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Sustentável

Jornal de Espiritismo nº 91 · Novembro 2018Página 193 min

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Quando o ser-humano se aventurou no espaço, ultrapassando barreiras que se julgavam intransponíveis, teve a oportunidade de ver o planeta Terra de uma perspetiva completamente diferente. E o deslumbramento que aquela visão arrebatadora provocou nos astronautas, rapidamente se propagou a todos os que comtemplavam as fotos da nossa casa global vista do lado de fora. Luminosa, vibrante, com o colorido predominante de um azul por conta dos 71% da sua superfície coberta por água.

O nome surgiu com naturalidade: O Planeta Azul. E como é possível que esse Planeta Azul esteja a enfrentar problemas de escassez de água, havendo até inúmeros cientistas que defendem que a situação irá agravar- se num futuro próximo? A água é o recurso mais precioso que temos no nosso planeta, um elemento fundamental à vida que não possui qualquer substituto. Poderemos argumentar que o ciclo da água está em permanente dinamismo e renovação, que a água não se perde, transforma- se.

É verdade, mas apenas 1% de toda a água existente na Terra é potável e é insuficiente para as necessidades atuais. Cerca de mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável. Para suprir as necessidades, o ser- humano tem desviado a água do curso dos rios, vai armazenando-a em barragens e retira-a das reservas aquíferas – águas subterrâneas que se acumularam abaixo da superfície terrestre durante milhões de anos.

A Cidade do México, para satisfazer às necessidades de mais de 20 milhões de pessoas, ao longo dos anos tem esvaziado a água do aquífero que se encontra por debaixo da cidade. Não conseguindo renovar-se, o lençol de água subterrâneo está a esvaziar-se e já não oferece sustentação aos sedimentos que suportam a crosta. O peso dos edifícios à superfície tem provocado um afundamento de partes da cidade à razão de 8 a 12 centímetros por ano.

A Cidade do México está a afundar-se, existem ruas desniveladas e edifícios que parecem ter erros básicos de esquadria. No entanto, é apenas a consequência do uso desregrado de um recurso precioso. O mesmo fenómeno está a ocorrer em Jacarta, capital da Indonésia e em Tóquio. Com o fenómeno das mudanças climáticas, a alteração do ciclo das chuvas, a existência de períodos mais prolongados de secas severas e a abundância de elevados índices de precipitação em curtos períodos de tempo, está a tornar cada vez mais difícil renovar os aquíferos, encher as barragens e prover às necessidades das populações.

As “Guerras da Água”, fenómeno tão querido dos escritores de ficção científica, é já uma realidade e poderá tornar- se progressivamente mais dramático. A Guerra da Síria, o conflito no Darfur, o genocídio do Ruanda, a insurreição dos nómadas Tuaregues no Congo, são exemplos de conflitos que tiveram causas relacionadas com o acesso à água ou à sua escassez. O processo de desertificação que está a ocorrer um pouco por todo o lado poderá agravar ainda mais esta ameaça, disseminando epidemias, alimentando a pobreza e comprometendo a capacidade de educação das crianças, sobretudo as meninas.

Em locais onde não existe água disponível, são sobretudo as meninas que deixam de ir à escola para irem buscar água, caminhando diariamente durante vários quilómetros. A tecnologia poderá ser um precioso aliado para encontrar soluções para este problema dramático, mas os comportamentos individuais são ainda a forma mais eficaz para enfrentarmos esta ameaça global: Não desperdiçar água, tomar banhos curtos, comer menos carne, reduzir o desperdício e consumir de forma sustentável.

A ameaça é para todos e a responsabilidade é de todos. Por Carlos Miguel A crise da água foto pixabay A Cidade do México, para satisfazer às necessidades de mais de 20 milhões de pessoas, ao longo dos anos tem esvaziado a água do aquífero que se encontra por debaixo da cidade. Não conseguindo renovar-se, o lençol de água subterrâneo está a esvaziar-se e já não oferece sustentação aos sedimentos que suportam a crosta.