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Jornal de Espiritismo nº 9 · 2005Página 94 min

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Mestrando em História da Educação pela Unicamp. Alexander Moreira de Almeida, médico psiquiatria. Doutorando pelo Departamento de Psiquiatria da USP. Fundador e Coordenador do NEPER (Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria HC-FM-USP) Director Técnico e Clínico do HOJEHospital João Evangelista. Alysson Leandro Macaro. Graduação em Direito (USP), doutor em Direito pela USP. Professor pós-graduação Universidade MackenzieSP.

Carlos Orlando Villarraga, Engenheiro químico pela Universidade Nacional da Colômbia. Dora Incontri (Dora Alice Colombo). Graduação em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper-Lípero. Mestre e Doutora em Filosofia da Educação pela USP. Pósdoutorada em Filosofia da Educação pela USP. João Francisco Regis de Morais.

Social, Doutor em Educação, Livre Docente em Filosofia da Educação. Professor titular aposentado da Unicamp e actual Professor Titular da PUCCamp. José J. Queiroz. Graduação em Filosofia, Mestre em Teologia e doutor em Direito Canónico pela Universidade Santo Tomás de Aquino de Roma. Professor no Departamento de Ciências da ReligiãoPUC-SP. Luis Augusto Beraldi Colombo. Graduação em Arquitectura e Urbanismo pela Universidade Mackenzie.

Mestre em Educação, Arte e Cultura pela Universidade Mackenzie. Professor FACAMP (Campinas). Ney Lobo. Graduação em Filosofia. Autor de várias obras sobre Pedagogia Espírita. Priscila Grigoleto Nacarato. Graduação em Pedagogia na USP. Mestre e doutoranda em História da Educação pela USP. Sérgio Felipe de Oliveira. Médico Psiquiatra pela USP. Mestre na Faculdade de Medicina da USP. Director da Clínica Pineal Mind, autor do projecto Uniespírito.

Espanha: Franco fuzilou espiritas

Manuel Aguilar Garcia, da cidade de Montilla (Andaluzia espanhola), nasce a 7 de Março de 1926 no período final da Restauração dos Borbones. Em plena ditadura de Miguel Primo de Ribera, como espírita, o jovem Manolo passa pela convulsão de vários períodos históricos: desde a II República (1931-1936), a Guerra Civil (1936-1939), o pós-guerra (1939- 1975), mais conhecido pela ditadura do general Franco, o período de transição (1975-1978) e finalmente pela Democracia Restaurada (1978). Homem meigo e sincero, de uma cultura invulgar. Aqui fica a entrevista de quem muito viveu e

Como conheceu o espiritismo? Manuel Aguilar GarciaPelo casamento de minha irmã, que era médium. O seu marido conhecia o espiritismo, que já se praticava em Montilla desde 1918. A partir dessa data, a minha família começou a frequentar um centro espírita. Havia então um centro espírita em Montilla?

MAGSim, havia. O Centro Espirita Amor y Progreso, do qual ainda faço parte.

Lembra-se como tudo aconteceu? MAG -- Tinha nove anos. Um comerciante local de tinajas* (vasilhas cerâmicas para a fermentação do vinho), que percorria várias localidades da região, espalhou o ideal espírita pela cidade, muito bem aceite pelo povo. Minha mãe e irmã quando chegavam comentavam entre si a doutrina espírita e eu escutava atentamente.

Que papel tinham os comerciantes na época? MAGEram como os jornalistas da actualidade. Levavam e traziam a informação ao povo das localidades por onde passavam. Tinham grande mobilidade, logo, tinham acesso a muita informação, até às provenientes de Paris e de emigrantes espanhóis que regressavam da cidade-luz com a Boa Nova: o espiritismo.

MAGVivia-se um período difícil. Havia muita fome, muito trabalho e total isolamento. Naquela época estávamos isolados do resto de Espanha e do mundo e os comerciantes eram a própria notícia.

Existiam comerciantes espíritas?

MAGO espiritismo tinha sido difundido pelos comerciantes. Um dos que conheci era espírita e actuava como um verdadeiro difusor da doutrina espírita.

Esse isolamento não teria sido benéfico também?

MAGSem dúvida alguma. Face a esse isolamento, o ambiente sociocultural na Andaluzia proporcionou a difusão das obras de Allan Kardec. Os espíritas multiplicavamse. Não foi por mera casualidade que Amália Domingo Solera grande senhora do movimento espírita espanholnasceu na Andaluzia.

MAGA partir da Guerra Civil (1936-39). À igreja, o exército e os latifundiários passaram a ser os donos, os senhores, os juízes e carrascos por toda a Espanha. Havia duas sociedades distintas: eles, os senhores feudais, militares e padres, e nós, o povo que trabalhava e morria para eles. Sem dinheiro, comida, médicos... éramos autênticos escravos.

O que aconteceu aos espíritas?

MAGForam perseguidos, torturados e fuzilados. Em Agosto de 1936, dois membros do Centro Espírita Amor y Progreso de Montilla, Pedro Almenta Varga e Solano Flores, são fuzilados.

Fuzilados por serem espíritas?

Do que se recorda daquela época? MAGEra muito jovem. As reuniões desapareceram momentaneamente. Era um período de terror. O espiritismo era bastante aceite pelo povo, e por estarmos isolados, todos se conheciam uns aos outros. Os padres e militares conheciam-nos um a um. Epoca difícil. Algo mudou na vossa família?

MAGSim. Meu tio, era um político contra o regime fascista e foi fuzilado também em Agosto de 1936. A partir desse momento, meu familiar que fora assassinado, começa a se comunicar através de minha mãe que era médium de efeitos físicos. Ele, informava-nos de como ia a guerra. Estávamos muito bem informados por meu tio, e ficamos muito surpreendidos de como tinha terminado. O que o senhor fazia?

MAGO que toda a gente fazia. Trabalhar duramente. Muitas horas por dia no campo para podermos levar algo para casa para comermos.

Quando recomeça a frequentar as reuniões na clandestinidade?

MAGDepois de regressar do serviço militar obrigatório, que à época durava dois anos. De que ano está a falar?

MAGDeixei a vida militar em 1949. O Centro Espírita Amor y Progreso continuava a existir?

MAGSim. Mas na clandestinidade