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Jornal de Espiritismo nº 9 · 2005Página 114 min
MAGSou um defensor do espiritismo pela vivência que tive e por fortalecer minha natureza biopsicossocioespiritual. Sinto Deus na Natureza e tenho a certeza de que a vida continua depois da morte. O espiritismo matou a morte. Sinto, sinceramente, este postulado do espiritismo que tem a sua cultura na melhoria da vida e do mundo actual. Finalizo com maiúsculas: ESPIRITAS, DEIXEM DE ADULTERAR A FILOSOFIA DO ESPIRITISMO QUE E O BERÇO DE TODAS AS CRIATURAS QUE TEM FOME E SEDE DE CONHECIMENTO. ADELANTE!
Texto e fotos Luís de Almeidaluis.almeidaO&mail.telepac.pt
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Não é importante saber se estava por cá ou se no plano espiritual em 1974, quando ocorreu a Revolução dos Cravos, que derrubou a guerra colonial e a ditadura que a impunha...
Importante é relembrar, agora, quando dia 25 de Abril se comemorar a data dessa revolução, que um dos grandes benefícios resultantes da coragem dos Capitães de Abril foi o do reconhecimento legal da liberdade de consciência e de reunião. Os espíritas mais novos não terão como comparar, pois não viveram nessa época. Mas o movimento espírita português beneficia de forma extraordinária das consequências do 25 de Abril.
Se alguém lhe disser que a ditadura salazarista não reprimia os espíritas, pergunte por que razão foram expropriados edifícios que eram propriedade, por exemplo, da Sociedade Portuense de Investigações Psíquicas na vigência do ditador Salazar e outros em Lisboa...
Obtivemos resposta de alguns dos espíritas que já o eram no tempo da repressão. Não são tão poucos como isso. Mas, a englobar todos os contactáveis, teríamos um livro, e este espaçoeo tempo de o fazer não dão para tudo. Assim retomaremos o tema oportunamente noutras edições. O registo histórico desses depoimentos pode ser interessante. Neste artigo, falamos com Maria Luísa Ferreira, de Santarém, a cidade de cujo quartel saiu o capitão Salgueiro Maia, que viria a deter, em Lisboa, Marcelo Caetano. Eis o discurso directo, com a colaboração prestimosa de António Mendonça, da Associação Cultural Espírita de Santarém:
- Quando é que teve conhecimento da doutrina espírita?
- Já desde pequena que era agente de muitos e variados episódios medianímicos. Lembro-me que a minha mãe me encarregava de ir ao mercado adquirir géneros e quando se aproximava a altura de efectuar os pagamentos às vendedeiras, ouvia uma voz que me dizia a quantia exacta a entregar. Ao princípio isto confundia-me, mas lá me fui habituando.
Perto dos 40 anos, talvez aos 38, iniciei um período de doença. Fiz inúmeros exames e consultei diversos médicos, que nunca atinaram com qualquer diagnóstico sobre o meu mal-estar. Cheguei a pesar 32 kg!
Até que um dia, o meu saudoso pai, em conversa com o sr. tenente Alves, na altura colocado na Escola Prática de Cavalaria, pelo ano de 1956, foi informado que o meu mal era de origem espiritual. Ou seja, eu detinha uma mediunidade para educar. Então fui apresentada a diversos grupos que se reuniam em Santarém e nos quais fui introduzida. As reuniões na época versavam o intercâmbio mediúnico e as pessoas queriam era saber coisas da vida rotineira ainda pouco voltadas para a evangelização e para a doutrinação.
Não me senti muito bem e carregava muitas dúvidas. Pelo ano de 1959, conheci um novo grupo, de Almeirim, dirigido pelo meu irmão Torquato e pelo sr. Virgílio Godinho e que estava também ligado a um centro de Lisboa, dirigido também por outro oficial, o tenente Isidoro Duarte Santos, grande trabalhador da Seara Espírita.
Fizeram-se trabalhos importantes e um dos que mais me marcou foi uma manifestação de uma entidade que me declarou estar prestes a reencarnar, que me tinha muito afecto e que estava ali para se despedir de mim. Eu tinha cerca de 40 anos. Aquela entidade disse que iria viver muito perto de mim e me acompanharia ao longo da minha vida, já encarnada.
- Maria Luísa que ideia tem do movimento espírita dessa época, havia repressão?
- Em Santarém e em Almeirim nunca houve quaisquer desaguisados. Recordo que o centro de Almeirim estava constituído, com estatutos e tudo, mas a páginas tantas o sr. Virgílio pensou em encerrar as actividades temendo interferências por parte das Autoridades, mas em conversa tida
comigo lá consegui dissuadi-lo. Mesmo assim dirigiu-se à Polícia de Almeirim, contactando o comandante e perguntando se de futuro poderiam os elementos do grupo vir a ser incomodados pelas autoridades, ao que o oficial respondeu “que tinham perfeito conhecimento do que se passava e do muito bem que a distribuição de alimentos e de roupas proporcionava às gentes
