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Cinema / Literatura

Jornal de Espiritismo nº 91 · Novembro 2018Página 177 min

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CINEMA / LITERATURA Quem acende as estrelas? Toninho é um sem-abrigo que perdeu os seus pais na infância às mãos das máfias do tráfico de droga. Durante aqueles momentos de confusão, separou-se da irmã mais nova, Joyce, e passou a perambular pelas ruas aprendendo a viver dessa forma. Mas Toninho não está sozinho e, tanto do lado de cá como do lado de lá da vida, há gente a interceder por ele, fazendo o que está ao seu alcance para o guiar no caminho certo.

Vamos conhecendo a sua história como se fosse uma reportagem sobre aqueles que “não vemos”, os que vagueiam pelas ruas das nossas cidades, camuflados pelo fingimento de que não existem. Através de entrevistas aos protagonistas, do seu acompanhamento em situações do dia-a-dia e fogachos de diálogos a que assistimos quase como intrusos, travamos conhecimento com Célia, uma fiel amiga, presença constante e lúcida, que sentindo a vulnerabilidade de Toninho, procura orientá-lo na procura de ajuda.

É ela que faz questão de nos apresentar o amigo e nos confidenciar parte da sua história e como procura guiá-lo a reconhecer quem acende as estrelas. Esta é uma média-metragem espírita, produzido sem fins comerciais, realizado com trabalho voluntário e com o apoio da comunidade através de eventos beneficentes. Não é uma grande produção, não esteve no cinema, nem dispôs dos meios financeiros e logísticos necessários para alcançar tudo aquilo que os seus idealizadores pensaram, mas é sobretudo por causa disso que deverá ser promovida.

Allan Kardec defendeu que numa cidade é preferível haver vários centros pequenos e modestos do que existir apenas um e sumptuoso. Isto, para que não se perdesse a essência da fraternidade da mensagem espírita. Não deveria isso também aplicável à arte espírita? É imprescindível que estes pedaços de arte sejam estimulados. O Homem é um artista. As suas criações artísticas de inspiração Divina exercem um fascínio arrebatador que empurra as pessoas à sublimação.

A beleza ilumina os nossos dias, impele-nos à reflexão. Cativado pelo belo, fazendo da arte um processo de iluminação, o Homem procura chegar a Deus pela expressão da sua criatividade, pela criação e exaltação da beleza, para que esta o eleve, o transforme, ajudando a transformar o mundo através dela. A arte é um caminho por excelência para a sublimação espiritual. O Espiritismo, alargando os horizontes do Homem com os seus conceitos de Deus como Inteligência suprema, a sua ideia de uma imortalidade, não apenas contemplatiO Espiritismo na sua expressão mais simples Esta obra de Allan Kardec ─ cronologicamente a quinta (1), excluindo a “Revista Espírita” ─, pequena em tamanho, mas gigante em conteúdo, representa uma verdadeira pérola do pensamento do Codificador, que visa sintetizar e facilitar a compreensão do Espiritismo a qualquer pessoa, sem que perca muito tempo.

As edições que dispomos, da FEESP – Federação Espírita do Estado de São Paulo, 1.ª edição de 1979 (20.000 exemplares) e a da FEB – Federação Espírita Brasileira, 1.ª edição de 2006 (2.000 exemplares), demonstram um intervalo de 110 e 137 anos, respectivamente, após a desencarnação do Codificador. Este pequeno livro ─ de 50 páginas na edição da FEESP e 35 páginas na edição da FEB ─ está dividido em três partes: 1.ª – Histórico do Espiritismo; 2.

ª – Resumo do ensinamento dos Espíritos; 3.ª – Máximas extraídas do ensinamento dos Espíritos. Vejamos, na “Revista Espírita”, a cronologia da sua 1.ª edição, de 1862: 1.º - “Revista Espírita” de Dezembro de 1861: «Novas obras do Sr. Allan Kardec a serem publicadas brevemente: “O Espiritismo na sua expressão mais simples” ─ Brochura destinada a popularizar os elementos da Doutrina Espírita. Será vendida a 25 centavos.

» 2.ºRevista Espírita de Janeiro de 1862: «Bibliografia ─ “O Espiritismo na sua expressão mais simples” ou a Doutrina Espírita popularizada. A brochura que anunciámos sob este título, em nosso último número, será lançada a 15 de Janeiro; mas em vez de 25 centavos, preço indicado, será vendida a 15 centavos o exemplar isolado, e a 10 centavos para compra de 20 exemplares. O objectivo desta publicação é dar um panorama muito sucinto, um histórico do Espiritismo e uma ideia suficiente da Doutrina dos Espíritos, a fim de que se lhe possa compreender o objectivo moral e filosófico.

Pela clareza e simplicidade do estilo, procuramos pô-la ao alcance de todas as inteligências. Contamos com o zelo de todos os verdadeiros espíritas para ajudarem a sua propagação.» [Solicitação completamente ignorada pelos continuadores de Allan Kardec.] 3.º - “Revista Espírita” de Abril de 1862: «Bibliografia – “O Espiritismo na sua expressão va, mas ativa e transformadora, o papel do esforço e da própria vontade na conquista dos elevados graus de sublimação, as vidas sucessivas, a vivência no mundo espiritual, pode e deve servir de inspiração fecunda à arte em todas as suas expressões.

