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Sustentável

Jornal de Espiritismo nº 94 · Setembro 2019Página 193 min

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O que têm em comum o espiritismo e a ecologia? São duas linhas de pensamento que surgiram no século XIX, separadas por apenas nove anos. Allan Kardec, cientista francês, por intermédio dos espíritos, abriu-nos os horizontes, em 1857, pela primeira vez, para o espiritismo e para um novo sentido da vida. Mais tarde em 1866, Ernst Haeckel, cientista alemão, usou pela primeira vez o termo ecologia, definindo-o como “o estudo da casa ou do lugar onde vivemos”.

São ciências similares na sua abordagem da vida e do universo, com uma visão muito bem definida sobre a nossa ligação e dependência de um todo. No espiritismo nada melhor do que citar “A Génese” para explicar esta relação. “Assim, tudo no Universo se liga, tudo se encadeia, tudo se acha submetido à grande e harmoniosa lei da unidade”. Na ecologia os cientistas são peremptórios em afirmar que a biodiversidade é fundamental para o equilíbrio do planeta e para a continuação da vida tal como a conhecemos.

Os ecossistemas estão interligados e o desaparecimento de uma espécie ou a destruição de um habitat, afeta diretamente TODAS as outras unidades ecológicas. Estamos a viver a sexta onda de extinção em massa. Enquanto as cinco primeiras foram provocadas por cataclismos naturais, esta é da nossa responsabilidade. Em 40 anos provocámos a destruição de mais de metade da fauna selvagem, sem falar da escassez cada vez maior de água doce por causa da poluição.

Vivemos num planeta que nos dá guarida e meios para a nossa evolução. Precisamos urgentemente de perceber que além de degradar a nossa casa, estamos a comprometer o nosso projeto evolutivo. Temos o dever ético-moral de pelo menos deixar nossa casa comum, a Terra, como a encontrámos. Espíritas e ecologistas têm um mesmo sentido de urgência: para os ecologistas é o risco de colapso cada vez mais iminente do planeta com as alterações climáticas, a escassez de água doce, a poluição do ar, o excesso de lixo… para os espíritas é a evolução planetária e a transição de um mundo de provas e expiações para um mundo de regeneração.

Como podemos nós sonhar com um mundo melhor, se um dos nossos maiores defeitos continua a ser uma característica dos mundos primitivosO apego à matéria? No capítulo V, da “Lei de conservação”, de “O Livro dos Espíritos”, no ponto 705, Allan Kardec pergunta: “Porque a Terra nem sempre produz para fornecer o necessário ao homem?”. A resposta é elucidativa: “É que o homem a negligencia (…) A Terra produziria sempre o necessário se o homem soubesse contentar-se (…) metade dos produtos são desperdiçados na satisfação de fantasias (…) é o homem que não sabe regular-se.

” São ciências similares na sua abordagem da vida e do universo, com uma visão muito bem definida sobre a nossa ligação e dependência de um todo. Deslumbrar-se com a matéria é uma armadilha. Consumir é necessário, faz parte da vida, é satisfazer as nossas necessidades, garantindo o nosso bem- estar. Consumismo é atentar a lei de conservação. É comprar por impulso deixando-se influenciar pela publicidade e criando necessidades supérfluas.

O capítulo V da obra citada é um tratado de sustentabilidade, um guia para ensinar a usar e respeitar sem estragar. A poluição do ar, do solo e das águas, afeta o equilíbrio do planeta e a nossa saúde física. Mas nós também somos seres espirituais e a contínua irradiação de maus pensamentos, negatividade, individualismo, egoísmo é uma autêntica lixeira a céu aberto. O nosso campo energético e a psicosfera da Terra ficam contaminados com miasmas e vibrações pesadas, interferindo na esperança, na alegria, na paz, na serenidade… na nossa vontade de viver.

Há muito tempo que a Terra vai dando sinais de alerta. O caminho escolhido não é o indicado para alterar a nossa vibração e acompanhar a evolução do planeta. Não estamos sozinhos nesta caminhada e temos uma grande responsabilidade em relação ao reino vegetal e animal e ter a sensatez de protegê-los. Somos nós que precisamos do planeta em que vivemos. Ecologistas e espíritas estão em sintonia na busca de uma Terra saudável e de uma humanidade responsável.

Porque não adoptar as duas filosofias, ser espíritas- ecologistas, consciencializarmo-nos e ajudar na busca de uma Terra melhor? Saibamos respeitar quem tão amorosamente nos acolheu. Por Isabel Carvalho Fonte: obra “Espiritismo e ecologia” de André Trigueiro, 2014. Espiritismo e ecologia foto pixabay MAIO.JUNHO.