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Bendita

Jornal de Espiritismo nº 9 · 2005Página 124 min

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mais pobres da vilaas gentes do Bairro do Pupo. E que as pessoas que frequentavam as actividades eram tidas por ordeiras e respeitadoras da lei, que não se preocupasse que eles também não”.

O centro de Almeirim tinha a designação de LUZ

BENDITA e, tendo o meu irmão de ir para Moçambique, o sr. Virgílio convidou-me para o ajudar a dirigir as actividades, embora eu não tivesse grandes conhecimentos.

Aqui trabalharam os médiuns Emília Proa, Maria do Rosário, Gracinda, Efigénia Mendonça, Maria Leonor, Nazaré e Romana Leonor. Com o tempo chegaram novos colaboradores: Albino Lambério, Mariana Correia, Maria Silva e marido, António José, Maria Luísa Gonçalves, Angelina, Maria Luísa Canelas, Emília Vieira, Otília Noronha e Judite Pires.

Recebemos a visita de Divaldo Pereira Franco em 1971, quando da sua primeira estadia em Portugal trazido pela mão do grande e saudoso irmão Eduardo de Matos, fundador da revista «Fraternidade». Conseguiu-se uma audiência de cem pessoas. A partir da visita do Divaldo tudo mudou. Pela mão da irmã Argentina Santos, que veio até nós através de Eduardo de Matos, recebemos a visita de Nair Cravo, brasileira de Curitiba (Brasil), e do irmão Vítor Hugo, m

de Setúbal. Vieram ajudar-nos na 1 modificação dos trabalhos e tarefas várias do nosso grupo. Já lá vão 40 anos. A irmã Nair, depois de nos transmitir via mediúnica uma linda mensagem pediu uma concentração a todo o grupo, o nome do grupo seria mudado e todos o receberíamos por intuição, pois tinha sido escolhido no plano espiritual onde outro grupo com o mesmo nome nos ajudaria em nossos trabalhos. Assim fizemos. O nome que todos recebemos, uns de uma maneira, outros de outra, foi Samaritanos de Boa Vontade, designação esta Mm confirmada por Vítor Hugo.

Além dos trabalhos no centro, teríamos que vir para a rua através de trabalhos de assistência social, ajudando idosos, desamparados, doentes, promovendo pessoas, facilitando e colaborando nos estudos e na procura de emprego. Tudo foi feito com a ajuda de todos. Ao longo da década de 1960, Almeirim teve um grupo que se reunia aos domingos, às 16h00, e que desenvolvia trabalho mediúnico, tendo à mesa 8 pessoas e chegando a ter como assistentes perto de 40.* Ao longo da década chegaram a existir 6 grupos em Santarém, constituídos por 7 a 14 elementos, que se dedicavam ao trabalho medianímico e à visitação de carenciados.

Não há notícia de qualquer episódio repressivo embora houvesse rumores de que em Lisboa as coisas às vezes “aqueciam””.

Nos anos 70 as coisas melhoraram depois da vinda do Divaldo e do 25 de Abril, havendo maior curiosidade sobre a doutrina.

O Grupo Samaritanos de Boa Vontade prosseguiu com a chegada de novos irmãos: Augusto, Miranda, Maria Virgínia Serra, Maria Aurora e seu marido, Lurdes Covão, Manuela Arnaldo e Vítor Godinho, Vitória Pinto Mendes, Lucinda Batista e tantos outros. De Almeirim o local dos trabalhos deslocouse para Paço dos Negros onde assentámos durante 11 anos, anos 80 e 90.Recebemos a visita de Ariston Santana Teles, Manuel dos Santos Rosa, de Lisboa, e de Julieta Marques, do Algarve.

Entretanto um vendaval derrubou a pequena casa, tendo o irmão Miranda, um lutador, cedido espaço na sua habitação para dar continuidade aos trabalhos. Em 2002, devido à necessidade do irmão Miranda melhor acompanhar a sua mulher na doença, os trabalhos deslocaram-se para a Ponte da Asseca e, em 2004, para Santarém. Aqui procedeu-se à formalização da Associação Cultural Espírita de Santarém e à adesão desta à Federação Espírita Portuguesa em Novembro de 2004. - Que vultos espíritas conheceu?

- Tive a honra de conhecer o querido Chico Xavier aquando da minha viagem ao Brasil em 1968, assim como Divaldo Pereira Franco, que tivemos a honra de receber diversas vezes em Santarém. Não posso esquecer as visitas e colaboração do irmão Albino Trindade, as reuniões, aos domingos de Verão, com inúmeros irmãos e irmãs que vinham de Lisboa, juntando-se grupos de 70 ou mais pessoas, na Quinta dos Anjos, perto de Santarém (cerca de 5 km) conjuntamente com o irmão Eduardo de Matos. Visitas de irmãos, óptimos palestrantes e grandes trabalhadores da Seara, como Manuel Santos Rosa, Julieta Marques, Sérgio Thiessen, Divaldinho e mais recentemente José Carlos Lucas.

Texto: JG. Fotos: António Mendonça e JG

* Nota da Redacção: Hoje sabe-se que as reuniões mediúnicas não devem ser abertas ao público, mas na época a prática descrita na entrevista estava generalizada, e até nos 1.ºs anos pós-25 de Abril.

A fachada do edifício da Sociedade Portuense de Investigações Psíquicas, na Rua Alvares Cabral, na ciggg'gdo-mã'n em-se inalterada. Agora, funciona ali uma tipografia.

Onde estava Deus naquele dia?

O jornal PÚBLICO, edição de 5 de Janeiro, interrogava a toda a largura de uma página: “Onde estava DEUS naquele dia ?”. Ouviu cinco responsáveis de grandes religiões (um hindu, um muçulmano, um católico, um budista e um judeu),

a respeito do gigantesco maremoto de 26 de Dezembro último, no oceano Índico.

A jornalista declarava: “as explicações científicas para uma tragédia como a que se vive na Ásia não são suficientes”. E não deixou de transcrever a pouco animadora interrogação do arcebispo de Cantuária no Sunday Telegraph: “Se algum génio religioso surgir com uma explicação de por que é que estas mortes fazem sentido, sentir-nos-íamos mais felizes, mais seguros ou com mais confiança em Deus?”.

Sem presunção de genialidade, no seu tom sóbrio e consolador o Espiritismo responde com simplicidade às perplexidades e interrogações suscitadas pelo tsunami de 26 de Dezembro. Naquele dia, como sempre, Deus estava lá e em toda a parte. Porque é infinito e eterno — recordam-nos os bons espíritos, logo no capítulo inicial de O LIVRO DOS ESPÍRITOS (1857). No capítulo IX da Parte Segunda, Quesitos 536 a 540, explanam a acção dos espíritos nos fenómenos da natureza: agentes da Providência Divina, com tarefas adequadas ao seu maior ou menor adiantamento evoluti