São temas que a arte espírita deve abraçar e os espíritas não se devem esquivar, ajudando a consolidar e a difundir estes conceitos por todos os que se dispuserem a ouvi-los, percebê-los e senti-los, contribuindo dessa forma para a transformação do mundo em que vivemos. Num mundo em que as plataformas de difusão de vídeos estão dentro dos nossos telemóveis, uma curta-metragem bem feita tem um potencial de chegar a muito mais gente do que qualquer megaprodução.

O filme “Quem Acende as Estrelas” pode ser visualizado no Youtube. Vejam e partilhem. Título Original: Quem Acende as Estrelas? Roteiro: Karla Natário Direção: Diego Goar Elenco: Cecílio Purcino, Angélica Garcez Brasil, 2017 – 46 min mais simples”, do qual foram vendidas cerca de 10.000 exemplares, está a ser reimpresso com várias correcções importantes. Sabemos que já está traduzido em alemão, em russo e em polaco. Concitamos os tradutores a sujeitarem-se ao texto da nova edição.

Recebemos de Viena (Áustria) a tradução alemã, publicada naquela cidade, onde se forma uma sociedade espírita, sob os auspícios da de Paris.» Este documento de divulgação da Doutrina Espírita foi completamente esquecido, ou melhor, ostracizado pelos continuadores de Allan Kardec, dos quais destacamos, em primeira linha, o seu protegido Pierre-Gaëtan Leymarie (1827-1901), que o acompanhou desde a fundação da “Revista Espírita” até ao seu passamento, tendo ficado como principal responsável das suas publicações.

Foi durante mais de um século ignorado e esquecido. Hoje sabemos a razão: tal obra desmascarava por completo a doutrina de J. B. Roustaing (1805- 1879) que despudoradamente se intitulava de «Revelação da Revelação». Allan Kardec, educadamente, sempre a rejeitou, pois o seu princípio fundamental afirma que Deus criou duas espécies de Espíritos: os que evoluiriam em linha recta, sem terem de se encarnar, porque nunca se equivocariam, nunca pecariam, e os que teriam de reencarnar.

Afirmava, taxativamente, que a encarnação ─ a admirável lei do Criador ─ era uma expiação, um castigo: «Não; a encarnação humana não é uma necessidade, é um castigo, já o dissemos. E o castigo não pode preceder a culpa.» (In Os Quatro Evangelhos, volume 1, pág. 317, 8.ª edição – 1994, FEB). Entre os 60 itens que integram “O Espiritismo na sua expressão mais simples”, escolhemos o número 9, que demonstra claramente a mistificação divulgada pelo magistrado de Bordéus em 1866, que perturbou muitos espíritos durante mais de um século e lançou a confusão e divisão no movimento espírita.

Diz o seguinte: «9. A encarnação não foi imposta ao Espírito, no princípio, como uma punição; ela é necessária ao seu desenvolvimento e para a realização das obras de Deus, e todos devem resignar-se a ela, tomem o caminho do bem ou do mal; só que os que seguem o caminho do bem, avançando mais rapidamente, demoram menos a chegar ao fim e lá chegam em condições menos penosas.» As presentes traduções são de Dafne R. Nascimento, com supervisão do Dr.

Freitas Nobre (1921-1990) - [FEESP] e de Evandro Noleto Bezerra - [FEB]. Esta última só foi possível pela Federação Espírita Brasileira, quando o saudoso Nestor João Masotti (1937-2014) foi eleito presidente da FEB em 2001. O nobre benfeitor criou, pois, condições para que a centenária instituição também traduzisse e publicasse a ─ sempre ignorada pela FEB ─ “Revista Espírita”, começando, assim, a remover o pensamento roustainguista da “Casa-Máter do Espiritismo”.

Por Carlos Alberto Ferreira NOVEMBRO.DEZEMBRO.2018 foto direitos reservados Como conheceu o Espiritismo? Ana SantosAtravés dos meus pais, na primeira vinda de Divaldo Franco à ilha Terceira há mais de 20 anos. Foi histórico: para mim, e para ilha. Frequenta algum centro espírita? Ana SantosAtualmente não, mas colaboro pontualmente com a minha associação espírita local, a Associação Espírita Terceirense, a qual ajudei a fundar.

Qual a sua opinião acerca do «Jornal Espiritismo»? Ana SantosÉ válido, moderno e útil. Representa uma voz descentrada do poder central federativo, ótimo para quem estuda o espiritismo. A variedade favorece a racionalização. Ana Santos conta 34 anos de idade e é enfermeira. Vive em Angra do Heroísmo. IMPRESSÃO DIGITAL “Spiritisme”, de Victorien Sardou, a primeira peça teatral publicada com o objetivo de defender em palco as ideias espíritas e encenada em 1896 com o título “Amargo Despertar” no Teatro Renaissance, em Paris, foi incluída no “Index Librorum Prohibitorium” (lista de livros proibidos pela Igreja Católica)?