makhlouf falecido na véspera aos setenta anos de idade. O corpo, vestido com o hábito, foi depositado numa cova envolto numa pele de cabra, de acordo com o hábito local e a frugalidade da Ordem. Nesse mesmo dia, o seu superior escreveu no livro das ocorrências diárias o seguinte: o que ele fizer depois da morte dispensa-me de escrever a sua vida.

O monge nasceu a 8 de Maio de 1828 no seio de uma família de maronitas pobres, numa aldeia da montanha de Béka-Kafra, a mais alta do Líbano, com o nome de José Zaroun Makhlouf. Aos vinte e três anos de idade ingressou no mosteiro de Nossa Senhora de Mayfouk, a norte da cidade de Biblos.

os votos monacais de pobreza, castidade, obediência e adoptou o nome de Charbel em honra do mártir do Médio Oriente do século II. Pouco depois, foi transferido para o mosteiro de São Cipriano e Santa Justina em Kfifane, a fim de aí cursar filosofia e teologia. No final dos estudos regressou ao seu convento para aí viver em grande ascetismo, segundo o seu desejo, na ermida de São Pedro e São Paulo, localizada nas vizinhanças do mosteiro, dedicado à oração e, por vezes, ao duro trabalho físico.

Após a sua morte a população vizinha ao cemitério dos monges começou a observar uma luminosidade anormal sobre a zona. Informado da ocorrência, o xeque Mahmoud Hémadé, mandou patrulhar toda a região ao pensar tratar-se de um bando de salteadores que se refugiava na montanha. Nada encontraram os seus homens e acabou ele próprio por ir bater à porta do mosteiro onde veio a testemunhar o estranho fenómeno da luz sobre a campa do monge.

Conhecido o caso uma crescente multidão de cristãos e de muçulmanos acorreram ao local, até ao final do Inverno, para grande desconforto dos habitantes do mosteiro. Quando já não era possível continuar a ignorar os estranhos eventos, o prior de São Maron, na presença daqueles que haviam testemunhado o enterro, procederam à abertura da campa no dia 15 de Abril de 1899 para verificarem que o corpo, envolto em lama, resultante das chuvas e do degelo da neve, não apresentava quaisquer sinais de decomposição o mesmo não acontecendo ao hábito, não obstante os mais de quatro meses em que estivera debaixo da terra.

Puderam ainda constatar que pele conservava a elasticidade e as características de um organismo vivo.

A partir de então um outro estranho facto teve início: os seus poros começaram a exsudar um líquido rosáceo. Lavado e com novas vestes foi então depositado num caixão, para no dia seguinte encontrarem as vestes de novo molhadas naquele líquido, mistura de sangue e de água, diziam. A fim de evitar que as roupas ficassem encharcadas, trocavam o hábito duas vezes por semana e nesta prática permaneceram durante vários anos, findos os quais alguém sugeriu

que lhe fossem retiradas as vísceras, talvez com o propósito de evitar a exsudação. Eviscerado, o corpo de Charbel Makhlouf continuava a produzir aquele estranho sangue que teimava em não deixar de correr. Tentaram os monges outra medida: transportaram o corpo do antigo companheiro para o terraço para que, sob o efeito do Sol e do vento, o corpo secasse. Passado algum tempo desistiram, por verificarem que a estratégia não surtia efeito.

Em 1921 já o seu sepulcro era um importante local de peregrinação para libaneses e não libaneses, cristãos e não cristãos. O testemunho do Dr. Onaissy feito no final desse ano refere que o odor do corpo era o de uma pessoa viva e ao examinar atentamente o cadáver observara, por várias ocasiões, a libertação de uma substância semelhante ao suor. Com receio do fanatismo de alguns peregrinos, o corpo foi depositado num caixão duplo feito de zinco e de cedro e guardado na cave do mosteiro, no Verão de 1927, e colocado este com uma inclinação que permitisse à secreção acumularse aos pés, por fim o caixão foi emparedado, pondo um ponto final na agitação que rodeava o mosteiro.

Vinte e três anos depois, no dia 25 de Fevereiro de 1950, enquanto um monge varria a cripta, observou que da parede da sepultura saía um líquido rosado e, na continuação da nova ocorrência, procedeu-se à abertura do caixão feita na presença do Superior da Igreja Maronita do Líbano, do Dr. Teófilo Maroun, professor de anatomia patológica da Faculdade Francesa de Medicina de Beirute e do Dr. Chekri Bellan, director do Serviço de Saúde e Assistência libanês os quais puderam constatar que as vestes do cadáver estavam embebidas num líquido semelhante ao soro, com algumas manchas de sangue, mas o corpo permanecia como o de alguém que acabasse naquele instante de falecer.