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Jornal de Espiritismo nº 9 · 2005Página 104 min
. As reuniões continuavam. Mudávamos de local sistematicamente, para despistar os padres e militares que nos perseguiam.
MAGSim, tínhamos livros. Eram o nosso tesouro. Estavam escondidos dentro de um tabique na casa do alfaiate da nossa povoação. Sendo o nosso tesouro, estavam muito bem escondidos dos padres e militares. Envolvíamos com um saco de yuste* (tecido feito de fibras vegetais) para protegê-los, porque para comprálos, custava-nos muito.
MAGComo disse, eram o nosso tesouro. Tínhamos que os preservar. Cada livro que comprávamos, custava-nos muito mesmo. Às vezes passávamos fome para os ter. Como estavam escondidos em locais pouco usuais, surgiu um outro problema, os ratos. Os ratos chegaram a destruir algumas partes. Cada livro tinha um valor incalculável para o conhecimento da doutrina espírita. Era o único meio e o mais valioso que contávamos para estudar. Como sabes o estudo para um espírita é fundamental.
Como faziam para comprar? MAGTodos nós éramos muito pobres. Cada um dava uns cêntimos e ífamos juntando até atingir algum valor, o que por vezes levava anos até podermos adquirir mais uma obra de Kardec. Durante a ditadura do general Franco o que é que faziam para não serem descobertos? MAGEstávamos constantemente vigiados pela Guardia Civil. Numa povoação pequena, todos nos conhecíamos uns aos outros. Partilhávamos o nosso ideal com os nossos vizinhos e amigos.
Inclusive no campo. O padre sabia de nossa existência. Tínhamos de ter muito cuidado. Todos eles sabiam que a nossa família era espírita. Assim, reunfamo-nos em casa de familiares, amigos e muitas vezes em lararetas* (pequeno lagar). Dávamos a entender que Ífamos em visita social ou trabalhar, como se fôssemos casais, famílias ou amigos. Não poderíamos ter um sítio fixo.
Como nunca foram descobertos!? MAGGraças a nossos guias espirituais. Os nossos antigos irmãos desencarnados, que haviam fundado o Centro Espírita Amor y Progreso, regressavam para nos ajudar. Aconselhavam-nos quando deveríamos de mudar de sítio e para onde. Muitas vezes a Guardia Civil ia a uma casa em que já tinhamos reunido tentando apanhar-nos e revistavam tudo para apanhar vestígioso nosso tesouro (os livros). Nunca nos apanharam, graças aos irmãos desencarnados que sabiam antecipadamente do que iria acontecer e sugeriam-nos o que fazer.
Tem alguma recordação dessas reuniões? MAGVárias são as histórias. Posso contarte que uma noite, cerca das 3 de madrugada, éramos 15 homens, saímos de uma reunião que tínhamos feito numa casa na periferia de Montilla. Saímos todos juntos, pois a caminhada era longa, quando surge a Guardia Civil. Assustámo-nos. Tranquilamente saudámo-los. Aproximaram-se e começaramse a rir, pois pensaram que saímos de um bordel, já que a casa que estávamos era junto ao bordel.
Repito, sempre e em todo o momento, nossos guias nos avisavam de tudo. Que mais informações os guias vos davam? MAGOs nossos guias protectores aconselharam-nos também sobre as medidas a tomar para assegurar o progresso do povo debilitado e faminto. Face a essa indicação, montamos uma Cooperativa Vitivinícola em Montilla. Essa Cooperativa foi para a frente, graças à força de vontade de três grandes homens com “H” maiúsculo; António de la Torre, José de la Torre, Francisco Salido e eu próprio.
Nao foi fácil. Foi difícil falar com o povo, pois tinham medo. Depois de muitos esforços e conversando com muita gente, fizemos frente aos grandes proprietários da zona, já que estes não tinham qualquer interesse que nosso projecto fosse concretizado. Tudo fizeram para o gorar. Com essa cooperativa os senhores ficavam sem mão-de-obra barata e sabiam que o povo começaria a ter melhor qualidade de vida. Algo que era impensável para os senhores feudais.
Mais tarde, criámos, a conselho de nossos guias espirituais, uma Cooperativa de Serviços Comunitários. Assim prosseguimos a nossa marcha em duas frentes: no espiritual e no social.
de la Torre além de fundador das cooperativas, foi um trabalhador e impulsionador do Movimento Cooperativista na nossa Comarca. Foi um grande expoente do Espiritismo Social da época.
Como eram vistos pelo povo de Montilla? MAGOs vizinhos tinham-nos em grande consideração e respeito. O mesmo não poderia dizer a Igreja, os militares e os senhores feudais. Quando fundámos a cooperativa e viram as suas vidas melhorar. O povo entendeu que era esse o caminho. Por outro lado, também recorriam ao centro espírita para obter ajuda espiritual e muitos juntaram-se a nós. Assim, continuámos a trabalhar até à morte de Franco. E depois da democracia restaurada, a 22 de Novembro de 1975?
MAGComeçámos com a legalização do Centro Espírita Amor y Progreso. Fomos também membros fundadores da Federação Espírita Espanhola, junto com Rafael González Molina
Este passatempo liga-se com o artigo da página 12, «Bebé por encomenda»...
2. Os óvulos são retirados da mãe e colocados junto aos espermatozóides seleccionados, fecundando “in vitro”.
11. Utilizando medicamentos hormonais, a mulher produz óvulos para tentar a fecundação.
12. Meio de evolução do espírito
14. Injecção de espermatozóides no citoplasma do óvulo.
16. Uma forma de expressão de amor.
1. São seleccionados espermatozóides e colocados artificialmente no útero. Não se faz por meio do acto sexual.
3. —O processo segue os parâmetros da Natureza, e depende das condições físicas do casal.
5. Feitaem|laboratório, o médico cria o zigoto num meio ambiente que não é o natural.
6. Repetir a produção, copiar, refazer.
7. “Qualquer ser vivo no estado primitivo de desenvolvimento, até atingir forma definitiva, nascer ou eclodir de um ovo; feto.
e outros companheiros, e participámos no Congresso Espirita Nacional de 1981. Face à sua vivência, que mensagem deixaria aos espíritas d
